MÃOS NO AR. ISTO É UM ASSALTO!

27 de Julho de 2014

Naquele momento, quando aquela bola saltou da cabeça de Gerrard e foi para à frente de Luiz Suarez, não foi apenas o Estádio que se levantou na ânsia do golo. Foi todo um país, os “hinchas charruas” do Uruguai que se ergueram, em casa, nos sofás, nas ruas em frente ás montras que davam o jogo, até aos bairros nos bares mais humildes, de pé em cimas das cadeiras, com cervejas e cajus tombando, até ao momento do remate. Nessa altura, em vez de ser só a bota fantástica de Suarez a bater na bola, todo esse remate foi feito (com a alma) por três milhões de uruguaios! Golo!

É assim que se vive o futebol no Uruguai. Quem não sente, não entende!. A história já o provou. O Uruguai é feito para este tipo de jogo. “Batalhas de fútbol” .

A equipa vinha de uma derrota traumatizante. Entrou em campo com uma esperança e uma raça do tamanho do mundo. Desfez a dupla de trincos e meteu Lodeiro atrás de Cavani (dança para o passe do golo) e Suarez (dentes de coelho, predador goleador).

Lutar e jogar parecem estilos opostos. Não obrigatoriamente. Basta essas palavras estarem na ordem certa. Jogar e lutar. Assim é que é. “Táctica emocional”.

A Colômbia que seduziu no apuramento jogava mais em 4x4x2 com Falcão-Gutiérrez. A que surge no Mundial, sem Falcão, joga só com um ponta-de-lança. Preparou-se para isso na visão estratégica de Pekerman. A ideia é equilibrar melhor a equipa em toda as suas dinâmicas. Não passa, por isso, a atacar só com um avançado-centro. A chave para a transformação do seu 4x2x3x1 é James. O “1” que vive no meio do trio nas costas do ponta-de-lança e surge, solto e móvel, por todos os lados.

MÃOS NO AR ISTO É UM ASSALTOOu seja, o segundo ponta-de-lança da Colômbia é quase como um assaltante de bancos de cara tapada que a destapa quando entra na área e põe todos os defesas de mãos no ar. Esta sucessão de “assaltos de futebol atacante”, com Ibarbo a fazer um trabalho táctico enorme de fechar o flanco a defender, travando as saídas adversárias e depois dando peso em posse ao ataque, mais Cuadrado endiabrado no outro lado, faz desta Colômbia das equipas mais bem “trabalhadas” deste Mundial.

“PANTERA COR DE ROSA”

A cada jogo, as equipas têm sempre alguma alteração. Atitude, movimentos, reações ao jogo, etc. É assim, até ver-se jogar a Grécia. De jogo para jogo, não se detecta a mínima alteração. Fernando Santos já confessou a incapacidade de mudar os hábitos do estilo grego, mas nem falo de mudanças tácticas, falo de jogadores. Cada jogo parece uma fotocópia do anterior. A “robotização” do jogo e jogador grego tira-lhe espontaneidade na construção ofensiva.

A equipa está sempre bem organizada mas não tem médios criativos. Em 4x3x3, tem o meio-campo sempre zonalmente bem colocado nas coberturas. Falta-lhe, depois, saída para o ataque. Há uma corda invisível que os prende à “fotocopiadora de estilo de jogo”

Sem extremos (a única espécie semelhante é o serpenteado Fetfatzidis) improvisa nas faixas mas Salpingidis está preso de movimentos.

Samaras é um jogador que vê-se que sabe jogar. Toca na bola com classe mas parece a pantera-cor-de-rosa a jogar futebol tal a forma elegante e dengosa como trata todas as jogadas. Quando chega perto dos defesas, mesmo sendo tão alto, acho que já nenhum se assusta verdadeiramente.