Mecânica ou dinâmica?

29 de Janeiro de 2016

O crescimento do Benfica de Rui Vitória é notório neste arranque da segunda metade da época. Um crescimento que se baseia no ganhar de certezas do que pode fazer e desfazer dúvidas do que não pode.
A dança de Gaitan no golo ao Moreirense pode mostrar um jogador que por si só faz a organização ir mais além mas nunca será essa a base do “jogar bem” coletivo.
Por isso, pensando nas faixas (mesmo pós- regresso de Gaitan) o jogador indispensável taticamente é Pizzi. Assim, Gonçalo Guedes pode até ganhar um pouco mais de “sossego de treino” para crescer após uma fase em que já o tinham “posto na lua”. De Carcela, continuo a pensar que, neste Benfica (valor coletivo e modelo) será mais útil a entrar durante o jogo (e provocar-lhe um impacto nesse momento) do que de inicio.

Muitas vezes vemos uma equipa a jogar bem e logo ouvimos a análise dizendo, para a elogiar, que tem uma “boa dinâmica de jogo”. Na maioria das vezes, essa análise confundiu essa dinâmica com a simples eficaz execução de um... automatismo mecanizado. Confuso? Nem tanto. Ou seja, na jogada seguinte (ou até no jogo seguinte) ela vai repetir esses comportamentos padrão um e outra vez sem verificar que as circunstâncias mudaram. E que essa outra equipa já os viu.
Numa frase: a realidade é que é dinâmica. Só assim consigo utilizar esta palavra que tanto estranho ver utilizar de forma descontextualizada, quase como valor absoluto. Nunca pode ser. Sob pena de se tornar mecânica. Tudo o que o (bom) futebol não é.