MUNDIAL 98 :ATMOSFERAS (Primeira fase)

01 de Junho de 1998

O futuro do futebol está em África. Os amantes do belo futebol dos velhos tempos podem ficar descansados. Futebol africano é sinónimo de alegria, talento natural e vocação atacante. Sendo assim, como dizia Fernando Pessoa, saudades, saudades só do futuro. Estavam os primeiros dias do Mundial a provar que o futebol actual está refém dos rigidos sistemas tácticos do treinadores quando apareceu a Nigéria e a bola começou a mover-se com turculenta magia. Estamos salvos! A equipa de Okocha, Ikepeba e Finidi pode até nem chegar muito longe no torneio mas já nos devolveu a imagem do futebol puro, aquele capaz de nos fazer recuar até á infância. Este Mundial disse que muito do presente do futebol já mora no continente negro. Marrocos, á parte um guarda-redes desatroso, e Camarões, prejudicado pela arbitragem, também seduziram os românticos da bola com a superioridade moral do futebol africano. Conta Milutinovic que antes de ir para França, visitou as familias de todos os jogadores e que cada casa era uma festa. Gravou em vídeo uma mensagem dos seus pais e irmãos. Antes dos jogos coloca a fita para ser vista por todos os jogadores. Consta que quando o viu pela primeira vez, Amokachi saltou e disse “Agora é a guerra pelas nossas familias!”. Motivação africana.

Atmosferas sul americanas

Os brasileiros estão desencantados e cépticos. Esperavam um arranque triunfal, MUNDIAL 98 ATMOSFERAS Primeira fase1demolidor, golos de Ronaldo e todo o mundo rendido aos seus pés. Bem vindos á realidade! Nem o inicio foi demolidor, nem o seu futebol seduz e nem os adversários lhes prestam vassalagem. Quando entram em campo, nos treinos e nos jogos, rufam tambores e soam cuícas e tamborins. É a divina sonoplastia do futebol arte. Para um jogador, a aventura de um Mundial é uma viagem a outra galáxia. Leonardo é dos poucos canarinhos que não se enebria com a exuberância do samba das bancadas: O futebol já me deu tanto, agora é o momento de eu dar-lhe qualquer coisa. Acorda Brasil! Mas, o expressionismo sul americano não é só samba e capoeira. O olhar sombrio de Chilavert, o futuro presidente do Paraguai, passou a habitar os pesadelos espanhois. Em Assunção seguem os jogos com uma Colt 45 em cima da mesa. Não, não se trata da temida pistola automática americana, mas antes da mais famosa marca de cervejas do Paraguai. Uma imagem que simboliza o seu futebol cuja base é o sangue quente e o verbo lutar.

SQUADRA AZZURRA

MUNDIAL 98 ATMOSFERAS Primeira fase2O futebol italiano continua profundamente dramático. Em 1982, a suprema disciplina táctica orquestrada e a anarquia do talento de Conti e Rossi ao serviço da espontaneidade do drible, aliada á sagacidade do patriarca Bearzot (2 puntas, 1 regista, Antognoni e 1 estremo) levaram-nos ao titulo. Com Maldini, seu adjunto em 82, regressou o cattenacio e a readição do drama de 70: joga Rivera ou Mazzola? Em 98, o mesmo dilema, joga Baggio ou Del Piero? Jogar os dois? Só em desespero de causa de se estar a perder a dez minutos do fim... Os italianos praticam um futebol de autor. Já é tradição começarem mal o Mundial, têm sempre um grande ponta-de-lança, Olé Vieri!, e depois tutti quanti até á final. Outra vez?

OS PIRATAS HOLANDESES

MUNDIAL 98 ATMOSFERAS Primeira fase3A Holanda pode ter redescoberto o espirito da Laranja Mecânica. Em campo, após a recuperação da bola é a única equipa que se estende em 4-2-4 na saída para o contra ataque. É uma equipa de centro-campistas. Marca golos sem jogar com ponta-de-lança. Kluivert e Jimmy não entendem o jogo serpentado de Winter e de Boer, na direita, de Davids e Jonk, no centro, e de Numan e Overmars, na esquerda. Têm o melhor meio campo do mundo, na opinião de Cruyff. Bergkamp, a túlipa mais adiantada aparece vindo do nada e finta como quem saca um coelho de uma cartola. O essencial para uma equipa como esta Holanda é a coesão e o estado de espirito colectivo, inclusive na equipa técnica chefiada por Gus Hidink que tem como adjuntos Neeskeens, no banco, e Kijkard e Koeman, na bancada. Visão de pássaro para desmontar os sistemas tácticos adversários.

FUTEBOL ARTE

MUNDIAL 98 ATMOSFERAS Primeira fase4Em todos os Mundiais é norma procurar novos heróis para a história do futebol. Ronaldo é o novo Pelé, Ortega é como Maradona, Zidane é melhor que Platini? Uma luta terrivelmente injusta. Comparar jogadores divinos com outros meramente terrenos. Ronaldo, antes de ser um grande jogador, é sobretudo um grande atleta. O contrário de Romário como ele próprio admite. O forte de Ronaldo é a sua capacidade explosiva, o drible gravata feito a uma velocidade estonteante. Para executar esse movimento necesita de recuar no terreno para recolher a bola, por isso rende mais quando joga ao lado de outro avançado, como Romário, que fica em cunha entre os centrais adversários. Sem Romário, Ronaldo teve dificuldades em encontrar esse seu espaço criativo, local de gestação de muitos dos seus golos. Se Ronaldo é a sublime simbiose entre o jogador e o atleta, Ortega, o herdeiro do nº10 de Maradona, é a malicia futebolistica. Joga como todos os argentinos. Com a mesma picardia que o míudo da rua utiliza para sobreviver. E como muito bem disse Zagalo, joga-se como se vive.

ARGENTINA

MUNDIAL 98 ATMOSFERAS Primeira fase5Os homens de Passarela parecem partilhar da crença de alguns africanos segundo os quais ao serem fotografados lhes estão a a roubar pedaços da alma. Treinos á porta fechada, conferências de imprensa colectivas e umas gotas de desprezo pela critica. Esta é a primeira Argentina sem Maradona desde há 16 anos. Muitos dos jogadores eram crianças quando a selecção das pampas venceu o Mundial-78. Alguns nem se recordão desse temo. Cresceram a idolatrar Maradona, mas agora o Pibe acabou em definitivo, apesar de um cartaz no jogo com a Jamaica dizer que “Un Mundial sen Maradona es como un baile sen chicas”. A equipa de Passarela é outra Argentina, menos velocidade, maís toque de bola. Oito jogadores do onze inicial jogam em Itália e transportam no corpo a inteligência táctica europeia: defesa completa e contra ataque venenoso. A ordem aliada ao talento, leia-se técnica e imaginação, sempre foi uma fórmula vencedora. E depois, claro, existem os golos de Batistuta...

SEMPRE ALEMANHA

MUNDIAL 98 ATMOSFERAS Primeira fase6Foi a última favorita a começar a prova. Estava o Mundial posto em sossego quando entrou em cena o rolo compressor germânico. Futebol força, de nariz no ar e botas cardadas. A diferença entre uma equipa assim poderosa e outra menos forte é que a primeira ganha quase sempre mesmo jogando mal. A equipa de Vogts não deslumbra nem é essa a sua intenção. Na mente alemã uma só ídeia: eficácia! Em relação á equipa que vencera o Euro 96 faltam o líbero Sammer e o médio panzer Diter Eilts. Para melhor se entender que tipo de jogador é Eilts basta dizer que Sachi, o treinador que ganharia todos os jogos se estes se jogassem sem bola e com robots, afirmou que ele fora nesse ano o melhor jogador europeu. Futebol força, tarefas de marcação executadas ao pormenor, disciplina táctica e nada de inventar, jogo simples. Desde 1962 que a Alemanha não entrava em campo sem jogadores do Bayern Munique. Aconteceu na estreia com os EUA, mas um dos melhores em campo foi um reforço bávaro da próxima época. Jens Jeremies, o herdeiro de Eilts “carregador de piano” na manobra do conjunto germânico. Esta alemanha apresenta, prém, um elevado índice de idades. Quase todos os titulares já moram acima dos 30. Kohler, 33, Thon, 32, Moller, 31, Klismann, 34, Reuter, 32, Bierhoff, 30. O futebol alemão nos anos 90 saltou uma geração. Num torneio como o Mundial, onde a recuperação ente um jogo e outro é decisiva, pode ser fatal. Apesar da força do colectivo sempre tiveram porém jogadores de classe superior que acrescentam algo de criativo ao conjunto: Rummenigue, Uwe Seeler, Littbarski... Nos anos 80 Matthaus foi o simbolo da RFA. Com 37 anos a possibilidade de jogar o quinto Mundial, igualando o record do mexicano guarda-redes mexicano Carbaral, amaciou o seu temperamento e num ápice resolveu os seus diferendos com Vogts e Klinsmann. Continua líder dentro e fora do campo: um alemão nunca se desconcentra, diz. Jogam sempre da mesma forma, quer estejam a ganhar ou a perder por duas bolas de diferença. Contra a Jugoslávia estiveram no tapete. Sem alaridos rapidamente repuseram as coisas no seu lugar. Simplesmente Alemanha!

A ESPANHA DE CLEMENTE

MUNDIAL 98 ATMOSFERAS Primeira fase7Chegou a França como uma das favoritas ao titulo. Clemente e os seus jogadores não se inibiram de assumir isso mesmo. O primeiro jogo num Mundial, com a pressão da estreia, é sempre especial. Só fala-se dele como se existissem mais 40 depois. Não, esse é o único jogo que se pode perder, a partir daí são tudo finais. A Espanha perdeu o primeiro jogo com a Nigéria e todo o país ficou á beira de um ataque de nervos. Ansioso, Clemente resolveu mudar um trabalho de dois anos. A equipa que ficara quase 50 jogos consecutivos sem perder foi desfeita de um momento para o outro. Frente ao Paraguai fez cinco alterações e com apenas dois jogos disputados já tinha utilizado 18 jogadores em 22 possíveis, não esquecendo que três são guarda-redes. A equipa entrou nos jogos como estes só durassem um quarto de hora. Ansiedade excessiva e, claro, futebol nervoso, sem fio de jogo, sem golos, sem resultados. Custa entender como Clemente perdeu a coerência táctica com tanta facilidade. A imprensa espanhola nem sequer fora muito dura nas suas criticas. Zubizarreta é uma instituição no futebol espanhol. O guarda-redes basco, que não jogara os últimos quatro meses da temporada por lesão, chegou ao França 98 nos ultimos dias da sua carreira. Coerente, Clemente apostou no mesmo homem que em 82, com apenas 21 anos, lançara na baliza do Ath.Bilbao, quando este se sagrou campeão. Hoje, Zubi é uma espécie de alter-ego de Clemente, seu paí espiritual. Apesar da falha estrondosa de Zubi que ditou a derrota frente á Nigéria, Clemente continuou coerente e, muito bem, voltou a apostar nele contra o Paraguai. Com êxito, Zubi provou o grande guarda-redes que é. Porquê tanta falta de coerência, leia-se confiança, com o resto do onze?

ANARQUIA BÚLGARA

Em 94 foi a Búlgaria de Stoichkov que afastou a Alemanha, A mesma equipa búlgara, apenas sem o maestro silencioso careca brilhante Letchkov, está agora em França, quatro anos maís velha. É um facto que é necessário ter liberdade para criar e os artistas das equipas devem ter esse direito, mas a selecção búlgara exagera. Onze jogadores pouco dados a tarefas de marcação, jogando cada um para seu lado, não são o melhor meio para se construir uma equipa. Não faltam histórias de confrontos entre as suas estrelas. Polémicas que sucederam-se nos últimos quatro anos, discussões que se prolongam dentro do campo. Stoichkov fez tudo para ser expulso no jogo de estreia contra o Paraguai. Apenas viu um amarelo. Balakov, na curva descendente da sua careira, é o lider incomprendido da anarquia búlgara. Iliev e Kostadinov jogam como se estivessem sózinhos no campo. Uma equipa não são um conjunto de onze jogadores, mas antes onze jogadores que formam um conjunto. Pode-se aguentar um bom jogador que não se enquadre no colectivo. Multiplicando esse elemento por cinco ou seis não há equipa que resista.

DESCOBRIR SENTIMENTOS

MUNDIAL 98 ATMOSFERAS Primeira fase9Octávio Paz dizia que a vida de um homem é uma sucessão de encontros e despedidas até ao encontro final com a realidade. Causa um sentimento estranho ver jogar as selecções da Jugoslávia, entenda-se Sérvia e Montenegro, e da Croácia. Em 90 ambas formavam uma única equipa, conhecida como o Brasil da Europa, que com o seu futebol virtuoso deslumbrou-nos a todos. Em 87 foi campeã do Mundo sub-20, o Estrela Vermelha de Prosinecki e Stojkovic venceu em 91 a Taça dos Campeões, até que pouco antes do Euro-92 estalou a fratícida guerra das balcãs. Agora surgem com duas bandeiras diferentes. Têm estilos semelhantes mas temperamentos diferentes. Maís rebeldes os croatas, mais serenos os jugoslavos. Que grande selecção formariam se ainda jogassem juntos! Como sempre o sonho vence a realidade. Uma luta desigual. No sonho apenas procuramos, além dos sentimentos, as referências escondidas fora do sonho. Não é pouco. A Jugoslávia já teve o seu encontro final com a realidade.

ALMA, CULTURA E FUTEBOL

MUNDIAL 98 ATMOSFERAS Primeira fase10Parreira esteve pela quarta vez no Mundial a orientar uma selecção. Depois do Koweit (82), EAU (90) e Brasil (94), regressou em Janeiro, por um milhão de dólares, na Arábia Saudita ao outro lado do mundo do futebol. Apesar de ser muito viajado, Parreira ainda não sabe falar árabe. Assim, precisa de um tradutor a tempo inteiro. Até durante os jogos para dar instruções ao jogadores antes das substituições. No minimo esse tradutor tem de ser o seu melhor amigo. No final ficaram dúvidas de que alguma vez o Principe Fayçal, filho do Rei Fahd, tivesse entendido alguma coisa do que Parreira lhe falou. Dois jogos, duas derrotas e foi despedido. Nem sequer foi para o “banco” no terceiro jogo. “É um defensivo que desnaturou o nosso estilo ofensivo. Somos a Arábia Saudita, se atacarmos vencemos contra todos”, sentenciou o principe. Ora se Parreira nem com o Brasil jogou ao ataque, só por diversão o faria com a Arábia Saudita, onde a estrela Owairan, que em 94 marcara um golo fantástico á Bélgica, saíu da prisão para jogar o Mundial. Perdeu seis quilos em poucos meses, precisaria de perder pelo menos outros seis. Sofrer uma goleada neste Mundial equivale a ser despedido.

A Coreia pedeu 5-0 com a Holanda e o técnico Bum Kum Cha, antiga glória do Leverkussen, também foi demitido. Diferente só a Jamaica, a única selecção que já tinha ganho o Mundial mesmo antes de ele se disputar. Com a Argentina também perderam 5-0, mas René Simões, que teve vida curta em Portugal, já tinha conquistado o direito á imortalidade nas Caraíbas só por levar os reege boys a França. Bob Marley, um assíduo das peladinhas nos baldios de Kingstom, dizia que O futebol na sua máxima expressão é uma arte e quem o pratica a esse nível só pode ser um artista”. Estar no Mundial, apesar dos resultados, é só para artistas.

FLO

MUNDIAL 98 ATMOSFERAS Primeira fase11A Noruega joga hoje o melhor futebol inglês do mundo. O mais rudimentar, o mais tradicional, o mais eficaz. Se o futebol fosse jogado só pelo ar seriam seguramente campeões. O monobloco escandinavo, a melhor equipa do mundo sem bola, começou a ser gerado durante os anos 60/70 por uma familia anónima de Stryn. Aí nasceram os três irmãos Flo, simbolos da geração escandinava que Egil Olsen, o treinador marxista-leninista, aproveitou com mestria. Provocou Zagalo dizendo que se fosse treinador do Brasil ganharia todo os jogos. Dentro da área, Tore Andre Flo, o mais novo e alto, ganhou o duelo com Junior Baiano sem precisar de saír da relva. O Boieng 747 norueguês provou que também no deserto podem crescer flores. Mais uma vez, tempos intrigantes estes que se vivem no futebol actual...

POLITICAMENTE CORRECTO

MUNDIAL 98 ATMOSFERAS Primeira fase12A imprensa resolveu tranformar um futebolisticamente ínsipido Irão-EUA num acontecimento planetário. Os Aihatolas versus o Grande Satã, escreveram. Até Bill Clinton falou sobre o jogo. Dias antes os directores iranianos ameaçaram abandonar a prova devido á transmissão na TV francesa de um filme americano de Sally Field onde a sua cultura era tratada de forma depreciativa. No final, os jogadores e o treinador Jalal Talebi, que vive nos EUA há 14 anos e é dono de um super mercado na Flórida, celebraram eufóricos a vitória. Todos os que nos dias anteriores escreveram sobre o jogo sabiam de tudo menos de futebol. O que sucedeu nessa noite já acontecera, com outros contornos, em muitos outros relvados ao logo dos tempos. As equipas soviéticas a jogarem contra as do capitalismo ocidental, as ditaduras da América latina versus democracias europeias. Quando entram no campo os jogadores só não se esquecem de tudo isso, pela simples razão de que nunca se lembraram antes...

ADMIRANDO TALENTOS

MUNDIAL 98 ATMOSFERAS Primeira fase15O Mundo do futebol fica mais feliz quando descobre novas estrelas para a sua constelação. Ao alto nivel todas as noites tem de ser estreladas. Dá gosto ver jogar um jogador como Thierry Henry, o principe da selecção gaulesa. Henry é um menino que sorri quando a bola lhe vem parar aos pés, dribla em progressão, sabe encarar o guarda-redes e integrado numa equipa forte adquire liberdade para criar, o que muitas vezes lhe falta no Mónaco, que também deu Ikpeba e Trezeguet a este Mundial. O romeno Ilie, a cobra e o camaronês Job são a elegância pura no trato da bola qe nos seus pés parece de veludo. O extremo mexicano Blanco alucinou o mundo com o que já se chama a finta da rã. Rivaldo parece capaz de com um passe de 30 metros meter a bola dentro da abertura de uma lata de cerveja Zagalo foi junto com Beckenbauer, um dos dois únicos homens a conquistar o Mundial como jogador e treinador. Portanto tem todo o direito de tomar e defender qualquer opção. Mesmo as mais absurdas. Seria esse o adjectivo certo para a opção de deixar fora do onze um jogador como Denilson capaz de fintar três adversários dentro de uma cabine telefónica? Todos eles habitam uma outra dimensão futebolistica. Felizmente.