Grandes viagens de futebol

19 de Novembro de 2011

Grandes viagens de futebol

Nas grandes viagens pelo Planeta do Futebol, o mágico ponto de observação desta semana centrou-se no futebol africano. O Esperance Tunisvenceu a Liga dos Campeões Africanos e vai estar no Mundialito de Clubes. É o regresso do poder à região norte (na Champions como na Confederation Cup, duas equipas tunisinas e duas marroquinas:

Esperance-WAC e Club African-MAS), a chamada África branca, um estilo, ao contrário da África negra, com maiores pontos de contacto (no modelo colectivo e características individuas) com o traço europeu.

Nas duas últimas épocas, o poder estivera no estratosférico TP Mazembe do Congo (finalista do Mundial 2010). Era um futebol mais empolgante, malabaristicamente voador. Abria buracos a defender, mas a atacar era um circo de futebol. Na meia-final, então, esmagara este mesmo Esperance por 5-0! Esta época, foi excluído a meio do torneio por alinhar irregularmente um jogador. Não sei como seria se seguisse em frente, porque, apesar dos bons resultados, não noto um claro progresso táctico-competitivo no futebol norte-africano.

As defesas são essencialmente duras em termos de posicionamento, marcam muito com trincos mais clássicos do que pivots modernos no centro da primeira linha do meio-campo e depois procuram atacar pelos flancos, deixando um nº9 forte e móvel sozinho na frente (o camaronês N`Djeng, 21 anos de grande futuro, no Esperance, e o congolês Fabrice, no WAC).

Para mostrar mais-valia táctica, o médio mais criativo, mas menos cumpridor tacticamente sem bola acaba no… banco nos tais jogos mais tácticos. Foi o que sucedeu à grande estrela tunisina, o Picasso Darragi, nesta Final jogada a duas mãos. Na primeira, fora, com estratégia de 0-0, ficou no banco. Na segunda, soltando a criação a meio-campo, com maior velocidade de transição e ataque, surgiu atrás do ponta-de-lança. Para além dele, também surgiu o lateral-direito ganês Afful que no primeiro jogo fora sacrificado por um típico defesa-direito. E a equipa, num ápice, passou a voar pela faixa direita, com Afful a combinar na relação entre ora dar profundidade, ora indo o extremo Bouazzi para dentro em diagonais, acabando pelo golão da vitória surgir de uma jogada ofensiva de…Afful, um corredor-de-fundo que há anos treinara pelo Feyenoord, mas sem convencer. Na esquerda, brilha Mskani, de 21 anos, novo talento tunisino.

Na estrutura, o Esperance surgiu em 4x2x3x1, o WAC em 4x3x3. Ambos, porém, buscam uma posse construtiva apoiada, lenta na saída desde a sua área e depois procuram acelerar, sobre as faixas, nos últimos 25/30 metros. É este o estilo norte-africano, quase de contra-ataque.

O Esperance tem alas/extremos mais fortes. Este ano, a selecção da Tunísia já vencera a CHAN (versão da CAN só para jogadores ainda a alinhar em África). É, de todos os países de futebol africano, o que mais tem evoluído, táctica e tecnicamente, nos últimos anos (clubes e selecção).

Novos príncipes do Qatar

Depois do domínio nas últimas cinco épocas das equipas coreanas e japonesas, a Liga dos Campeões Asiáticos retomou o trilho árabe. O Al Saad do Qatar é o novo campeão asiático. Vendo a Final, frente ao Jeonbuk coreano, é difícil, porém, detectar no seu jogo um traço dominante tipicamente asiático. Tem rotinas europeias de contra-ataque, alguns pormenores africanos e mudanças de velocidade mais próprias, até, do estilo asiático-coreano. É, talvez, a melhor forma de mostrar como o futebol Qatari é um futebol estrangeiro na sua expressão, sem uma escola nítida, apesar de no onze inicial apenas morarem três estrangeiros. O resto (8) são todos jogadores qataris.

Como principal símbolo dessa expressão nacional no onze de Fossati, treinador trota-mundos uruguaio que sabe montar equipas para contra-atacar, destaca-se Khalfan (ver o observando as estrelas). Num sistema de 3x5x2 (ou 3x3x3x1) joga nas costas de Niang, que não baixou o seu ritmo competitivo com esta transferência, continua muito móvel em busca de desmarcações, enquanto Kader Keita fura desde a faixa, mais como um extremo, mas que também surge no centro. O outro estrangeiro do onze é o lateral-esquerdo ofensivo argelino Belhadj. Sempre com três centrais e um pivot (Talal Al-Bloushi) a distribuir, é uma equipa para ser seguida com atenção no Mundialito de clubes. São os novos príncipes da bola do Qatar.