Tiago, Figo, Giggs e outros

13 de Setembro de 2006

Tiago, Figo, Giggs e outros

Numa época em que os extremos caíram em vias de extinção, ele foi um símbolo da resistência desses velhos cavaleiros das faixas: Ryan Giggs. Depois de uma vida nos flancos, surge agora, perto dos 33 anos, muitas vezes no centro do terreno do Manchester United numa reciclagem táctica que visa aproveitar a sua visão de jogo e colmatar a natural menor velocidade. Integrado num 4x4x2 em linha, quase como segundo avançado atrás de Rooney e Saha, Giggs joga solto, procura a bola nos flancos ou mais atrás. Vê-se que joga com prazer, mas falta-lhe vocação para o lugar. Até que ponto é então possível esta evolução táctica de um jogador, sobretudo em final de carreira, da faixa para o centro? É uma questão actual sobretudo porque a importância dos médios-centro é cada vez mais evidente nas equipas de top, sobretudo quando elas se tornam muito longas e é decisivo ter, na transição ofensiva, um jogador (ou mais) que faça o elo de ligação na criação e construção atacante. Uma acção que pode ser vista de forma perfeita em Juninho Pernambucano e Tiago, os «administradores» das transições defesa-ataque-defesa do Lyon.

Em certos aspectos, Figo, perto dos 34, vive uma metamorfose parecia com a de Giggs. Depois de uma carreira feita a criar desequilíbrios sobre as faixas, surge agora no centro como trequartista do desarticulado Inter. Os princípios de jogo defensivos que moldam a equipa condicionam, à partida, a acção de qualquer jogador criativo a meio campo, mas, apesar desta adversidade de raiz, sente-se que Figo está fora do seu habitat natural. Embora sem o poder de explosão de outrora, a força do seu jogo ainda é feita pela inteligência como transposta a bola pelo flanco, ganha espaços e, apear de arriscar cada vez menos no um para um, descobre o timing certo para, detectada a linha de passe, executar um cruzamento insidioso para a área. No centro, sem espaço nem tempo, não pode fazer nada disso e o circuito preferencial de jogo da equipa passa cada vez menos por ele. Tudo isto são equações táctico-técnicas que marcam grandes equipas e provam como é a táctica que dá a moldura certa para a técnica se evidenciar. Sem ela e com a velocidade encarcerada em espaços curtos, até os grandes craques sentem falta de ar (entenda-se espaço de manobra) em campo.