Johnny Placide: Do Haiti para Reims

25 de Setembro de 2014

Johnny Placide Do Haiti para Reims

A elasticidade e a voz de comando que Johnny Placide revelou no Torneio de Toulon, em 2009, pela selecção Francesa antevia uma paragem maior do que aquela onde está agora congelado. Em Reims, onde, com 26 anos, tanto faz uma defesa brilhante como se suicida com uma paralisia "cerebral" e técnica.

Formado numa das escolas que mais fornece guarda-redes Franceses para o meio da tabela da Ligue 1, a mesma que revelou Steve Mandanda (Olympique de Marseille), o Le Havre, Placide é um guarda-redes de momentos extremos. A prova máxima: o recente jogo frente ao Olympique de Marseille.

Terminado em 5-0 favoráveis ao OM, o Stade de Reims não teve qualquer caudal ofensivo perante o ataque massivo dos oponentes e em 45 minutos, Placide sofreu 2 golos, mas foi responsável pela detenção de outros 5, num dia inolvidável.

Johnny Placide Do Haiti para ReimsAos 7 minutos defendeu um penalti a Gignac… mas, minuto depois já estava a ir buscar a bola ao fundo das suas redes, com o mesmo ofensor a marcar de cabeça o primeiro golo da goleada e, ao guarda-redes do Reims, podem-se-lhe apontar algumas culpas, numa abordagem, nada ortodoxa, a ser analisada pelos mais especialistas.

De seguida, deu o mote para contra-ataque segmentando após recolha aérea num canto do seu lado esquerdo. No lance do 2-0 faz um bom desvio lateral, em um para um, e, na recarga de Gignac, parece-lhe faltar potência física para uma maior elevação. Ainda se destacou em mais dois momentos, um em voo elástico para segurar a bola no ar e outro, numa mudança de trajectória em que se diferenciou pela rotação que impediu o terceiro golo… até ser substituído.

Passaram-se dois dias desde que o jogo foi realizado e até agora a opção de Jean-Luc Vasseur só indica ter sido por decisão técnica quando substituiu Placide por Agassa. Neste momento, da substituição sem aparente razão, analisando por inteiro o guardião, podemos encontrar respostas para o facto de agora estar a lutar no Reims e na selecção Haitiana quando, com 20 anos, se lhe augurava um trajecto (bastante) diferente, no extremo do insucesso e do breve sucesso – do erro constante e da breve luz da grande defesa.

- Roberto Rivelino, criador do projecto O Mundo dos Guarda-Redes. Estudante de Ciências da Comunicação.