Sterling. Na relva, as asas são para voar.

03 de Setembro de 2015

O Manchester City contratou De Bruyne por 74 milhões mas o mais aconselhável é mesmo esquecer isto quando passarmos agora a analisar o seu jogo. É um bom jogador que irá agora carregar esta imagem-peso de números exagerados para o seu valor.
A contratação admira também porque tudo o que este bom inicio de época do City dizia precisar era de mais um ala flanqueador, com capacidade para jogar também por dentro, como é essencialmente o jogo de De Bruyne. A mesma imagem alucinante foi colada a Sterling que no Liverpool parecia, com o passar do tempo, diluir a sua imagem de craque para um simples extremo perigoso driblador. A mudança de clube transformou-lhe, porém, a sua concentração no jogo. O talento, continua driblador, mas ganhou consistência e um traço mais adulto de jogar antes de fintar. Com o lateral Kolarov forma uma asa esquerda que, cruzando as características dos dois, combina velocidade, força e técnica.
Na asa direita, Navas continua o peso pluma que finta em progressão defesas. Joga mais colado à linha, como extremo puro, do que Sterling, que também aparece como segundo-avançado no meio (por movimentos diagonais ou por posicionamento de origem, como faz também, por vezes, no losango, o “diamante” como lhe chamam os ingleses, com que joga na seleção). A entrar nas suas costas, o lateral Sagna.
Servindo como referencia-circular destas duas asas, Kolarov-Sterling e Sagna-Navas, dois pensadores de passe e visão: Silva ou Nasri.
Acima de qualquer sistema ou dinâmica, Silva. Talvez, o jogador mais subvalorizado do futebol europeu. Porque este sim vala aquelas quantias faraónicas. Não vejo no atual cenário europeu, quem elabore, pense e execute tão bem o jogo ou o momento de criar desequilíbrios (através do passe ou mudança de velocidade) do que Silva. Ele é, pura e simplesmente, o “futebol com duas pernas”