Ideias ou características?

04 de Janeiro de 2016

Tentando acompanhar a evolução do pensamento de Lopetegui, a ideia de jogo de “posse circular” ficou desde a época passada. Nesta, procurou incutir maior verticalidade para sair mais rápido desde trás, mas com isso abalou o conceito de como sair melhor a construir (a consequência de quando se quer jogar mais rápido por si só).
O passe longo aparece mais vezes mas ao ver as muitas vezes que o FC Porto o utiliza, questiono se tal é mesmo uma opção ou se é antes uma solução encontrada no momento pelo jogador (em geral um central) para saltar a dificuldade de construir apoiado desde trás.

O meio-campo muda muito em termos de conceitos de jogo. Tanto inicio a construção com circulação através de Ruben Neves, como o faz através do toque mais curto/apoiado de Danilo. Na frente, tanto se vê um médio a pressionar, saindo em posse de espaços curtos, como André André, como se vê um de rupturas que busca o espaço vazio desde trás, como Herrera. Ao mudar esses jogadores, Lopetegui quer apenas mudar a estrutura (em “1x2” só um pivot e dois interiores, ou, entre outras variantes, jogar em “2x1”com duplo-pivot e um 10) ou mudar mesmo a forma de jogar?
O dilema é que basta mudar os seus intérpretes (e consequentemente as características dos donos de cada posição) para a forma de jogar mudar.
Esta reflexão pode levar a uma conclusão mais preocupante: as características estarem primeiro do que as ideias, algo que se o jogar estivesse solidificado não seria possível de acontecer provocando inconsistência no modelo. Não está em causa a qualidade dos jogadores. Está a sua forma de utilização.