João Pinto e o Nacional de Carlos Brito

17 de Novembro de 2006

João Pinto e o Nacional de Carlos Brito

JOÃO PINTO: Caso-táctico em fim de carreira

Como enquadrar o talento João Pinto tornou-se um dos problemas tácticos do Braga. Carvalhal sentiu-o durante o seu curto reinado. Rogério Gonçalves, o novo treinador, também já terá pensado nisso. Aos 35 anos, é obvio que já não tem a disponibilidade física de antes. Estando intactas as suas capacidades técnicas de passe e remate, com perfeita leitura de jogo, continua decisivo na zona de criação. A questão reside na transição defensiva. Ou melhor, não participando nela intensamente por razões de gestão física, qual a posição em que a compromete menos.

Como nunca foi um jogador de passe longo, exibindo-se mais no curto ou nos cruzamentos, terá de jogar próximo dos avançados. Ora, se jogar no centro ou num dos vértices ofensivos do triangulo, vai obrigar outro médio a esforço redobrado de transição sob pena de se cavar um fosso entre a primeira e a segunda linha do meio campo, colocando o peso da equipa a defender sobre o pivot-defensivo Madrid. Desta forma, a solução passaria, talvez, por o colocar descaído sobre uma faixa (a direita), jogando de fora para dentro. Quando sobre a faixa, soltava o poder de cruzamento. Quando no centro, soltava a precisão de passe e remate, abrindo o flanco à subida do lateral Luís Filipe.

COMO JOGA O NACIONAL: Segurança e profundidade de jogo

João Pinto e o Nacional de Carlos BritoCarlos Brito já demonstrou que tem na utilização das faixas a atacar um pilar da sua filosofia de jogo, geralmente desenhada em 4x3x3. No Nacional, apesar de ter iniciado em 4x4x2, via-se que essa filosofia estava presente. Era uma questão de treinar os seus princípios. É o que sucede agora, com o regresso ao 4x3x3. No meio-campo a base é um triângulo onde o trinco (Chainho) tem, a defender, o apoio de um dos médios interiores (Bruno) que, recuperada a posse, se solta no apoio à segunda linha (onde está Bruno Amaro). Assim, garantido esse jogo de compensações defensivas, os laterais (Patacas-Alonso) podem subir e combinar com os extremos (Zé Vitor-Pateiro) em trocas posicionais para criar desequilíbrios.