Rainieri, Pellegrini e o “novo Wenger”, de Mahrez a Ramsey

30 de Dezembro de 2015

No topo, o sonho e a “obrigação” de respeitar o estatuto.

1. Três jogos para o Leicester segurar o primeiro lugar. É das equipas que mais joga em 4x4x2 (quando coloca o possante Ulloa a pentear/ganhar a primeira bola para o goleador nº9 Vardy) e solta nas faixas as diagonais velozes de Okazaki ou Albrighton e, talvez, a estrela destas 17 jornadas de Premier League: Mahrez. A qualidade técnica de remate, como dos movimentos de finta-simulação que orientam antes esse momento, levam, aos 24 anos, este argelino feito no futebol francês para um nível antes impensável. É o profeta deste sensacional onze de Rainieri, um treinador que, apesar de tão criticado na carreira, já viu “nascer e morrer” muita gente no futebol e continua fiel aos seus princípios.

2. Arsenal e Manchester City são os principais gigantes candidatos. Não existem hoje diferenças muito grandes entre os pensamentos de Wenger e Pellegrini mas ambos perderam muito do romantismo de outrora. As fases de pressão são, em ambas as equipas, muito breves e nenhuma é muito agressiva sem bola. Preferem organizar-se e baixar a intensidade.
Este novo traço táctico de Wenger (que no Arsenal criou uma cultura de posse com jogo interior muito forte e sem cruzamentos) nota-se até como mexe na equipa quando está a ganhar. Já não se agarra á posse para controlar o jogo e prefere reforçar as coberturas, mesmo baixando o bloco.
A substituição mais clássica a esse nível tem sido meter uma espécie de “duplo lateral”, saindo um extremo, para cobrir melhor as faixas (como fez contra o Manchester City, ao tirar Walcott e meter Gibbs à frente de Monreal para fechar o flanco esquerdo).
O regresso de Ramsey para o duplo-pivot á frente da defesa foi o maior upgrade de “leitura agressiva” de jogo nesse espaço. Ganhou melhor saída de bola em controlo e capacidade de pressão (embora esta individualizada) em zonas adiantadas da meia-esquerda.