Messi e Marta

30 de Dezembro de 2009

Messi e Marta

Os cartoons ao poder!

Não me lembro de o ver festejar um golo tirando a camisola. Sábias e astutas, as “pulgas” sabem bem que não é por causa da sua musculatura que conquistam atenções, nem fazem primeiras páginas ou seduzem olhares femininos. As suas armas são outras. No futebol e na vida. Messi é o exemplo perfeito. O seu futebol saiu directamente da rua ou dos baldios de terra para os maiores Estádios de futebol. Quando em miúdo tinha problemas ósseos que atrofiavam o seu crescimento, os seus pais duvidaram que pudesse sequer andar bem, quanto mais jogar futebol. Tudo mudou quando viu uma bola. Porque o futebol foge à lógica mais elementar de todos os desportos onde ganha o mais alto, o mais forte ou o mais rápido. No futebol, ganha o mais inteligente, o mais “malandro”. Porque não é um desporto. É um jogo. E, nesse campo de sonhos, uma pulga pode vencer Adónis. Por isso, em Espanha a partir dos 13 anos, nas escolinhas do Barça, ele foi moldando o seu destino: tornar-se um desenho animado em forma de jogador de futebol. É essa a essência de Messi. Um “gigante” de 1,69m!

Em cada arranque, cada finta ou cada remate, consegue-se ver quase uma parábola desta sua história de vida. Os seus olhares detectados num grande plano dão a ideia de que está fechado num mundo à parte. Sorri timidamente, o cabelo de “pibe” rebelde, as camisolas parecem ficar-lhe todas as grandes.

Mas, de repente, parece atar uma corda da bola à sua bota canhota.
A Bola de Ouro ou o prémio da FIFA, são mais do que prémios dados a um futebolista. São, no fundo, prémios dados ao futebol, à sua verdadeira essência mágica que Messi, o craque “atleticamente impossível”, personifica em cada jogada que entra, desafiando todas as leis físicas. Nada melhor do que ver um desenho animado chegar ao poder para ter esperança num futuro melhor. Só no futebol isto é possível. Messi, é o triunfo dos cartoons!

Futebol de salto alto

Pela quarta vez consecutiva, a brasileira Marta foi eleita a melhor jogadora do mundo em futebol feminino. Devo confessar que, pedindo perdão às leitoras femininas, nunca descobri grande encanto em ver futebol praticado por mulheres. Não existe nenhuma razão especial, será talvez uma questão de sensibilidade estética corporal que me cria alguma confusão. Mas o problema é meu, de certeza. A única excepção terá sido num evento promovido pelo Arsenal, há alguns anos, em que Gisele Bunchen, ao lado de Tierry Henry, surgiu em saltos a dar alguns remates numa bola. Foi a prova de que a perfeição era possível no futebol.

Mas as coisas podem mudar. Ainda bem. Até ao dia em que descobri uma garota, com estilo moleque (mas sempre com corpo de mulher) a dar toques na bola, driblando e correndo com ela, revelando a mesma intimidade dos grandes craques masculinos. Ria-se e, ainda por cima, era esquerdina. O facto de trazer junto a camisola do Brasil, ajuda a essa visão. A beleza futebolística era o fenómeno Marta. Podem lhe chamar “Pelé de saias”, mas ela tem uma identidade própria, parecendo que dança com a bola. Não percebo como Ronaldo ainda não lhe mandou um SMS.

Sempre que a vejo agora recordo então uma história, há alguns anos, quando um lunático Presidente do Perugia quis contratar para a sua equipa uma mulher, então estrela da selecção alemã. Chamava-se Prinz, mas os regulamentos da federação italiana proibiram-no. Na altura, não liguei muito e achei lógico. Agora, já não penso assim. Porque, se como cantava James Brown: “isto é um mundo de homens, mas não seria nada sem uma mulher ou uma rapariga”, pois então o futebol também não. Para a Marta, devia abrir-se uma excepção. E dar-lhe os melhores relvados. Ela é o auge do sexy football, de chuteiras ou saltos altos.