Hart e a baliza são a mesma coisa?

13 de Outubro de 2016

Quando se pensa em defesas míticas, vem logo à memória a de Banks ao cabeceamento de Pelé no Mundial-70. Não questiono mitos, mas esta semana ao comentar o Eslovénia-Inglaterra acho que vi outra, de igual dimensão, na forma como Joe Hart voou acrobático para defender mesmo junto ao ângulo aquela “bola impossível” cabeceada por Kurtic. Nos limites do risco físico, foi contra o poste, caiu em cima dos suportes da baliza.

Durante a defesa não se tratou de perguntar se era um pássaro ou se era um avião, numa espécie de super-homem futebolístico das redes. Não, foi mais do que isso. Naquele instante, Joe Hart pura e simplesmente confundiu-se com a baliza. Juntos, foram apenas um. Como que abraçados para se protegerem mutuamente e dizerem que, em campo, nenhum passa um sem o outro. Uma união perfeita, num lance para a história, Hart e a baliza passaram a ser a mesma coisa. E, acredito, vão viver felizes para sempre. Mítico.