MUNDIAL SUB-20 2015 Dia 4

21 de Junho de 2015

O físico ou a bola

E, de repente, surge uma seleção do Uruguai que não faz do jogo uma batalha. Mesmo tendo na frente, em 4x4x2, um segundo-avançado que cresce em técnica e músculo para os defesas, Pereiro (apoiado por Báez) renega esse habitual território “charrua”.
Jogou bem frente a uma bela Sérvia de jogo mais apoiado (3x4x2x1) com dois médios-centrais de ligação (Zdjelar-Maksimovic) e um ala que acelera por dentro (Zivkovic), jogando em conjunto com outros dois avançados, o ponta-de-lança Sapanovij (como Zivkovic da escola do Partizan) e Savic (já no Gent) falso ala de passada forte que penso poder render mais no meio.
O onze uruguaio, agarrando o jogo a meio-campo com Arambarri e Nandéz (mais Poyet a 6 nos últimos minutos, então num triângulo em cobertura) tem mais critério a atacar pelas faixas, com o extremo Castro (Defensor), vertical ou puxando para dentro, com qualidade de passe (como no golo da vitória). Fixem-no. É o tipo de ala que quando arranca pela faixa não quer acabar sempre ele a jogada. Procura antes a quem meter a bola em zona de perigo.
Pereiro (Nacional) gosta de pegar entrelinhas. Joga muito, mas fica a sensação que podia jogar mais se usasse mais a técnica do que o corpo para controlar a bola e atacar. É natural aproveitar a dimensão física (1,88m), mas isso torna o seu jogo mais lento (ou estagnado num local), quando pelo corpo dele estará um botão para premir e colocá-lo a jogar mais rápido, na bola e a invadir os espaços. O lado atlético pode então ser um alicerce.

“Toco y me voy”

Antes de analisar em especificidade a Colômbia (1-0 ao Qatar) registe-se mais uma seleção “cafetera” fiel ao seu estilo apoiado, virado de flanco sem se importar com o número de toques/passes que dá de trás para a frente até chegar ao ataque.
Ataca em 4x4x2, defende em 4x3x3, resultante do ala esquerdo Zapata abrir em posse e fechar em cobertura. A dupla atacante tem um valor firme, Borré (Dep. Cali) sábio entre os centrais, mas surpreendeu ver Rodriguez (do Chelsea que esteve em Setúbal sem jogar) como o avançado mais perigoso, pela mobilidade, desequilíbrios e tabelas/desmarcações (o chamado “toco y me voy” como dizem os sul-americanos). Fez o golo e mostrou inteligência a aparecer, sem “estar”, sempre como um 9 clássico que não é.
É um onze com princípios bem definidos. Veremos até onde sobe o nível de intensidade competitiva.