Mundial Sub-20 2015 Dia 8

21 de Junho de 2015

Nigéria: A potência com técnica

Na prática, mais do que uma selecção, são duas equipas. A Nigéria entre os jogos com Brasil e Hungria trocou quase meio-onze, mudando sobretudo o trio da frente, e, com isso, também o sistema.
Nas variações entre o 4x4x2, frente ao Brasil, ao 4x2x3x1, frente à Hungria, tanto pode jogar a ponta-de-lança com o móvel Isaac Successs (Granada), como pode jogar com o possante Taiwo Awoniny (Imperial Academy), ou até jogar com os dois juntos, com, nesse caso, o mais potente (Awoniyi) a funcionar como elemento físico decisivo para ganhar a primeira bola, para a deixar ao jeito das desmarcações do mais rápido/esquivo Success). Em ambas as versões parece que joga igual. Cada uma delas tem, porém, especificidades.
Na versão 4x2x3x1 que bateu a Hungria, surgiu com um nº10 no perfil de jogo, com bom toque e visão, Sokari (Enyimba FC) e um ala disfarçado que joga muito bem por dentro. Um belo jogador, rápido, mas que gosta de flectir como organizador na meia-direita com bom passe e timing de pausa e arranque. É Bernard Bulbwa (Shuttle Academy). Aqui, fica diferente de quando na direita joga com o explosivo Musa Yahaya (17 anos do Tottenham emprestado ao Ferroviário). Mantendo a defesa a “4” imutável, a referência mais fixa no meio-campo, como 8 equilibrador ou pivot é Ifeanyi (Water FC).
Todo o núcleo da equipa, treinado pela autoridade de Manu Garba, joga ainda na Nigéria, nos no último escalão de formação, enquanto outros já saltaram para a Europa. É uma potência física de futebol com técnica.

Hungria: A dinâmica do médio Nagy

A Hungria segue para os oitavos como uma selecção interessante que faz renascer o seu futebol jovem. Tem um ponta-de-lança que sabe mover-se, Mervò (do Gyor ETO), embora remate pouco, mas quem se destaca neste onze magiar é um médio que corre 90 minutos em busca da bola e do melhor local para a recuperar (tentando que seja o mais subido possível), ou para em posse atacar a área adversária. É a dinâmica de Ádam Nagy (Ferencvaros, 19 anos). Elegante, bom toque e controlo em condução. Procura a bola, mas para isso encontrar a… equipa. Ou seja, descobrir a melhor forma de a ajudar e a colocar em campo. Uma noção de “táctica individual”, com mobilidade, que torna obrigatório segui-lo nos próximos tempos.