Jefferson, voando por cima do Botafogo (até à selecção!)

02 de Novembro de 2014

Jefferson, voando por cima do Botafogo (até à selecção!)

O Botafogo vive um dos mais difíceis períodos da sua lendária história, lutando pela permanência no Brasileirão na 17ª posição, a um ponto do “conforto”. Na baliza, Jefferson segue a máxima de Washington Andrade de que “a pressão não existe para o colocar em desespero, mas sim para o levar a crescer.”

O guarda-redes vive um dos meses mais conturbados da sua carreira, pois figura no epicentro do terramoto emocional e directivo do Fogão.

Jefferson, voando por cima do Botafogo (até à selecção!) Resistiu ao despedimento, ao contrário de Bolívar, Emerson Sheik, Edilson e Júlio César, dispensados por veicularem e conduzirem críticas à direcção do clube e, segundo o primeiro, “faltou coragem” para incluir Jefferson nesta lista, porque “representa muito para o Botafogo” e “vai dar muito lucro ao clube.”

Depois, o Brasil foi jogar à Ásia, onde Jefferson defendeu um penalti contra a Argentina e estava convocado para o jogo dos Cariocas contra o Santos para a Copa do Brasil… não se apresentou, tendo treinado no dia do jogo no Engenhão, antes do desaire e eliminação por 5-0 em São Paulo.

Começaram as acusações de um dos directores, Gottardo, que acusou o goleiro de “covardia, falha de carácter e disciplina”, e vice-versa. Jefferson teve a melhor resposta.

Regressou da selecção e em todos os jogos, desde então, tem sido ovacionado e a braçadeira de capitão mantém-se intocável no seu braço esquerdo. 4 Defesas no empate a uma bola com o Sport, 3 na derrota em Curitiba e 2 intervenções dignas da sua qualidade que permitiram a vitória, crucial, do Botafogo frente aos eternos rivais do Flamengo por 2-1. É a melhor resposta do intangível número 1 da Canarinha e dos Cariocas.

- Roberto Rivelino, criador do projecto O Mundo dos Guarda-Redes