Dentro do relvado, há duas formas de entender o futebol. Esperar o adversário, seguindo-lhe os movimentos e procurando recuperar-lhe a bola, ou, pelo contrário, assumir a iniciativa, não ter medo de correr com a bola dominada e avançar com os olhos na baliza. No plano táctico, estes dois momentos, indispensáveis ao equilíbrio colectivo de qualquer equipa, têm hoje um nome que mora no onze da Juventus: Zambrotta, um jogador de elevada cultura táctica que se consagrara como médio ala-direito de pendor ofensivo, e que, esta época, a quinta na Juventus, foi adaptado a lateral-esquerdo por Marcelo Lippi.
De início, a metamorfose causou estranheza, mas, com o decorrer dos jogos, tornou-se numa das maiores revelações do actual Calcio. Um talento originariamente ofensivo transformou-se num sublime cursor de faixa, como lhe chamam os italianos. Para isso, teve também a vantagem de ser ambidestro e por isso não sofrer com a mudança de flanco, para além do esquema táctico da Juve abrigar sempre médios combativos, estilo Davids e Tacchinardi, exímios em dobrar nas faixas, cobrindo as suas investidas. Em qualquer posto, lateral ou médio, em 4x4x2 ou 4x3x1x2, Zambrotta, de 26 anos, parece sempre no seu lugar natural.
Defende com segurança e ataca com classe. Noutros momentos, é o aliado ideal para pôr ordem e perfume técnico ao sector. Neste seu novo posto, acumula grandes exibições, golos e assistências mortais, tornando-se também um titular indiscutível da selecção de Trapattoni. O seu futebol é o exemplo perfeito de como tornar cada zona do terreno num espaço de qualidade, incutindo sempre ordem à criatividade.

