Precisão e velocidade

29 de Julho de 2006

Precisão e velocidade

No processo de operacionalização do seu jogar, a equipa deve lograr primeiro a precisão de movimentos (entenda-se princípios) e só depois a velocidade de execução dos mesmos. A velocidade, por si só, sem precisão não garante a aplicação eficaz do modelo de jogo. O primeiro passo é, portanto, incorporar a ocupação dos espaços (posição e dinâmica), garantindo a posse da bola, algo que a velocidade sem precisão impede logo à partida. Só depois, quando os jogadores dominarem os princípios (noção e execução) é que podem começar a dar-lhe velocidade. Há aqui subjacente uma noção que deve presidir a qualquer equipa.

Táctico-técnica e não técnico-táctica. Parece a mesma coisa, mas não é. A técnica necessita da moldura certa (ocupação de espaços, movimentos e ritmo) para se exprimir. Essa moldura chama-se táctica (integrante do modelo de jogo). Só quando esta noção de relação com a bola e o jogar pretendido estiver interiorizado pela equipa (individualidades e colectivo) é que a é que a qualidade técnica pode, na execução dos princípios que compõe o modelo, tornar-se eficaz. A técnica é um atributo individual. A táctica é uma noção colectiva. Sendo o futebol um jogo de equipa, colectivo por definição, deve-se, portanto, falar em táctico-técnica. A questão física, crucial para a execução, deixa de fazer sentido quando entendida como algo isolado. Ela deve estar ao serviço do modelo. Por isso, mais do que forma física, poderia, talvez chamar-se forma táctico-física integrada ao modelo. Como cada treinador tem o seu (e em cada um deles podem caber vários sistemas) cada um deve escolher a melhor forma de o treinar (exercícios e etapas de crescimento). Não existem, portanto, fórmulas-exercícios universais. Depende do jogar que cada treinador preconiza.

No fundo, procuram-se criar hábitos de jogo, incutir referências-tipo de movimentos para cada espaço e posição, e passar aos jogadores a noção de ordem e liberdade de forma a os executar com critério mas não mecanicamente (ou seja, com bola o jogador é livre para criar, mas essa liberdade termina exactamente quando choca com a ordem colectiva e, assim, subverte a aplicação dos princípios de jogo).