Reflexões de Futebol

13 de Julho de 2011

Reflexões de Futebol (3)

1. Equipas ou jogadores?

Olho para os plantéis que se formam, comparo-os com épocas passadas, penso o jogo actual e tenho uma sensação clara: as equipas mais fracas melhoraram, mas os seus jogadores…não. Como é possível? A resposta obriga a buscar razões noutros locais. Se não está nos jogadores, está na organização colectiva e na preparação física, realidades interligadas no jogo. Quase todas as equipas desse campeonato dito de segunda linha sabem posicionar-se defensivamente, mas depois, a ideia que fica é que essa qualidade vai diminuindo à medida que tentam avançar no terreno e, chegadas ao ultimo terço, a jogada que prometia tanto, dilui-se num mau passe ou precipitação. Os jogos tornam-se sucessivas ameaças não concretizadas de boas jogadas. Não atribuo a maior responsabilidade disso aos avançados, mas sim ao desprezo com que é tratado o meio-campo.

Pensa-se em defender bem e chegar depressa ao ataque, surpreendendo o adversário. O meio-campo passa a ser um espaço secundário, quando devia ser a base dessa ligação. Faltam jogadores, bons médios, para isso.

2. O tempo passa “depressa”

Reflexões de Futebol (3)Ouvindo esta semana Menotti reflectir sobre futebol, a minha mente de apaixonado pelos jogadores de outras eras disparou logo em alta velocidade. Foi quando falou de Sergio Busquets, pivot do Barcelona: a primeira vez que o vi, chamei um amigo e disse-lhe: vi um futebolista de uma espécie desaparecida! . Menotti falava do pivot ordenador (o tradicional nº5 argentino). Um jogador para olhar, avançar, passar…jogar! De repente, a minha mente volta ao presente. Ao futebol dos nossos dias. A frase espécie desaparecida tem esse condão. A urgência táctica em resolver muitas situações de jogo, leva muitos treinadores a procurar, sobretudo, jogadores com características físicas muito vincadas.

As mais comuns: maior dimensão física no controlo do espaço ou velocidade pura para resolver as coisas o mais rápido possível, antes que o adversário se aperceba. Desaparece aquele que percebe, antes do resto da equipa (ou no início da jogada) como a importância da velocidade não está em ser maior ou menor, mas sim, como um relógio, em ter o ritmo certo.

3. Como fazer para pensar?

Reflexões de Futebol (3)A capacidade para pensar não é algo que surja do nada. Victoria Beckham confirma-o: os saltos altos não me aumentam só o tamanho. Também aumentam a minha capacidade cerebral. Sem saltos altos, sou incapaz de pensar! A frase, aparentemente totalmente disparatada, até pode ter, numa interpretação mais profunda, algum nexo. Porque, de facto, todos nós precisamos de nos sentir confortáveis para tomar as melhores decisões. Não sei se Victoria tem provas do seu caso específico, mas acredito que o seu marido, o Beckham verdadeiro, tenha igual necessidade. Futebolisticamente falando, claro. Isto é, sentir-se na posição mais confortável para por os neurónios a funcionar.

Onde quero chegar é à necessidade de, dentro da equipa, se criar todas as condições para a chamada táctica individual (tanto mental, o jogador sentir-se bem na posição onde está, como técnica, executar nos espaços ideais para o gesto, passe ou centro, pretendido) exteriorizar a sua melhor expressão corporal e pensamento no jogo. Saltos altos ou chuteiras, tudo é pensamento.