Entre Herrera e André André

06 de Janeiro de 2016

Tanto se fala deste novo meio-campo azul-e-branco que quase se esquece do seu herói de semanas atrás: André André. Anda lesionado, eu sei, mas apesar dos bons jogos do trio Ruben Neves-Danilo-Herrera continuo a não ter dúvidas que o melhor meio-campo do FC Porto (sobretudo quando a exigência e intensidade tática sobe) é aquele que tiver André André.
No clássico em Alvalade, este dilema nem se deve colocar tacticamente muito a Lopetegui. Esse será, em tese, um jogo ideal para a sua estratégia que esconde um quarto médio numa ala entre os avançados, deixando-o depois “associar-se” por dentro e ganhar “superioridade numérica controladora” no sector.
Herrera deu ao jogo do FC Porto um poder de ruptura e profundidade ao “jogo interior” portista que antes não existia. É um jogador de rupturas metido num colectivo de posse.
A diferença é que fazendo isso em zonas mais adiantadas, onde em vez de circular é mais necessário quem rompa desde trás, Herrera entrou na perfeição nessa dinâmica/necessidade. Liberta também Danilo para “queimar linhas” em posse, vestindo como que a “pele” de Imbula nas características que este trazia mas que (por inadaptação ou missão antagónica pedida) nunca mostrou.
André André tem uma rotação de jogo superior a todos e digo que é indispensável por uma razão muito simples: é o melhor recuperador de bolas (em pressão ou em triângulos de apoio) que a equipa tem. E fá-lo em zonas subidas. A atacar quando sem bola é anárquico nas suas movimentações, mas com isso consegue sempre descobrir um espaço para receber a bola. Ou melhor, resgatar a bola. Só esta ação garante uma equipa sempre em controlo do jogo e do adversário.