MLS: Sounders rumo ao título?

02 de Setembro de 2014

MLS Sounders rumo ao título

Por esta altura e passadas algumas jornadas, já há uma perspectiva mais clara de quem pode vencer as conferências (ver classificações: http://www.mlssoccer.com/standings ), portanto está na hora de falar dos principais candidatos começando pelo, talvez, candidato mais forte, os Seattle Sounders. É assim que os vejo.

É a equipa que mais gosto de ver jogar e para compreenderem o meu prisma, esta é uma análise mais profunda de um dos maiores candidatos ao título da regular season na conferência oeste:
No início da época houve bastantes problemas no que diz respeito à fidelidade tática da equipa, tomada pela indecisão do 4-3-3, passando pelo 4-2-3-1, até que estabilizou num 4-4-2 com uma excelente versatilidade. Pode dizer-se que a equipa vive de Dempsey e Martins (o que não deixa de ser verdade), mas a verdade é que há muito mais que se lhe diga...

Big Chad, o pilar

MLS Sounders rumo ao títuloPara simplificar, vamos desmontar sector a sector: Stefan Frei, o guarda-redes titularíssimo, já provou ser vital para os dois lados, sendo que já ganhou, mas também perdeu jogos de maneiras embaraçosas.
Os laterais são algo inconsistentes também, Yedlin à direita, jovem e irreverente, mas algo inexperiente apesar de ter uma enorme margem de progressão. À esquerda fica normalmente Leonardo Gonzalez, que não tem grande influência nas transições offensivas da equipa (ao contrário de Yedlin).

O centro da defesa já teve várias duplas, Chad Marshal e Djimi Traoré começaram o campeonato, no entanto com o passar do tempo Zach Scott, de 20 anos agarrou a titularidade (ajudado pela lesão do francês).
Provado: sem Chad Marshal a equipa tem tremendas dificuldades, ele é o pilar da defesa de Sigi Schmid (o treinador).

No meio-campo

MLS Sounders rumo ao títuloDaqui para a frente os Sounders tornam-se um caso sério. No centro do meio-campo estão Osvaldo Alonso e Gonzalo Pineda, sem dúvida entre as melhores duplas da MLS nesta zona do relvado. Enquanto Alonso é mais posicional, Pineda (na foto), com 31 anos, inicia os ataques e aparece sempre em zonas de finalização, sendo também referência na marcação de bolas paradas.

Encostados às linhas estão a segunda maior causa de sucesso ofensivo dos Sounders: Lamar Neagle à direita e Marco Pappa à esquerda. Neagle dá imensa profundidade ao flanco, e mesmo sendo precipitado em determinados momentos, o americano de 27 anos parece estar sempre no sítio certo à hora certa quando a equipa está em dificuldades. Por outro lado, Pappa não é tão explosivo, mas mais forte no dribble curto e com tendência para fazer diagonais.

Frente de alta rotação

MLS Sounders rumo ao títuloChegámos à parte letal dos rapazes de Seattle, os All Stars Clint Dempsey (11 golos e 5 assistências) e Obafemi Martins (lembram-se dele??? 10 golos e 9 assistências). Com eles o CenturyLink Field vai ao rubro. O nigeriano ganhou um estatuto que, segundo os media americanos, causa alguma comichão a Dempsey (que, habitualmente parte por trás), no entanto os dois combinam para a maior parte dos golos da equipa. Escrevo isto com o sentido literal, porque já se perdeu a conta aos golos com o desenho Martins-Dempsey e vice-versa.

A pausa do Brasil 2014 abrandou Clint Dempsey, que começa a voltar a ser decisivo, mas o caso mais interessante aqui é o de Martins. Já com 29 anos, as principais memórias que temos deste irrequieto avançado que passou com pouco sucesso pelo futebol italiano (e várias outras ligas, como a espanhola e a inglesa), são a da sua velocidade estonteante e do seu mortal à retaguarda depois do golo... mas ele mudou, e de que maneira.

A sua velocidade ainda é uma grande arma, sem dúvida, já o que o destingue atualmente é a sua visão de jogo e capacidade de o desbloquear. As nove assistências provam-no, é como se lhe tivessem feito uma operação aos olhos e ele visse o jogo muito mais nitidamente, eis o novo e melhorado Obafemi Martins.

É uma equipa que não necessita de muita posse de bola para criar perigo, nem é esse o seu estilo (a sua média não passa dos 53%), pelo contrário, procura as transições rápidas e faz uma pressão muito alta. São também fortíssimos em casa, começando bastantes jogos a perder e acabando por virá-los nos últimos 15 minutos, outra das grandes armas dos rapazes de Sigi Schmid, a persistência e o hábito dos late winners (vencedores na ponta final). Por isto, são os meus preferidos à conquista da regular season, e de momento só vejo os Galaxy a fazerem frente (noutro capítulo).

Carlos Jorge Santos
Analista de Futebol (MLS)