PUEL E GERETS: A filosofia da táctica

10 de Outubro de 2004

PUEL E GERETS A filosofia da táctica

Numa análise sintética pode-se dizer que é um tacticista. Basta ver jogar o seu actual Lille (líder da Liga francesa) para entender essa definição. Foi, como se soube, o primeiro alvo do FC Porto após a saída de Del Neri para substituir Mourinho, como tentativa da direcção portista para encontrar um técnico que não cria-se, na forma de abordar o jogo, uma grande clivagem com o anterior treinador campeão europeu. Nessa perspectiva, sendo Fernandez alinhado por outra ideologia, Puel, seria, claramente, um técnico mais na linha de Mourinho. O seu projecto passa, também, por controlar o adversário e, só depois, lançar as armas da sua equipa, muitas vezes, teoricamente, menos forte que o adversário. Não é, no entanto, um mero treinador defensivista. No Mónaco, onde foi campeão em 2000, com um onze onde estavam Gallardo, Simone e o ministro Costinha. No Lille, da equipa que há três anos foi á Liga dos Campeões com Halilhodzic, só restam três jogadores: os médios ala Landrin e Brunel, e o lateral esquerdo Tafforeau. Como explica Puel, porém, mesmo quando saem jogadores importantes, mudar uma equipa não implica, obrigatoriamente, alterar a sua coerência de jogo e consistência colectiva. Ela pode-se manter. O segredo está na manutenção as ligações entre-linhas de forma a manter o bloco do onze coeso. Em vez de grandes volumes de trino, também defende a intensidade e gosta de falar da chamada recuperação passiva.

O seu Lille, em 4x5x1 com dinâmica de 4x4x2, com as subidas dos alas ou do médio centro Bodmer ou, sobretudo, do criativo ala esquerdo esloveno Acimovic (quase um segundo avançado) parte de uma excelente dupla de centrais, onde, depois da saída de Abidal (para o Lyon e já titular da selecção), destaca-se, ao lado do brasileiro Schmitz, o grego Tavlaridis. A meio campo, é o camaronês Makoun, um volante que rouba bolas e lança o contra-ataque. No ataque, Moussilou é o solitário homem de área. Outras equipas tacticamente interessantes neste inicio de época, são, em diferentes quadrantes, o Tottenham de Santini e o Wolfsburg de Gerets. Congeminada pelo manager dinamarquês Frank Arnesen, os spurs, na sua forma continental de jogar (entre o 4x4x2 e o 4x5x1), tem um estilo táctico semelhante ao do Chelsea, sob o ponto de vista do rigor defensivo. Falta-lhe, depois, a mesma versatilidade a atacar, demasiado dependente dos rasgos de Defoe. Para encontrar um futebol mais ofensivo deve-se, porém, rumar á Bundesliga, em busca do surpreendente líder Wolfsburg.

Tácticas: O Wolfsburg de Gerets

PUEL E GERETS A filosofia da tácticaEnquanto jogador, aprendeu com os sábios treinadores, de Goethals a Thys, mestres belgas, os maiores segredos tácticos, mas como sempre foi um lateral ofensivo, também cultivou o gosto pelo futebol aberto que hoje, como treinador, incute nas suas equipas: Eric Gerets. Depois do Lierse, Brugge, PSV e Kaiserlautern, o seu novo projecto na Bundesliga é o Wolfsburg, uma das equipas, pela forma de se estender em campo, mais interessantes neste inicio da época. Tacticamente versátil, o onze tem evoluído, ao longo das primeiras sete jornadas, em vários sistemas. Partiu do 4x3x2x1, com variações em 4x3x3, passou por esquemas de três defesas, em 3x5x2 ou 3x4x1x2, e, nos últimos dois jogos, mais confiante, abriu-se em 4x2x1x3, com D`Alessandro como o criativo maestro nº10. A cultura táctica de todo a equipa permite-lhe alternar entre as várias opções, sem nunca perder consistência táctico-colectiva. Em qualquer variante, saliente-se, a defender, a dupla de centrais Quiroga-Hofland, á qual se junta, no caso de defesa a «3», Schnoor (que também alinha a trinco), enquanto nas laterais Waiser e Rytter revelam a mesma eficácia na clássica linha de «4» como, mais ofensivos, em 3x5x2.

A segurança do meio campo é dada, em termos de marcação, pelo médio de contenção Thiam, apoiado pelo ganês Sarpei. Na fase atacante, um ponta de lança argentino, Klimowicz, sem grande técnica, mas com grande faro de golo, apoiado pelo ágil e lutador Brdaric, entrando sobretudo pela direita, enquanto, na esquerda, o búlgaro Petrov é demolidor quando surge, em velocidade, embalado desde trás. No centro, organizando as manobras ofensivas, o argentino D`Alessandro. Até ao momento, devido ao torneio olímpico, só fez três jogos, mas mal regressou viu-se a importância que Gerets lhe dá pois alterou logo o sistema em sua função. Primeiro, e pela única vez, para adoptar o 4x4x2 em losango, com o argentino no rombo ofensivo. Depois, como enganche ofensivo entre-linhas em 4x2x1x3, apoiando o trio avançado Brdaric-Klimowicz-Petrov.