MUNDIAL SUB-20 2015 Dia 5

21 de Junho de 2015

Ouvir “toca” em vez de “mete”!

Ao segundo jogo, a selecção descobriu como tratar melhor a bola sem perder as ligações do meio-campo que, contra o Senegal, tinham levado a esticar demasiado o jogo quando queriam passar da primeira para a segunda fase de construção.
No relvado, a presença de um nº8 mais rotativo como Chico Ramos aumentou a intensidade técnico-táctica do sector. Embora continue a ver Rony Lopes algo descomprometido da conexão com os médios, o meio-campo passou a tomar conta da bola e dos espaços.
No banco, a intenção sentiu-se logo no início quando se ouviu os gritos de Hélio de “toca, toca”, a estimular o jogo apoiado e a troca de bola construtiva quando estava no meio-campo adversário. Muito diferente seria ouvir dizer “mete!”, indicando para saltar esse jogo apoiado (que no primeiro jogo não existiu, mais pela distancia entre as linhas do meio-campo do que por ser intencional).
O futebol acaba, pois, por se transformar através de duas coisas simples: um jogador e uma palavra.
Neste caso, Chico Ramos e “toca!”. Coisas simples que, afinal, se inserem na complexidade do jogar do colectivo, até mudarem o estilo.
A outra entrada foi de Ivo Rodrigues, que em relação a Gonçalo Guedes tem maior capacidade para pegar no jogo atrás. Fez um grande golo, mas onde o vi dar mais à equipa foi no início, vindo muitas vezes pegar recuado quase na meia-esquerda, ficando Podstawski sempre posicional a pivô. Ambos, também, expressavam a vontade de “tocar, tocar”.
E assim se foi jogando, tocando, até à baliza do Catar.

A passada da Nigéria

O poder do 4x4x2 da Nigéria perdeu com o Brasil, mas vê-se logo que está ali uma grande selecção. Não adianta dizer que parece um onze de uma faixa etária acima, porque África já se sabe, é assim mesmo. Nesse poder técnico-atlético, emergiu, naturalmente, Isaac Success (19 anos e já estrela dos sub-17, no Granada emprestado pela Udinese). É, ao mesmo tempo, um nº9 verdadeiro e falso. Pela movimentação entrelinhas e pelo poder de finalização entre centrais. Mas de quem gostei mesmo, pelo poder da arrancada em passada larga veloz, foi de Musa Yahaya (também dos sub-17, emprestado pelo Tottenham ao Ferroviário Maputo). Ambos com grandes viagens de futebol e ainda não fizeram 20 anos. É “África on the road!”