O lado moderno do velho clássico

28 de Agosto de 2016

Regressam os clássicos e as primeiras páginas dos jornais ainda estão cheias das novas contratações que chegam para Sporting e FC Porto.

A grande ameaça de saída é a de Silmani e, por isso, reproduzem-se os nomes de possíveis novos pontas-de-lança para o onze leonino. Todos eles são também grandes e fortes, os últimos Bast Dost e Castaignos. Nenhum, porém, com a tal “picada de abelha” que só os grandes “boxeurs nº9” dão como Slimani faz. São ambos mais diretos no que fazem. Menos astutos a andar por outros atalhos (em largura, por vezes) para chegar a baliza como faz a “girafa argelina”.

Seja como for, mais do que mexer no jogo do Sporting, Slimani mexe essencialmente com o... ataque do Sporting. É, portanto, um “assunto particular” de um sector. João Mário é diferente. Mais do que mexer com o meio-campo do Sporting, mexe com todo o... jogo leonino.

Substituir a capacidade pensamento e inteligência de ocupação de espaços de João Mário é que será o grande desafio táctico de Jesus. Sobretudo, claro, nos jogos grandes. Onde mais do que ter dois extremos e homens na área para sufocar o adversário fechado lá atrás, é preciso quem antes elabore e pense o jogo, reconhecendo espaços de penetração.

Construir uma equipa só se torna complexo quando ao mesmo tempo se tem de construir uma forma de jogar. E, nesse sentido, há posições (e dinâmicas que o treinador lhes pede) mais fáceis dum jogador interpretar (e por isso, há muitos para o substituir) e há outras (pela exigência dinâmico-posicional pedida nesse modelo) que só alguns, “os predestinados do pensar futebol em campo”, podem executar.

Cada Sporting-FC Porto tem um sabor de “nobreza” no nosso futebol. É diferente dos clássicos onde entra o Benfica, onde a clivagem do “derby” ou do confronto “norte-sul” é mais claro. Aqui, é uma rivalidade histórica que nasce com o António Silva e o Sr. Barata, o mítico “Leão da Estrela”. Os tempos mudam, eu sei, mas não ao ponto de quem ama verdadeiramente o futebol perder a memória. Devia haver a opção, nestes casos, de viver a preto-e-branco. Embora, claro, quando comecei a abrir s olhos, já via a cores, e, embora sem análises tácticas, um golo do Yazalde ou do Gomes.

jota

Tenho muita expectativa para ver a “arrogância do bom futebol” do Jota num grande do nosso futebol. Durante a última época, por estas página, perguntei tantas vezes intrigado como nenhum o ia contratar. Era muito dinheiro? Não, não era, para o seu valor. Acaba por chegar emprestado num negocio que o fez passar primeiro pelo At. Madrid. O importante, para quem quer é ver bom futebol é ele estar cá.

Com ele, Nuno pode fazer variar o sistema (e a dinâmicas de jogo que lhe são inerentes numa e noutra estrutura, de 4x3x3, 4x2x3x1 ou 4x4x2) sem recear que a “máquina de jogo” perca a melhor dinâmica e o tal “jogo posicional” manter-se equilibrado e rotativo (cada um saber bem onde deve estar para surgirem linhas de passes sucessivas a cada portador da bola).

Jota tanto pode ser o extremo (que Jorge Simão inventou no Paços) como jogar por dentro, como segundo-avançado (o lugar onde cresceu desde o “berço”). Oliver será uma peça para a “sala de máquinas” do meio-campo. Acredito que Nuno o possa puxar uns metros para a frente em relação à primeira passagem “lopeteguiana” pelo Porto.

A equipa tem um modelo de jogo assimilado e precisa de especialista para o executar. Tem de, nesta fase, evitar jogadores que queiram fazer mais coisas do que podem (ou sabem) e optar pelas soluções mais simples no sentido de apreensão desses princípios pelos jogadores.

O melhor FC Porto, com o de Roma, foi um caso desses. Independentemente das circunstâncias do jogo, tinha um plano definido sem jogadores que andassem a mudar muito de posição. Tinha, isso sim, vários jogadores que mudavam muito de... espaço. É diferente. No primeiro, mudas a estrutura. No segundo, faz avançar os princípios de jogo.

O importante para um jogador não é saber mudar de posição, é saber mudar de... espaços!