Mundial Sub-20 2015 Dia 12

21 de Junho de 2015

A jogada acima do… jogo

A frase habitual é “uma equipa joga aquilo que a outra deixa jogar”. Em rigor, porém, o que se costuma passar é uma equipa só conseguir… jogar a melhor parte do seu jogo que a outra deixar. É quando a outra equipa monta mais uma contra-estratégia para travar o adversário e, a atacar, meter o jogo no território mais inconfortável para o estilo da outra equipa.
Foi o que a Nova Zelândia fez a Portugal, ao ponto de quase amordaçar o melhor jogo luso. Montou uma estrutura de três centrais que se fechava com cinco defesas e colocou grande densidade de jogadores nos últimos 30 metros (meio-campo/defesa em bloco médio-baixo ou baixo). Portugal viu-se assim com marcações em cima, sem espaços para circular e furar. Depois, a defender, sofria com o jogo direito “kiwi”, que metia a bola a pinchar na área e a partir dai tudo pode acontecer, numa dividida, ressalto e remate. E num desses lances deu mesmo golo (1-1).
Portugal entrara bem, mas sem conseguir, a partir da vantagem, levar o jogo para onde queria. Avaliou mal o que podia acontecer (e faltava Chico Ramos para estabilizar).
Quando, na parte final, Gelson Martins inventou sozinho um golo de “zigzag e trivela”, já se temia o pior. Não porque a Nova Zelândia estivesse a jogar bem. Estava era a jogar melhor este jogo específico, porque o tinha levado para onde queria. É isso que as equipas mais fortes, como Portugal, nunca podem deixar acontecer. Acabou bem, porque às vezes há jogadas individuais que conseguem ser maiores que o jogo todo.

Brasil: Os cortes de Lucão

A tentação quando se vê uma selecção brasileira é ir logo à procura dos avançados ou dos mais criativos. Existem alguns neste onze sub-20, mas o principio da equipa (jogo e segurança) está mais atrás, nos volantes (Danilo-Alef) e no sector defensivo, num central forte, seguro e de passada larga, para entrar no corte ou aparecer na linha da bola e tirar. É o zagueiro Lucão, 19 anos, já no time principal do São Paulo. Nem é uma “torre” de cabeça (“só” tem 1,85m.), mas é rapido a ir roubar a bola aos espaços onde os avançados mais perigosos vão a entrar. Este Brasil tem muito para analisar, mas o princípio é os novos avançados, sobretudo o nº9 André Silva, descobrir como fazer para enganar Lucão.