Mundial Sub-20 2015 Dia 13

21 de Junho de 2015

O destino veste calções e chuteiras

Não acredito no destino como fatalidade a que não se pode fugir. Mutas vezes, porém, parece que não existe outra forma de explicar tantas coisas que acontecem. Na vida, no futebol também.
Quando, já prolongamento adiantado, Gelson Martins se isolou e todos nos levantamos pela promessa de golo iminente, sentiu-se ao mesmo tempo que algo podia correr mal. E correu. Gelson rematou ao lado, mesmo a rasar o poste. Antes, outros lances tinham provocado essa sensação. O remate de Rony ao poste (tantas, tantas daquelas bolas batem no poste e entram…) ou num cabeceamento ao lado quando estava sozinho junto à baliza.
Não gosto de pensar num jogo pelas oportunidades perdidas, mas neste caso é impossível evitar esse assalto ao pensamento. Portugal caiu nos penaltys (onde pelo meio surgiu o tal “panenka”, que nunca mais deixará ninguém dormir sossegado a pensar neste Mundial) mas, no jogo, esteve sempre melhor na qualidade e intensidade. O Brasil, com dois prolongamentos em cima, não conseguia acelerar e quando tirou Boschilia perdeu mesmo o jogador que o podia controlar num ritmo mais lento.
Foi Portugal que manejou sempre esses ritmos. Chico Ramos no “relógio” do meio-campo, Riquicho, lateral-esquerdo que personifica o posicionamento e timing perfeito de sair para o corte dos nossos defesas e, na frente, o aparecimento da velocidade do ala Nuno Santos. Todos jogavam, de forma diferente, o mesmo jogo. Com qualidade.
Faltou o último elo, o golo. Não se moveu o destino. Afinal, a explicação em qual já acredito.

Treinador Selecção: as “duas vidas”

Consumada a eliminação, fica a sensação que a seleção tinha capacidade para ganhar este Mundial. Pode não ter tido para marcar penaltys como Hélio dizia aos jogadores antes dessa decisão “não é sorte ou azar, é capacidade!”, mas ao longo do torneio viu-se uma selecção que mudou de “cara táctica” em função das mudanças no meio-campo. Mais consistente com Chico Ramos, mais criativo com Guzzo.
Na frente, as variantes resultam essencialmente das “jogadas diferentes” que fazia cada… jogador. A velocidade de Nuno Campos, o jogo mais “por dentro” de Gonçalo Guedes, o zigzag de Gelson e o futebol versátil de Ivo Rodrigues. Todos tiveram “capacidade” durante o Mundial. Por isso, a revolta natural com o destino.