A “matemática” a meio-campo

26 de Abril de 2016

Há jogadores que parecem ler o jogo cinco segundos antes de todos os outros em campo. João Mário é um deles. Não é muito “intenso” na recuperação mas tem a percepção certa dos espaços a ocupar e os que deve invadir quando tem a bola. Acelera em posse sem parecer rápido, surge a interior começando na ala, pega a bola no inicio de construção e acaba a fazer o “ultimo passe”. O jogo no Dragão foi um manual multidimensional de como jogar controlando...o jogo.
A superioridade numérica não é uma questão matemática que se conclui de só pelas estruturas das equipas de inicio (nesse caso o onze portista até parecia ter mais médios). A superioridade resulta da sua movimentação nos diferentes momentos do jogo e espaços onde é preciso controlar a bola ou por onde ela vai...passar. É essa “conta de matemática táctica” que João Mário faz na entrada para os últimos 30 metros. Sabe se deve ficar “aberto” ou ir para “dentro” onde encontra quase sempre Adrien (a pressionar sem bola, a ordenar com bola).
O Sporting vive com “certezas de jogo” desde o inicio da época. Mesmo quando perdeu pontos foi porque as colocou à frente das dúvidas (em jogos que obrigavam a outras ideias de movimentação). Quando não ignora os “sinais” que os jogos dão, tem uma solidez de princípios de jogo que lhe permite reagir como se viu no momento mais difícil quando o FC Porto partiu a ligação leonina do meio-campo e passou a jogar mais em função de transições rápidas.
Tirando esse momento, entre um jogador mais pausado (Sérgio Oliveira) e outro que joga sempre a correr (Herrera) existe um “abismo estilístico” que provoca muitas vezes uma excessiva distância entrelinhas no jogo apoiado portista que passa a busca demais a profundidade direta.
Sobre esses dois conceitos, impôs-se o “quadrado leonino” (Wlliam-Adrien mais Ruiz-João Mário) que, tirando aqueles curtos instantes, nunca teve dúvidas em campo.