Mundial Sub-20 2015 Dia 6

21 de Junho de 2015

O Brasil em busca das fintas

É mais uma selecção brasileira na senda de outras ditas tacticamente modernas. Neste escalão, sub-20, muitos “craquezinhos” ainda conseguem, porém, fugir à fatídica “dungazização” do jogo. Não faltam os volantes de contenção (chefiados por Danilo, Braga), mas depois no espaço atrás do ponta-de-lança (Judivan, sem grande rasgo), ainda há espaço para criar.
Em 4x2x3x1, os dois primeiros jogos destacaram um ala direito em diagonais com bola controlada, inventivo e finta curta: Gabriel Jesus (18 anos, Palmeiras). Nem sempre acaba bem as jogadas, mas é quem tem mostrado mais “sabor a Brasil” no jogo.
Do outro lado, Marcos Guilherme (At.Paranaense) está demasiado preso à faixa. É estranho não se soltar. O lado criativo com organização fica entregue ao meio, com Boschilia (19, São Paulo) a dar maior sentido organizador (visão-passe) do que Andreas Pereira (já no Manchester Utd.), com mais vocação de avançado.
Esta visão das diferentes linhas do meio-campo e ataque ficou evidente quando o técnico Rogério Micaele, a perder 0-1, mexeu no onze contra a Hungria. Meteu outro volante com mais saída, Jájá (20, Flamengo) ao lado de Alef (20, Marselha), recuando Danilo e entrou A.Pereira para a esquerda, onde M. Guilherme estava adormecido.
Mais que dar a volta ao resultado, o Brasil (como no 4-2 à Nigéria) deu a volta ao jogo. Em face da divisão de estilos nos diferentes espaços da equipa, é fácil perceber onde está o problema e mexer nele. De repente, o seu melhor futebol, volta a andar em pleno jogo.

Sérvia: soltem Zivkovic!

A Sérvia mudou o sistema do primeiro jogo (3x4x2x1 com o Uruguai, 0-1) para o segundo (4x2x3x1 com o Mali, 2-0). Manteve o duplo-pivot, mas com os mesmos jogadores, bastou mexer ligeiramente nas suas posições para ficar outra equipa. Puxou Milinkovic para entrar nas costas do ponta-de-lança Saponjic e deu mais amplitude à velocidade solta, desde a direita, de Zivkovic (18 anos, Partizan), a maior promessa desta geração.
Muda de velocidade, finta em progressão metendo a bola no espaço à sua frente e arranca para ir buscá-la e invadir zonas de perigo. Parece um extremo, mas é muito mais do que isso, pela facilidade com que dá profundidade. Tem de jogar sem ninguém a dar-lhe cabo da cabeça com posicionamentos muito treinados.