Mundial Sub-20 2015 Dia 11

21 de Junho de 2015

Posse e piratas do “resultadismo”

Os ideólogos da “posse” voltaram a sofrer com os piratas do “resultadismo”. Frente aos EUA, a Colômbia dava uma lição de como tratar a bola (a começar no duplo-pivot Gutierrez-Tello) em jogo apoiado, até que, de repente, frente a um adversário fechado, sofreu o choque de num ressalto a bola sobrar para o rudimentar mais lutador nº9 americano, Rubin, que fuzilou a baliza. 1-0! E assim ficou, até ao fim, com os cafeteros já perdidos a meter todos os avançados que tinham, mas a deixar de pensar o jogo. Perto do fim, ainda um penalty falhado por Barrera (segundo-avançado veloz) que, ironicamente, é primo do símbolo da “escola do toque” colombiana, Valderrama. A posse não pode ser o princípio e fim do modelo. Tem de ser base. Necessita relação com a baliza/remate.
Por isso, gostei de ver/sentir novamente o onze do Mali. Parece adormecido no jogo mas, na verdade, está é a...adormecer o jogo. E também o adversário, o Gana.
Um jogo de apoios/passes na construção pelo corredor central a partir de dois pivots (4x2x3x1), que após garantir o equilíbrio defensivo (excelente Samessekou, 19 anos, Bamako) surgem perto de Adama Traoré (Lille, mescla perfeita de 10 com segundo avançado). Têm a percepção de toque-passe-espaços em progressão, até criar oportunidades. É a eficácia da posse com… baliza, mesmo sem um grande nº9. Já utilizaram quatro, Touré, Guindo, Diallo e Traoré, mas mal tocam na bola. Jogam em arrastamentos e abrem espaços para os profetas do passe. 3-0 e serenamente nos quartos-final.

 

Senegal: Ndiaye e os “tácticos”

O Senegal aguentou o poder e pressão da Ucrânia através duma excelente organização posicional sem bola. Tem a inteligência de nunca aumentar a velocidade do jogo porque sabe que dessa forma iria perder o seu controlo. Joga apoiado sem nunca perder as coberturas atrás da linha da bola. Tem um pivot-trinco enorme que controla todo o espaço, Ndiaye (US Ouakam) e um elo ofensivo, Sidy Sarr (Mbour Côte) que apoia o ataque pensando como médio.
Um 4x3x3 racional que não pede tocas posicionais. Pede equilíbrios posicionais. Os alas também participam, sobretudo Koné (Dakar Couer). Quase todo o onze joga ainda no Senegal. Sente-se, porém, a influência francófona no saber de como pisar os espaços.