SURINAME: BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLIT

19 de Dezembro de 2006

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLIT

Após a goleada sobre Aruba, por 8-0, os 5500 espectadores que ocupavam as rudimentares bancadas do Andre Kamperveen Staduim, situado na capital Paramaribo, ambicionavam continuar o sonho de qualificação para a fase final do Mundial-2006 frente á prestigiada selecção da Guatemala. Como cenário, o clima tropical, a musica reggae, a água quente e as palmeiras namorando as praias.
Postal de férias? Não, viveiro de grandes futebolistas. Através do simples repassar pelos nomes componentes do onze inicial, ninguém diria, porém, que aquele pequeno território era um dos maiores produtores de talentos do futebol mundial: Blokland, Baino, Amelo, Felter, Linger, Kinsani, Uralime, Sanvliet, Purperhart, Panka e Lupson. Como descifrar este enigma? Se em vez destes heróicos, mas anónimos nomes para a generalidade da comunidade futebolística internacional, tivéssemos antes citados os de Gullit, Rijkaard, Seedorf, Davids, Kluivert, Jimmy, Winter, entre muitos, muitos outros, a impressãSURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLITo sereia, no entanto, bem diferente.

Todos eles nasceram ou tem as suas origens nesse pequeno território com uma área de apenas 163,264 km2 e cerca de 435 mil habitantes, geograficamente situado no norte da América do Sul, antiga Guyana holandesa, o Suriname. Erguendo as suas fronteiras, a este, com a velha Guyana, de cariz britânico, e, a oeste, com a Guyana francesa –as três outrora um Estado uno, a Guyana- hoje separadas pelo caudal de rios seculares, estende a sua fronteira, a sul, ao longo da Serra Tumoucumaque, com o Brasil, grande fonte de inspiração do design artístico e açucarado do seu futebol.

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLITLutando desde o primeiro minutos pelo sonho utópico de apuramento, os galácticos do Suriname marcaram logo aos 14 minutos por Purperhart, mas, mais experiente, a Guatemala soube reagir e chegou ao empate ainda no primeiro tempo, fixando o resultado final, 1-1. No segundo jogo, no Mateo Flores da Guatemala, imperou a lei do mais forte e o Suriname perdeu por 3-1. Com esta derrota, terminava o sonho de rumar á Alemanha no verão de 2006. Apesar dessa raiz geográfica sul-americana, as suas ligações futebolísticas atravessaram as fronteiras do novo mundo e encontraram o seu grande espaço de explosão muitos milhares de quilómetros depois, do outro lado do Oceano Atlântico, ente o centro e o norte do Velho Continente, na Holanda, antiga potência colonizadora.

Secularmente ocupado pelos ingleses, o território fora cedido aos holandeses em 1667, tornado-se na chamada Guyana holandesa. Os anos foram passando, até que em 1975, depois de readquirida a Independência, passou a chamar-se Republica do Suriname, nome que advêm do rio que atravessa a capital Paramaribo. Embora a sua população reflicta o espantoso mosaico multiétnico que sempre habitou aqueles territórios, cruzamento de crioulos, indianos, imigrantes paquistaneses e indonésios, ao lado de hindus, chineses ou descendentes de tribos indígenas, todos sempre em conflito permanente, o grande ponto de referência para a população na hora de partir na aventura dos sonhos chama-se Holanda. Um sonho e um destino que se espelha no nome da pequena cidade vizinha de Paramaribo: Nova Amsterdão. A língua oficial é o holandês, mas a maior parte da população fala um babilónico dialecto local que mistura várias palavras e construções gramaticais das várias palavras e frases constantes das distintas línguas existentes no território: o Sranang Tongo, pitorescamente conhecido por Taki-Taki.

Feira de sonhos em Amsterdão

Foi a independência, em 1975, a, no entanto, marcar o grande impulso na corrente migratória entre a velha Guyana Holandesa, ou o actual Suriname, e a Holanda. Uma aventura que representa ainda a grande auto-estrada dos sonhos para os milhares de surinameses que, ano após ano, geração após geração, atravessaram o Atlântico e rumaram aos Países Baixos, na velha Europa. Em 1970 não existiam mais de 25 mil surinameses a viver na Holanda. Hoje, ultrapassam os 230 mil, formando, nos subúrbios das grandes cidades, autênticos ghetos étnicos, do qual é maior exemplo o bairro de Bijlmermeer, feira de sonhos a sudoeste de Amsterdão. No abrigo das suas ruas, é fácil descobrir meninos mulatos a correr atrás da bola com a mesma arte e alegria de qualquer baldio de terra da América do Sul. Eles são o grande viveiro da nova geração do Voetbalstrat (futebol de rua, em holandês), já crescida ao som da Kan-Gang Radio, que emite durante todo o dia música surinamesa de inspiração reegae. Até os anos 70, era impossível descobrir um jogador negro a jogar na selecção da Holanda. O mesmo também sucedia, muito raramente, nos seus principais clubes. A imagem que fica do célebre tempo da Laranja Mecânica do Futebol Total é a deSURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLIT jogadores altos, brancos e ruivos, como Krol, Rep ou os irmãos Van der Kerkof.

Repassamos os arquivos e até inicio dos anos 80 apenas um nome emergia para fazer a diferença: Humpfrey Mijnals, então jogador do modesto Alenkwijk, o unicio jogador de origem suri
namesa a alinhar pela selecção da Holanda. Sucedera, por três vezes, nos distantes finais dos anos 50, tendo a sua ultima aparição remontado a 30 Julho de 1960, quando alinhou num jogo particular exactamente frente ao Suriname, disputado na capital Paramaribo. Venceu a Holanda 4-3. A Federação Surinamesa de Futebol (SVB Surinaamse Voetbal Bond), foi fundada em 1920 e filou-se na FIFA em 1929, tendo, neste momento, 13 mil jogadores inscritos. Participou por 12 vezes na fase de qualificação para o Mundial, mas, apesar da sua localização geográfica ser na América do Sul, integrou-se sempre no quadro competitivo da CONCACAF, a Confederação da América do Norte, centro e Caraíbas. Uma opção justificada pelo facto desta forma poder defrontar adversários de nível mais semelhante, o que não sucederia frente ás selecções sul americanas, todas profissionais, enquanto no Suriname o futebol continua a ser completamente amador. Assim, é possível trabalhar o desenvolvimento, o que seria impossível se cada vez que jogasse sofresse uma goleada. Apesar dessa opção, O Suriname nunca logrou, no entanto, a qualificação para a fase final de nenhum grande torneio internacional. A melhor perfomance remonta á fase de 1978, quando, após afastar Trinidad e Tobago, chegou á ultima ronda de apuramento da CONCACAF, onde, incapaz de competir com adversários mais fortes, perdeu todos os cinco jogos, o último frente ao México por 8-1.

As viagens de Edgardo Baldi

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLITTrota-mundos do futebol, incansável viajante que o levou a passar pela Nicaragua, Brasil (onde treinou o Nautico, Rio Grande e Progresso) Panamá e Bolivia, o uruguaio Edgardo Baldi chegou a Paramaribo em Novembro de 2003 para assumir o cargo de seleccionador do Suriname, com a missão de aumentar o nível competitivo do seu futebol, confirmando a fama que ganhara no passado como especialista em salvar equipas em condições difíceis, transformando-as, depois, em protagonistas de bom futebol. No Suriname depara-se, no entanto, com uma missão quase impossível. Embora seja um viveiro de talentos da actual selecção holandesa, todas essas estrelas internacionalmente conhecidas, saíram cedo do território suriname ou, noutros casos, são já filhos de uma segunda geração de emigrantes. Os que ficam no país, não dispõe de estruturas para se desenvolverem. Sem uma Liga profissional, o campeonato do Suriname é disputado por 13 equipas, todas amadoras, que apenas trinam três a quatro vezes por semana, pois durante o dia os seus jogadores tem de trabalhar nas suas profissões normais. O clubes mais representativos chama-se Robin Hood FC de Paramaribo. As principais figuras da actual selecção são o avançado Sandvliet, muito habilidoso, e os defesas Marlon Welter e Rinaldo Lupso.

A Holanda sul americana

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLITA construção do futuro é um desafio que, ao longos dos tempos, sucede várias gerações. É, também, um objectivo infinito. No Suriname, o passar da história, conheceu vários contornos. O seu futebol também. Até que, na alvorada dos anos 80, um novo ícone emergiu para mudar a face do destino: Ruud Gullit. Depois dele, sucederam-se outros poetas do Taki-Taki futebolístico
Sem jogadores de nível internacional internamente, a solução mais viável para colocar a selecção do Suriname no mapa do futebol mundial, passa por tentar resgatar para o seu onze nacional muitos dos jogadores surinameses que, sem grande destaque, jogam hoje na Holanda, nos chamados clubes de segunda linha, na II ou III Divisão holandesas, sem hipóteses de alguma vez jogar pela selecção da Holanda, mas que seriam muito úteis á actual selecção do Suriname.
O facto de, ao contrário do que sucede na maioria das nações de todo o mundo, não ser admitida a dupla nacionalidade no Suriname, impede a realização desse objectivo, pois quase todos esses jogadores já nasceram nem território holandês. Um dos poucos resistentes, é o médio Rodney van Engel que joga na Holanda no C.C. Capelle de Roterdão, um clube holandês da III Divisão. Enquanto sonha ir jogar para a Bélgica, como profissional, alinha na selecção do Suriname. Um dos maiores choques da história do futebol do Suriname sucederia, no entanto, em Junho de 1989, destruindo um sonho começado poucos meses antes quando uma equipa composta por jogadores profissionais surinameses da Holanda, o chamado Dark Team, rumou ao Suriname para uma tournée, fazendo vários jogos com equipas locais.

A tragédia aconteceria, porém, quando o avião DC8 chamado Anthony Nesty em homenagem ao único atleta surinamês vencedor de uma medalha olímpica (em Seol 88, na Natação), se despenhou na selva de Kola Kreek, ás portas de ParamariboSURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLIT, vitimando 13 jogadores dessa lendária equipa. Um deles era o guarda redes suplente do Ajax, Doesburg. Winter só não fora por estar lesionado e Menzo iria juntar-se a eles mais tarde. Outras vitimas foram os talentosos Van Dorpel do Volendam, Jeery Haatrecht do Telstar, Nandlal do Vitesse, Linger do Haarlem e o goleador Sigi Lens, do Fortuna Sittard. No facto de toda a Holanda ter sentido a tragédia com a mesma intensidade como se ela tivesse sucedido com jogadores de uma sua selecção própria, estava bem expressa a profunda ligação que então já existia entre toda a nação holandesa com o Suriname, e, em especial, a sua comunidade futebolística, a grande base dos sucessos da renovada selecção da Holanda.

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLITNo Suriname há um ano, Edgardo Baldi já fez o diagnóstico da situação. A nível técnico e físico, todos os jogadores do Suriname tem uma qualidade inata. O problema surge na falta de capacidade táctica, força mental e disciplina em campo. Muitos não sabem sequer como se colocarem posicionalmente em campo. Falta-lhes escola, pois nunca trabalharam a nível de camadas jovens. Assim, uma solução, a longo prazo, tendo em conta o enorme potencial inato que os miúdos nascidos no Suriname têm, desde o berço, para o futebol, seria trabalhar ao nível das escolas de formação. Foi com esse objectivo que o Suriname aderiu ao FIFA Goal Programme, criado para ajudar o desenvolvimento futebolístico de pequenos países com dificuldades financeiras e desportivas, investindo na criação de infrastruturas, como foi o caso, no Suriname, do Centro Desportivo Emile de la Fuente de Paramaribo, que ostenta o nome de um antigo presidente da federação e no qual foram construídos vários campos relvados, ginásios, dormitórios para jogadores, salas de conferências e novos escritórios.

Seedorf, missionário do futebol

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLITA grande fonte inspiradora para o futuro do futebol do Suriname passa, no entanto, obrigatoriamente, pelas estrelas que brilham no futebol mundial. Uma delas é Clarence Seedorf. Nascido em Paramaribo, rumou muito cedo, com os pais, para a Holanda, ingressando no centro de formação do Ajax em 1986, com 10 anos. O inicio da sua bela história nos grandes relvados remonta a uma fria tarde de 28 de Outubro de 1992, quando, com apenas 16 anos, já tratando a bola com uma intimidade invulgar para a sua idade, entrou na história como o jogador mais jovem a disputar um jogo com a camisola do Ajax. Foi contra o VV Venlo e durou 58 minutos, tendo então entrada a substituir De Boer. Alinhou como... defesa central. Na véspera tinha jogado pela equipa júnior, como... avançado centro. No mês seguinte estreava-se nas competições europeias, frente ao Guimarães, como... defesa direito.

Em todos os postos, evidenciava os mesmos traços: técnica apurada com os dois pés, maturidade física e futebolística, criatividade e personalidade. Um típico produto da escola de talentos do Ajax, onde entrara, para o seu centro de formação, em 1986, com 10 anos. Hoje é uma grande estrela do futebol europeu, como.... médio centro, passeando classe pelos relvados do Velho Continente com a camisola do AC Milan, sendo o único jogador a ter conquistado três Taça dos Campeões Europeus por três clubes diferentes: Ajax, Real Madrid e Milan.. Nuca esqueceu, no entanto, as suas raízes e, recentemente, regressou ao Suriname para fundar uma centro desportivo, com escola de futebol, o Clarence Seedorf Complex, e uma fundação, Champions for Children, ambas as iniciativas destinadas a ajudar as crianças e o futebol do Suriname. O sonho, dizem. É atingir a fase final do Mundial em 2014, quando a nova geração criada á luz dessa nova realidade já esteja integrada no futebol sénior...

Quando durante o Europeu 2000, o virtuoso médio Aron Winter, um produto das escolas do Ajax, entrou em campo e tornou-se, com 84 jogos, o jogador holandês com mais internacionalizações pela selecção laranja, superando Rudy Krol, os mais atentos aos fenómeno futebolístico sentiram que estava ali a face mais visível do novo futebol holandês. Á margem das quatro linhas, a descolonização também ditara leis na aventura futebolística. O primeiros sintomas surgiram em finais dos anos 70, quando emergiram com as cores laranja, o avançado de origem chinesa, La Ling, e, sobretudo, o virtuoso Tahamata, nascido nas Ilhas Molucas, um pequeno diabo com a bola nos pés que brilharia, sobretudo, na Bélgica, no Standard Liege, nos anos 80. O grande viveiro descoberto pelo moderno futebol holandês de fim de século situa-se, porém, no Suriname, mas só a partir de inicio dos anos 80, é que as tulipas negras de origem surinamesa, muitas já segunda geração de emigrantes, começaram a invadir os relvados holandeses.

Apesar dos títulos e das iniciativas de Seedorf, o grande símbolo desta novo aroma do futebol das túlipas mora nos cabelos á Bob Marley de Ruud Gullit, filho de pai surinamês e mãe holandesa. A 14 de Abril de 1982, contra a Grécia, ele tronava-se, aos 20 anos, no segundo jogador de origem surinamesa a jogar na selecção da Holanda, sucedendo ao longínquo Mijnals, estrelas dos anos 50. Com ele, surgiria uma vasta legião de outros talentos com a mesmo origem e estilo futebolístico, introduzindo um traço mais técnico e virtuoso no futebol holandês, agora de tez negra, mas sem nunca descurar a condição atlética. O primeiro clube a trabalhar este novo viveiro nas suas camadas jovens foi o Ajax, a suprema referência na formação do futebol mundial, em cujas escola de artes se formaram talentos do Suriname como Menzo, Roy, Silooy, Rijkard, Davids, Reiziger, Bogarde, Seedorf, ao mesmo tempo que, por toda a Holanda, iam surgindo mais artistas com os mesmos genes, como Taument, Van Hooijdonk e Helder, que passaram pelo Benfica nos anos 90, Blinker, Jimmy Hasselbaink, Fraser, Vanenburg, Engelaar, Wooter, Redan, e, claro, Ruud Gullit, entre muitos outros.Com faces da nova geração, destaca-se De Jong, do Ajax, e o extremo Castelle, do Feyenoord, ambos já na selecção.

A terceira geração

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLITÉ curioso notar-se que, observando a evolução do futebol holandês ao longo das ultimas duas décadas, já se distinguem, claramente, duas gerações de jogadores oriundos do Suriname. O principal símbolo dessa evolução geracional reside na relação Rijkaard-Kluivert. Ambos nasceram no Ajax. Rijkaard surgiu em meados dos anos 80, finda a geração Cruyff, e, muito novo, rumou para o Milan, em 1986. Nessa altura, Kluivert era um miúdo que não falhava aos treinos para ver os craques da primeira equipa. Em breve, também ele entraria nas escolas do clube.

Quando em 1992, Rijkard regressou de Itália para terminar a carreira no seu Ajax, duas épocas reuniram-se na mesma equipa. No onze de Amesterdão, já jogava então um jovem de 17 anos, que antes do trinco elegante rumar a Itália, era apanha bolas e antes dos jogos corria atrás dele, puxando-lhe pelos calções, para tirar uma fotografia. Esse miúdo era... Patrick Kluivert, descoberto aos oito anos aos pontapés a uma bola no bairro de Schellingwaude, na grande Amesterdão, não muito longe do local onde nasceu Cruyff. Depois de uma década nas escolas de formação do Ajax, estreou-se na primeira equipa, com 18 anos, em Agosto de 1994. Cinco anos depois, quando Rijkaard regressou, já era o felino ponta de lança da selecção holandesa que aterrorizava, com técnica e condição atlética, os defesas adversários de todo o mundo. Juntos, Rijkaard, 3x anos, como capitão da equipa, e Kluivert, 18, como ponta de lança que marcou o golo da vitória, conquistaram, em 1995, a Taça dos Campeões Europeus para o Ajax, batendo na final o poderoso Milan por 1-0. A geração Kang-Gang substituíra a da Genaration Beat dos anos 70.

A selecção do Suriname

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLITImaginemos uma selecção intemporal constituída apenas por jogadores nascidos ou originários do Suriname. Se, em vez de terem envergado a camisola laranja da Holanda, tivessem antes vestido a verde e branca do Suriname, não custa crer que também a antiga Guyana holandesa teria brilhado nos palcos de um Mundial. Pensemos num 3x4x3 típico da escola holandesa. Este seria um utópico onze de sonho do Suriname, titulares e suplentes. Grandes estrelas para um país e um território preso nas encruzilhadas do tempo.

GUARDA REDES

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLIT1. STANLEY MENZO

Posto: Guarda Redes Data de nascimento: 15/19/63 (41 anos) Jogou entre 1983 e 2000 Principais clubes: Haarlem (83/84), Ajax (84/94 e 99/2000), PSV (94/96), Lierse (96/97 e 98/99), Boedeaux (97/98), 6 vezes internacional pela Holanda Embora o Suriname tenha dado grandes jogadores ao mundo, raramente eles foram guarda redes. Assim, sem esquecer o malogrado Doesburg, falecido em 1989, quando era suplente do Ajax, um nome se destaca de imediato: Stanley Menzo. Era um guarda redes imprevisivel, para o bem para o mal. Muito ágil, voador e com grande rapidez de reflexos, alternava grandes defesas com lapsos infantis de arrepiar os cabelos. Mesmo sem ser uma referência de segurança, foi muitas vezes convocado para a selecção, onde jogou 6 vezes. Venceu a Taça das Taças pelo Ajax em 1987 e a Taça UEFA m 1992.

DEFESAS

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLIT2. MICHAEL REIZIGER

Posto: Lateral-Direito Data de nascimento: 3 75/73 (31 anos) Principais clubes: Ajax (90/93 e 94/96), Vlendam (92/93), Groningen (93/94), Mlan (96/97), Barcelona (97/2004) e Middlesbrough (2004/?). 72 vezes internacional pela Holanda Um lateral direito rápido, ágil e muito ofensivo. Características que, aliada á elevada cultura táctica aprendida nas escolas do Ajax, o fazem dominar na perfeição as compensações defesa-ataque. Sem ser um poço de técnica, possui excelente controle de bola em corrida. Faltou-lhe, porém, alguma consistência táctico-técnica para se assumir como um indiscutível no Barcelona. Em Inglaterra, por vezes parece alguma desencaixado do típico vertiginoso ritmo britânico, mas, fisicamente muito forte, resolve sempre bem todas as situações.

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLIT3. FRANK RIJKAARD

Posto: Médio ou Defesa central Data de nascimento:30/9/62 (42 anos) Jogou entre 1981 e 1995 Principais clubes: Ajax (80/88 e 93/95), Saragoça (87/88) e Milan (88/93) 73 vezes internacional pela Holanda Um jogador com uma classe e personalidade ímpar no futebol europeu. Elegância, cabeça levantada, visão de jogo até ao filo do horizonte, perfeito controle de bola, precisão de passe cirúrgico, e agressividade q.b. para desarmar em tackle. Tudo, embora sem grande velocidade, com timing perfeito de antecipação, corte e passe. Apesar de ter se consagrado sobretudo como trinco-volante organizador, também jogou muitas vezes a defesa central com igual classe e eficácia. Foi, aliás, nessa posição que jogou o Europeu-88, conquistado pela reciclada Holanda de Rinus Michels. Era um professor com a bola nos pés.

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLIT4. WINSTON BOGARDE

Posto: Lateral esquerdo ou direito Data de nascimento: 22/10/70 (34 anos) Jogou entre 1988 e 2003 Principais clubes: SVV (88/91), Sparta (91/94), Ajax (94/97), Milan (97/98), Barcelona (98/2000), Chelsea (2000/03) 20 vezes internacional pela Holanda Um defesa polivalente, que tanto pode jogar do lado esquerdo como do direito. É um muro, pilar do Ajax campeão europeu em 1985, tendo depois rumado ao Barcelona com Van Gaal. Destaca-se sobretudo nas recuperações, cortes e forma como anula os adversários. Com a bola nos és, a principal preocupação é soltá-la rapidamente, mas sem nunca a meter na bancada. A arte surinamesa-holandesa exige outro requinte: tranquilidade, análise das linhas de passe e entregar a bola jogável.

MÉDIOS

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLIT5. EDGAR DAVIDS

Posto: Médio centro defensivo Data de nascimento: 13/3/73 (31 anos) Principais clubes: Ajax (91/96), Milan (96/97), Juventus (97/2004), Barcelona (2004/05), Inter (2005/?) 63 vezes internacional pela Holanda Muito provavelmente, o melhor médio defensivo do actual futebol europeu. Exímio m acções de pressing, recuperando milhares de bola por jogo, sabe, depois, dar seguimento ao lance, com um sequente passe de construção ofensiva. Interpreta, assim, na perfeição, as grandes bases do futebol: recepção, passe e nova desmarcação para pedir novo passe e assim sucessivamente ir avançado no terreno. Parece simples, mas, afinal, é este o sucesso dos grandes jogadores: tornar simples as coisas mais difíceis. Com ele, qualquer equipa tem ordem em campo. Como factor negativo, talvez, por vezes, alguma agressividade excessiva.

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLIT6. ARON WINTER

Posto: Médio centro Data de nascimento: 1/3/67 (37 anos) Jogou entre 1985 e 2002 Principais clubes: Ajax (85/92), Lazio (92/96), Inter (96/99), Ajax (99/2001), Sparta Roterdão (2001/02) 84 vezes internacional pela Holanda Um talento de fino recorte técnico sem grande fulgor mas com uma clareza de movimentos, na recepção, passe e desmarcação notáveis. Em relação a Davids, possuía maior casse técnica, menos lutador, sabia que quem tinha decorrer era a bola ,não ele. Por isso, era mais um construtor que um operário. Não era um jogador de dar muitos nas vistas, raramente aparecia nos resumos a fazer grandes jogadas, mas sem ele em campo, o onze perdia ordem. Durante anos, foi um indiscutível na selecção holandesa, espécie de placa giratória n fase de fazer a bola conhecer todos os pedaçinhos de relva espalhados pelos quatro cantos do campo.

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLIT7. CLARENCE SEEDORF

Posto: Médio centro ou ala. Data de nascimento: 1/4/76 (28 anos) Principais clubes: Ajax (92/95), Sampdoria (95/96), Real Madrid (96/2000), Inter (2000/02) e Milan (2002/05) 77 vezes internacional pela Holanda Aos 28 anos, já é um experiente catedrático do futebol. Começou muito novo, aos 16 anos já passeava classe na primeira equipa do Ajax. Faz todos os lugares do meio campo, nas alas e no centro, atrás ou á frente, mas onde gosta mais de jogar é como médio centro organizador, espécie de nº10 á moda antiga com liberdade para criar, subir e rematar. Quando joga mais atrás, como faz no actual Milan, todas as bolas que passam pelos seus pés recebem sempre depois o caminho certo a seguir. Para além disso, tem um carácter muito forte. Único jogador na Europa a vencer três Taças de Campeões europeus por três clubes diferentes (Ajax, Real Madrid e Milan).

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLIT8. GERALD VANENBURG

Posto: Extremo ala direito Data de nascimento: 5/3/64 (40 anos) Jogou entre 1980 e 2000 Principais clubes: Ajax (80/86), PSV (86/93), Jubilo Iwata (93/97), Utrecht 896/97), Cannes (97/98), Munique 1860 (98/2000) 42 vezes internacional pela Holanda Por ter um estilo quase brasileiro, chamavam-lhe Geraldinho. Um grande artista, no lado direito do ataque. Velocidade, drible curto em progressão saltando adversários e, como um abre-latas, descobrindo espaços nas defesas mais fechadas. Campeão europeu por clubes, com o PSV em 88, e na selecção, com a Holanda, em 88. O maior jogador branco da história do Suriname. Precisava, porém, de ter a seu lado um médio mais operário para, digamos, guardar-lhe as cotas, e dar-lhe maios liberdade para criar, dispensado-o de grandes tarefas de marcação defensiva.

AVANÇADOS

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLIT9. PATRICK KLUIVERT

Posto: Avançado-centro Data de nascimento:1/7/76 (28 anos) Principais clubes: Ajax (94/97), Milan (97/98), Barcelona (99/2004), Newcastle (2004/?) Um ponta de lança felino que, sempre tranquilo, passeia na área, entre os centrais adversários, sempre com grande tranquilidade, como se soubesse que o golo vai aparecer a qualquer momento. O seu temperamento, fora dos relvados, contestatário, têm lhe causado alguns problemas na carreira que, no inicio, prometia maiores feitos em clubes de maior dimensão. Neles, porém, nem sempre foi titular. Não é um goleador nato, pois também gosta de recuar para procurar jogo e tentar triangulações nas imediações da área. Forte de cabeça, lutador e com remate pronto, é um nº9 proibido perder de vista.

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLIT10. VAN HOOIJDONK

Posto: Ponta de Lança Data de nascimento: 29/11/69 (35 anos) Principais clubes: Roosendaal (89/91), NAC (91/95), Celtic (95/97) Notthingham Forest (97/99), Vitesse (99/2000) Benfica (2000/01), Feyenoord (2001/03), Fenerbahce (2003/?) Temperamento rebelde, como se o mundo nunca pudesse pensar sem ouvir a sua opinião, muitas vezes a sua carreira ficou pesa nesse carácter indomável. Discute com treinadores, colegas e adversários, mas quando se decide ó a jogar futebol é, indiscutivelmente, um dos melhores pontas de lança da Europa. Exímio a marcar livres, inteligente a desmarcar-se, forte de cabeça e com remate colocado, é, sem ser muito rápido, um avançado, sobretudo pela força que coloca nos lances de bola dividida, quase impossível de travar. O Benfica não teve, talvez, melhor ponta de lança do que ele nos últimos 30 anos.

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLIT11. RUDD GULLIT

Posto: Avançado Data de nascimento:1/9/62 (42 anos) Jogou entre 1979 e 1998 Principais clubes: Haarlem (97/82), Feyenoord (82/85), PSV (85/87) Milan (87/93 e 94/95), Sampdoria (93/94 e 94/95), Chelsea 895/98). 66 vezes internacional pela Holanda O grande ícone do futebol do Suriname e do novo futebol holandês dos anos 80. Um líder natural, dentro e fora o campo, vencedor da Bola de Ouro de melhor jogador europeu do no em 1987, que logo a seguir a Nelson Mandela, então preso nas celas do apartheid na África do Sul. Tornou-se também um ídolo para a comunidade negra. Como jogador, era um arranha-ceús de força e técnica em velocidade. Quando arrancava de trás, bola dominada, ultrapassa adversários como um tufão futebolístico. Grande símbolo do fabuloso Milan de Sacchi e Capello nos anos 80, foi o segundo jogador surinamês da história jogar na selecção da Holanda..

 

NO BANCO DE SUPLENTES

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLITDE JONG

Posto: Lateral ou médio ala direito Data de nascimento:39/11/84 (20 anos) Principais clubes: Ajax (2002/?) 4 vezes internacional pela Holanda Face da nova geração, pode jogar como lateral ou médio ala direito, com defesa a «3» ou a «4», dando grande profundidade de jogo pelos flancos. É tacticamente um jogador perfeito, muito lutador e tecnicamente evoluído. Corre o campo todo, mas sem nunca perder o sentido posicional. Um jogador de grande futuro.

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLITJIMMY HASSELBAINK

Posto: Ponta de Lança Data de nascimento: 2773/72 (32 anos) Principais clubes: Telstar (90/91), AZ (91/93), Campomaiorense (93/96), Boavista (96/97), Leeds (97/99), Atletico Madrid (99/2000), Chelsea (2000/04), Middlesbrough (2004/?) 23 vezes internacional pela Holanda Um goleador para os jogos mais difíceis, com um remate potente de primeira. Despontou noa profundezas do futebol português até chegar á selecção holandesa. Em Inglaterra, encontrou o habitat perfeito para o seu estilo impetuoso e rematado, que pede sempre um ritmo de jogo alto para melhor soltar as suas potencialidades.

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLITBRYAN ROY

Posto: Extremo-esquerdo Data de nascimento: 12/2/70 (35 anos) Jogou entre 1987 e 2001 Principais clubes: Ajax (87/93), Foggia (93/94), Nottinghm Forest (94/97), Hertha Berlim (97/2000) e NAC (2000/01) 32 vezes internacional pela Holanda Um virtuoso com a bola nos pé, estilo malabarista na ponta das chuteiras. Quando driblava, em velocidade, parava e quase parecia esperar os adversários em bicos de pés. Muito rápido, esquerdino, era um inventor do bom futebol pelos extremos. Um tipo de jogador que, no decurso do tempo, se nos escapou como areia fina por ente os dedos.

SURINAME BEM VINDOS ÁS TERRAS DE GULLITWOOTERS

Produto das escolas do Ajax (campeão europeu em 1995) e que jogou a época de 2003/04 em Portugal no Sp.Braga. Esta época alinha na Grécia, no Panatinaikos e surge aqui num jogo de exibição com a camisola da selecção do Suriname. Em termos oficiais, no entanto, já alinhou pela selecção holandesa.