Mundial Sub-20 2015 Dia 14

21 de Junho de 2015

Para onde irá o talento sérvio?

Mais que uma seleção, uma equipa. A Sérvia nem deslumbrou no inicio do Mundial, mas logo se percebeu que tinha um núcleo forte. Solidificando a defesa e os dois médios, o pivot Zdjelar e o nº8 rotativo Maksimovic (formando “4x2” atrás da linha da bola), mexia depois na frente (quatro homens fazendo o “1x3” ofensivo) através das substituições ou das trocas posicionais durante os jogos. Variava assim entre o 4x2x3x1 inicial e o 4x2x1x3 em que se desdobrava a atacar. No centro da equação, um nº8 que “penteava” tacticamente o jogo: Maksimovic, a leitura em posse.
Com Zikvovic fixo desde a direita, era Milinkovic que lançava o ataque entrelinhas, nas costas de um ponta-de-lança que alternou entre Mandic e Saponjic. Nos momentos decisivos, mesmo saído do banco, foi Saponjic, nº9 com técnica de cabeceamento notável, a fazer a diferença. A Sérvia é campeã do mundo porque joga melhor e, sobretudo, de forma mais coesa.
Olha-se, porém, para todos estes belos jogadores e pergunta-se o habitual ao ver talentos balcânicos: como serão as suas cabeças no futuro? É esse factor que separa uma carreira sólida a top de outra com aparições ora fantásticas ora temperamentais. No passado (e presente) foram muitos que viram assim devorado o seu talento.
Falta a ultima fase da formação vista como maturação mental. Porque os conceitos de jogo estão todos lá, executados na perfeição. O desafio a estes craques sérvios é agora (como a muitos de outras gerações) manter a consistência do talento ao longo da vida sénior.

 

O que joga Andreas Pereira

No Brasil, o jogador que me fez pensar mais foi Andreas Pereira. Nem sempre titular, alternou entre o centro, nº10, ou descaído sobre a esquerda, de onde inventou na Final um golo de encantar. É um jogador que tem muito futebol dentro dele e não só o que mostra nessas execuções técnicas. Nota-se pela forma como se movimenta e encara sem pestanejar as mudanças de espaço. Tem a ver com o seu futebol-base, pois, em rigor, Andreas Pereira nem é um jogador brasileiro. Nasceu na Bélgica (alinhou nas suas seleções dos sub-15 a sub-17) cresceu no PSV e foi para o Manchester Utd com 16 anos. Um trajeto responsável pela maior cultura táctica que emerge do resto do onze canarinho. E, com isso, a sua técnica (com critério) até parece melhor.