Jogar para “tirar a corda do pescoço”

25 de Abril de 2016

Uma Final com a “corda no pescoço”. U. Madeira e Académica, Norton de Matos e Gouveia, como correr riscos quando se tem obrigatoriamente de ganhar mas é proibido perder?
O União inverteu o meio-campo recuando os interiores (Shehu-Gian) e em vez de “um pivot-defensivo 6” (Soares) atrás deles, meteu um “pivot-ofensivo 10” (Breitner) á sua frente. A Académica mantem o traço táctico. Continua com Rafael Lopes desde a esquerda como um nº9 reciclado como avançado em largura. Pedro Nuno é um médio-ofensivo que quero ver num onze mais estável emocionalmente porque tem qualidade mas nesta Académica joga sempre com o “coração nas mãos”.
O jogo ofensivo do União vive da profundidade e entrega-se nos pés dos extremos: Danilo Dias (o mais inteligente nas movimentações) e Amilton (o mais perigoso no um-para-um).
Fica uma ideia: a vantagem será de quem souber aproveitar melhor os momentos de posse. Para equipas ditas “pequenas” costuma ser o contrário. Neste jogo, o momento “sem bola” tem de ser mais para a recuperar do que para recuar/aguentar. Nenhuma equipa consegue dizer à outra que é superior.
O livre de Breitner que escorregou de Trigueira determinou o “desequilíbrio através do erro” e deixou a Académica na berma do precipício. Foi então que se viu o tal “modo de vida” ofensivo unionista com Amilton em cada arranque, finta em progressão, desmarcação ou passe, a furar a defesa estudante.
Por entre talvez o “golo falhado mais bonito da época” (a bicicleta ao lado de Gonçalo Paciência) e o “fechar da porta” do União (tirando o 10 e metendo o trinco Kusunga) ficam as reações dos treinadores que, numa imagem , traduzem os polos opostos emocionais do jogo: o gesto irreflectido de Gouveia a acertar em Amilton e as lágrimas no abraço forte de Norton a todo o banco após o 3-1. Toda uma época e suas de emoções (expostas e escondidas) estavam concentrados nesses dois momentos.