Substituições? Não. Alterações!

11 de Novembro de 2016

Durante 75 minutos foi a melhor exibição de uma equipa neste duelo entre grandes. Intensidade, pressão, recuperação rápida e alta, mobilidade e objectividade ofensiva. Faltavam só mais 15 para completar os 90 (e alguns de desconto).

Quase todas as análises batem nas substituições do FC Porto como razão para o crescimento do Benfica. Que, com aquelas opções (trocar elementos ofensivos por outros de recorte mais defensivo) Nuno fez a equipa recuar e sofreu com isso. Não tenho uma visão tão taticamente linear.

Por isso, coloquei o minuto 75 e não outro, o 66, que foi quando entrou Ruben Neves por Corona (um avançado por um médio). A intenção natural era meter alguém para segurar mais a bola e resgatar o controlo do meio-campo. Era a resposta ao que Rui Vitória fizera ao meter André Horta, um terceiro médio que reequilibrara o confronto a meio-campo e dera elos de ligação entre Samaris-Pizzi (até então muito atrás) e as linhas mais adiantadas, onde apareceu Horta (que entrou muito bem a pedir a bola nos espaços).

Ora, quando Rui Vitória tirou um extremo, Cervi (que até estava a ser o melhor) e meteu um médio, André Horta, alguém disse que estava a fazer recuar a equipa?

Não, não disse. E bem. Porque o que a equipa precisava para atacar mais não era de mais... avançados. Era de mais um... médio para crescer na zona de construção, juntando mais os elementos desse sector. Precisava de se equilibrar para atacar melhor. Quando Nuno meteu Ruben Neves por Corona precisava de se reequilibrar para controlar melhor.

O jogo passa por diferentes momentos e naquela altura, depois de tanto domínio portista, era natural a reação (táctica/emocional) do Benfica. Por isso, friso o minuto 75. A troca de Oliver por Layun. Essa sim, já comprometeu o equilíbrio controlador necessário naquele momento (sem perder de vista o ataque rápido face aos maiores espaços que apareciam). Sem Oliver perdia-se quem posicionalmente melhor segurava e metia a bola em zonas adiantadas (Ruben Neves fazia-o mais atrás).

Portanto, a questão não é de tirar avançados por médios (o Benfica fez e passou a atacou melhor). A questão é que tipo de médios se troca quando tens de segurar um jogo a meio-campo após o dominar totalmente e a equipa sente, naturalmente, desgaste. Nessa altura, o jogador mais inteligente é indispensável.

Portanto, para mim, só há duas substituições, ou melhor, alterações (tirando a de Lisandro por lesão de Luisão) verdadeiramente relevantes para o curso do jogo: a entrada de André Horta e a saída de Oliver.

No meio de tudo isto, o “desligar da ficha” de Herrera nos descontos é um ser menor no jogo. Foi grande, sim, no resultado.

horta

O espaço que André Horta teve para receber (e fazer o centro, Herrera vai sair no encurtamento e ainda está neste momento dentro da área) para fazer o cruzamento que daria o golo do empate