Gerir o Imprevisto

16 de Janeiro de 2017

Quando chegou, em menos de meia-hora, à vantagem de três golos (0-3) na Luz, o Boavista sabia que não tinha produzido uma “afirmação de personalidade no jogo tão forte que fosse causa de tamanha diferença. Faltava muito tempo para jogar. Passar a “guardar a bola”, posse pela posse, para gerir aquele momento (que surpreendia tanto o onze encarnado como o axadrezado) não era um plano fácil naquela altura. Teve, claro, essa tentação, mas o instinto leva, naturalmente, a recuar para proteger o tesouro subitamente descoberto no resultado.

Por isso, sentiu-se (sobretudo a partir da segunda parte contra o Benfica de defesa a “3”) que estaria mais perto de fazer num contra-ataque o quarto golo do que segurar a vantagem de três que tinha chegado a conseguir. Ou seja, o “jogo real” ultrapassou (e muito) o que Miguel Leal teria planeado para ele. Era impossível prever e treinar a equipa para uma situação daquelas.

A capacidade de segurar a bola é algo iminentemente táctico. Sem o suporte mental prévio (e dotes técnicos para o fazer) é impossível de o executar com o poder de quase a fazer “desaparecer” (à bola) do jogo.