Mundial Sub-20 2015 Dia 7

21 de Junho de 2015

A bela Ucrânia de Kovalenko

Ai estão os dois primeiros apurados para os oitavos. No topo, a Ucrânia e um jogador que foi o primeiro destaque no conjunto destas crónicas diárias do Mundial: Viktor Kovalenko. Os três golos que fez aos EUA fazem agora todos se virarem para ele, mas quando falei dele (após 0-0 com a Nova Zelândia), foi mais pelo que jogava (e fazia jogar), como uma união em campo com duas pernas e chuteiras, entre um nº8 e um nº10.
Penso que é um jogador para jogar entre as duas posições, mas nesta Ucrânia em 4x2x3x1 (o mesmo sistema em que cresceu nos escalões jovens do Shaktahar Donetsk, ao ponto de saltar dos sub-19 para os sub-21 e já entrar mos planos de Lucescu), só faz mesmo sentido a jogar solto na segunda linha do meio-campo, com liberdade para ir, voltar e aparecer na frente. O seu futebol começa por parecer essencialmente físico, mas depois evidencia-se pela técnica e, sobretudo, saber de “táctica individual”.
Na frente, a ponta-de-lança, Biesiedin (Metalist) tem presença entre os centrais adversários e, sobretudo, entende o que é jogar com o resto da equipa (sobretudo os alas e, claro, o chefe Kovalenko).
Os EUA tem uma boa equipa, sobretudo porque têm um bom meio-campo (Delgado a 6, Zelalem-Hyndman) e dois centrais fortes e altos (Miazga e Carter-Vickers). Neste núcleo duro, Hyndman (Fulham), é quem agarra a equipa nas transições e, na frente, em 4x3x3, tem Rubin inteligente a nº9, e dois alas falsos, Arriola mais vertical e Jamieson em diagonal, para surgir quase como outro nº9 a finalizar.

Zelalem: deslizar com a bola

É o jogador que mais me seduz nos EUA. Zelalem (médio-interior partindo de trás) tem uma técnica de toque de bola subtil que o parece fazer deslizar no campo, até nas fintas onde penteia a bola e engana os adversários. Zelalem, 18 anos, com pais etíopes, já nasceu na Alemanha (por cujas selecções jovens jogou até aos sub-19), mas, aos sub-20, optou pelos EUA, para onde tinha emigrado em 2006. Aos 16 anos foi detectado pelo Arsenal, onde joga hoje, já com Wenger a puxá-lo para a equipa principal. É um jogador a crescer para o mundo profissional (também a nível de intensidade). Tem, porém, aquilo que cativa quem gosta mesmo de avaliar um bom jogador pelo essencial: excelente relação com a bola. Intimidade mesmo.