Munique, o “peso táctico”

13 de Novembro de 2011

Munique, o “peso táctico”

Em termos de estrutura, os grandes da Bundesliga revelam tendência para o 4x2x3x1, e, mesmo nos casos em que surgem noutros desenhos, permanecem sempre os dois pivots como referência no posicionamento inicial. Vendo as ultimas jornadas da Bundesliga, confirma-se o 4x2x3x1 entre cinco dos seis primeiros (Bayern, Dortmund, Schalke 04, Hannover e Monchengladbach). A excepção entre os clássicos candidatos é o Werder Bremen de Schaaff, fiel ao 4x4x2 losango.

A questão da dupla de médios-defensivos é a principal duvida do actual funcionamento do onze-rolo compressor do Bayer Munique. Qual a melhor a dupla? Ou melhor, qual o melhor jogador para jogar ao lado de Schweinsteiger? Ultrapassando a questão de não ver necessidade do Bayern jogar com duplo-pivot (a alternativa seria inverter o triângulo do meio-campo de «2x1» para «1x2»), o objectivo é buscar a melhor complementaridade entre os dois. O eleito preferencial é Tymoschuk.

Joga bem, não erra (nem se expõe muito a errar) mas não solta a equipa no inicio de transição. Quem gosto mais de ver nesse espaço ao lado de Schweisteiger é Luiz Gustavo (jogou assim frente ao Nápoles). Maior qualidade técnica e visão construtiva da posição 6. Passa e saí. Outra opção é Alaba, mas este ainda é um miúdo para crescer tacticamente com tempo. Com Schweinsteger lesionado, Heyckes lançou a dupla Tymoschuk-Alaba (contra o Ausburg) mas foi clara a perda de qualidade técnica sem Luiz Gustavo. Veremos.

Mais à frente, Kroos não é um médio com dotes criativos como traço fundamental. É mais um elemento possante que dá mais dimensão física á posição/espaço do que último passe e ruptura-remate Nessa intenção, Muller aparece melhor nessa posição. E é fácil perceber porquê. Kroos é médio, Muller é…avançado. Habitualmente, Muller joga mais na ala direita, o seu lugar de origem. Também se compreende porquê. Porque é muito rápido e na faixa tem mais espaço de embalo/explosão, cruzando depois muito bem. A qualidade do seu futebol, no qual sabe meter poder de decisão de passe-remate na velocidade em andamento, pede, porém, zonas de influência colectivas mais fortes, isto é, a central, atrás do ponta-de-lança clássico estilo panzer, Gomez.

Prevendo o futuro, até pode acontecer que o segundo-pivot seja…Kroos. Isto porque a melhor segunda linha ofensiva seria Ribery-Robben nas alas, Muller no centro, e, tendo Schweinsteiger lugar cativo atrás, a preferência de Heyckes por Kroos, jogador que lançou e trouxe do seu melhor Lerverkussen, pode levar a essa sua reciclagem táctico-posicional.

Neste contexto global, é, por isso, curioso ver como, em Bremen, Schaaf foge a este debate do duplo-pivot. Joga só com um pivot no seu 4x4x2. Com Ekici (ou Marin) no vértice ofensivo e Fritz-Hunt nas alas, a maior revelação da época surge no lugar 6, o sérvio Ignjovski, processos simples para equilibrar o losango solitário que visa confundir tacticamente toda a Bundesliga. Será possível?

A “Bundesliga táctica”

Munique, o “peso táctico” Tacticamente, a Bundesliga merece, no entanto, uma análise mais profunda. Se há momento no jogo em que vejo as estruturas das equipas alemãs abalar mais é na transição defensiva. Ou seja, são fortes/equilibradas em organização defensiva, mas sentem dificuldades na reacção veloz à perda da bola, sobretudo em zonas adiantadas, se apanhadas com as linhas (sobretudo a defensiva) mais subidas. Nessa altura demoram a…reequilibrar-se. Em suma: são fortes quando equilibradas. Sentem dificuldades (são estruturalmente lentas) quando necessitam de se reequilibrar rapidamente.

Existirão jogadores, pelas suas características (mais rápidos) que recuperam melhor e disfarçam essa lacuna colectiva, mas o problema permanece. Talvez por isso a preferência dada ao duplo-pivot como maior âncora táctica das equipas. A dimensão física continua a marcar excessivamente um futebol que, na sua essência, tem, cada vez mais, perfume técnico capaz de aguentar sistemas (e, sobretudo, modelos de jogo) mais apoiados na altura das transições. Quanto mais criativo for um dos pivots, melhor a equipa se soltará/moverá no jogo.