Munique: Onde cresceu este Benfica

06 de Abril de 2016

Rui Vitória falara do Bayern como a equipa do “futebol do futuro” que se baseava em “conceitos de jogo” e não em sistemas. É verdade, no plano da mobilidade posicional mas nenhuma equipa resiste sem antes ter uma estrutura, uma base de posicionamentos de origem (em relação aos quais cada jogador sabe onde começa e para onde deve voltar no inicio e fim das jogadas).
O atual Benfica é, por isso, se procurássemos após o jogo uma resposta para a forma como conseguiu travar o desenvolver desses “conceitos” do Bayern, uma equipa de “noções de jogo” no plano da estruturação posicional. Isto é, de saber onde se deve colocar a cada momento pelo qual ele passa. Quer táctica quer emocionalmente. Só assim tendo sofrido um golo logo no segundo minuto não se assustou com a ameaça da goleada que tantas equipas não conseguiram fugir no “bosque futebolístico” de Munique.

Manteve o seu onze base mas não permitiu que a estrutura se move-se tanto como habitualmente: Renato Sanches com menos amplitude em posse (perto do pilar Fejsa, sem nunca mexer um nervo da face) laterais mais posicionais e os avançados (Jonas e Mitroglou em pressão nos espaços) a nunca se distanciarem muito evitando a separação excessiva entre linhas.
Confirmou, frente ao adversário mais difícil, o que tacticamente tem sido a grande base do crescimento deste Benfica: o comportamento defensivo. É aqui que Rui Vitória resgatou, após meia-época tão difícil (de avanços e recuos, erros e acertos) na construção do seu onze e forma de jogar (e posicionar-se), a solidez táctica que a tornou na equipa forte e realisticamente competitiva que hoje é.
Conseguir ser uma equipa forte defensivamente sem ser uma “equipa defensiva” não é fácil nestes jogos em que se assume que o adversários é claramente mais forte.

O relvado de Munique é uma imensidão onde os jogadores do Bayern se estendem, mas dentro dessa cultura táctica, o Benfica usou o melhor segredo para defender bem: tornou-o mais “curto”. Fez o chamado “campo pequeno” a defender. Isto é, juntou as suas linhas num bloco sempre muito coeso (movendo-se atrás e á frente) e com isso obrigou o Bayern a jogar/atacar em menor espaço de terreno.
São os traços duma equipa sempre com o domínio das tais “noções de jogo” independentemente dos contornos que ele ganhe. Não deixou o monstro bávaro “divertir-se”, até “amordaçar” os seus conceitos de jogo.