Futebol ou vida: Pode mesmo alguém ser quem não é?

30 de Agosto de 2014

O futebol é uma invenção do ser humano em que eles se tornam quase avatares deles próprios. Ou seja, transformam-se em jogadores de futebol dentro do qual convive uma personalidade ora extrovertida, ora tímida, ora de um rebelde, ora de um cavalheiro. E por ai fora. Em suma, quando se contrata um jogador não se contrata só a sua relação com a bola. Contrata-se o “pacote inteiro”. Jogo, personalidade. Para o bem e para o mal. Esta semana, Quaresma e Nani, lançaram o debate do jogador e suas atitudes no grupo.

Contratar Quaresma não significa só contratar as suas trivelas e jogadas mágicas. Significa também contratar o seu peito inchado, insolente, encolher os ombros e nariz no ar para o mundo que o rodeia. Eu sei que para um grupo este segundo traço, o da personalidade, é um risco. Como sei que o primeiro é um bênção para o futebol, a equipa, adeptos e até colegas que o abraçam nesses momentos de pura magia.

Colocar tudo isto em harmonia não é fácil. Mas se fosse fácil não era Quaresma. Era outro jogador.

Não entro pelo mito da loucura como origem da genialidade. Embora ache piada à teoria. Entro pela teoria de que se há frase no futebol que não entendo é quando ouço, sobretudo vindo de treinadores, que aqui no grupo “trato todos por igual”. Mas como isso é possível, se são todos como referi tão diferentes?

Há uns com quem se tem de falar mais, outros que basta um olhar, outros que confias e sabes que gerem emoções sem problema, outros que partem a porta do balneário, outros que respondem mal e amuam, outros que estão sempre a incentivar e rir. Há alguns que se calhar quase nem falas durante a época e, no entanto, são fundamentais para ti. E há alguns que, se calhar, tens de convidar para almoçar e falar sozinhos com eles.

Não acho que Quaresma mereça um jantar à luz das velas. Mas não acho que também merecesse a braçadeira de capitão e depois entrasse a um minuto do fim e fosse possível esperar que a reação dele fosse diferente daquela que é a sua... personalidade. Seri fácil ele ter outra atitude? Seria. E era uma grande resposta. Mas existe um problema prévio: ele é o Ricardo Quaresma não é o Javier Zanetti (mentalmente falando).

A ideia que me dá (agora depois de o ver a aquecer tanto tempo contra o Lille) é que Lopetegui está a tocar nas teclas todas do corpo maquina-personalidade de Quaresma. Numa tecla, sai um rebelde. E um caso. Noutra, sai uma trivela. E um craque. É nesta tecla que deve tocar. Entrou de inicio contra o Moreirense. Sem braçadeira. Jogou. Não deslumbrou. Cumpriu com o "seu furebol e o da equip, esteve no golo que desbloqueou o marcador e saiu perto do munuto 70 sem um esboço. problema.

Futebol ou vida Pode mesmo alguém ser quem não éTocar na maquina-jogador antes da personalidade é uma causa perdida porque aquela nunca a irás nunca dentro dele. Nem uma equipa de futebol é, no comportamento humano, um seminário em potência. Não quero com isto defender rebeldes, ou atos que criam rupturas no grupo e o desrespeitam. Quero dizer que para responder bem a um problema, só colocando a questão certa anteriormente. De outra forma, o craque torna-se uma “bomba-relógio”. Tão desnecessário como evitável. Outa coisa são, claro, as opções tácticas e a forma como o jogo do FC Porto pelas ideias de Lopetegui está a evoluir/crescer neste momento (ver coluna ao lado)

A tentação é acabar o texto como comecei. Humanizar o jogador. As braçadeiras de capitão não fazem milagres nem transforma pessoas. As trivelas transformam jogos. Amem-no ou odeiem-no. Não queiram é que alguém seja o que não é.