”Mãos ao Ar, Isto é Um Assalto!”

01 de Maio de 2017

Joga como se tivesse sempre uma pistola apontada ao jogo. Esta não é uma mera metáfora da forma como joga. É da forma como o encara. Jonas nunca olha para o jogo desviando-lhe o olhar e jogando para o lado. Olha sempre de frente para o jogo e, mesmo quando recua para receber de costas como segundo-avançado que conecta com os médios (juntando as linhas que assim evita que se partam) a sua principal preocupação é voltar a virar-se para a baliza adversária o mais rápido possível.

E assim fez o golo da vitória sobre o Estoril na altura em que todo o resto da equipa nem percebia o que se passava num arranque de segunda parte em que durante vinte minutos o onze de Pedro Emanuel pegou no jogo com posse em progressão, toque, desmarcação, remates e golo como há muito não se via uma equipa do nosso futebol fazer na Luz.

Claro que vendo esse explanar de jogo estorilista, olhou-se também logo para o déficit de presença nos espaços do meio-campo encarnado quando tem de controlar o jogo sem  bola. É um problema velho do seu sistema que só as assimetrias do nosso campeonato permitem que passe uma época inteira sem fazer tacticamente cair a equipa.

Quando Kléber fez o empate, já Felipe Augusto estava preparado para entrar para tentar meter oxigénio no espaço intermediário em que só o Estoril respirava. Não foi a tempo. O empate surgiu. O jogo parecia ganhar outro rumo de disputa mas, de repente, "bang, bang!" apareceu o elemento à margem dos dilemas e que, pela sua inteligência, de diálogo (tático com a equipa) e disparo (não hesitando quando vê a baliza) disfarça a sua existência por que vive individualmente num plano de entendimento jogo muito superior. Um remate indefensável de fora da área que naquela altura do jogo foi como gritar para o bom futebol do Estoril: “Mãos ao ar”! Isto é um assalto!”. E foi.

Pizzi também tem essa importância de ligação táctica da equipa mas sendo mais de trás para a frente e pertencendo a um sector (meio-campo) por natureza, tem de se preocupar mais em arrumar a “sua casa”. Não pode ser sempre... “dois jogadores” ao mesmo tempo, todo tempo em todos os jogos. Jonas pode.. num espaço de terreno mais limitado e amplitude de movimentos mais curta e selecionada.

É um “enganche sem correrias” ao contrário de Pizzi que corre tanto como joga (devia correr menos para o tanto que joga).

Chegamos a um ponto do campeonato em que uma valoração média das equipas ou dos jogadores (projetando margens de crescimento) já está proibida. Ou glória ou fracasso. Sempre com muito ruído de fundo, com frases destinadas ao exagero, há jogadores que resolvem com nome próprio. A individualização do triunfo. O jogador acima da equipa.