Mas isto é mesmo tudo de verdade?

07 de Janeiro de 2016

Até onde pode um jogador verdadeiramente evoluir? Não pergunto na formação nos escalões jovens, mas depois na carreira sénior. Penso que a idade da maturidade fixa-se nos 25/26 anos, mas até lá o que se faz nesse “processo de maturação” adulto é decisivo. O intrigante é quando em vez de se notar uma evolução sustentada das capacidades desse jogador, se nota altos e baixos, até, de repente, atingir um ponto alto. Alto demais, até, para o visto anteriormente. A questão é então legitima: de onde saiu agora toda aquela qualidade? É mesmo processo duma evolução ou apenas um momento estratosférico de forma (e acerto)?

É esta a questão que, inevitavelmente, coloco neste momento ao ver Suk, ou melhor, a ver os golos espetaculares que tem marcado. Mas, isto é mesmo tudo de verdade?

A dúvida vem, claro, de nunca se ter notado essa evolução nos últimos anos. É conhecido o seu trajeto. Desde mais ala no Groningen, Marítimo, Arábia Saudita, Nacional onde pouco jogou e agora Setúbal onde desatou a marcar golos de outro mundo. Até ser contratado pelo FC Porto.

Neste momento vejo Suk como um nº9 interessante para ser avaliado em face desse momento ou evolução (e conseguir responder qual determina exatamente este seu nível exibicional alto). Não lhe detecto nível indiscutível de equipa grande.

Não acredito, por isso, que esta contratação resulte de um plano pensado no tempo como é hábito nas boas contratações que o FC Porto faz. É uma contratação tipo-Janko, ou, até, tipo-Osvaldo, não pensada com o tempo, apenas feita pela força das circunstâncias e da impressão. Pode dar certo? Pode, porque no futebol coisas estranhas dão muitas vezes certo. Embora raramente durante muito tempo. Em face do historial de “scout” do FC Porto esta contratação foge a toda a lógica do clube.

Alheio a isto tudo, Suk, um jogador “bem educado” que vai a todas as bolas e remata, irá tentar aproveitar esta oportunidade impensável há alguns meses. Bastarão alguns golos (meia-dúzia) decisivos no resto do campeonato para ser visto como uma contratação de sucesso.

O mercado de Janeiro continua a ser a prova de que clubes perante situações desesperadas, fazem coisas... desesperadas. E, algumas, nos insondáveis desígnios do futebol, até dão certo. Pelo (curto) tempo necessário.