NACIONAL DE MONTEVIDEO

04 de Dezembro de 2000

BERÇO DO FUTEBOL CRIOULO, gigante do futbol uruguaio, desde os tempos remotos dos irmãos Céspedes á era moderna com Hugo de León, passando por um inifinito universo de grandes estrelas e lendas como Abdon Porte, Andrade, Scarone, Nasazzi, Attilio Garcia, Walter Gomez, Ancheta, Luis Artime, Victorno...

Fundado em 14 de Maio de 1899
Onde Joga: Estádio Centenário
Campeão do Uruguai: 1902, 1903, 1904, 1912, 1915, 1916, 1917, 1919, 1920, 1922, 1923, 1924, 1933, 1934, 1939, 1940, 1941, 1942, 1943, 1946, 1947, 1950, 1952, 1955, 1956, 1957, 1963, 1966, 1969, 1970, 1971, 1972, 1977, 1980, 1983, 1992, 1998 e 2000.
Copa Libertadores: 1971, 1980 e 1988
Taça Intercontinental: 1971, 1980 e 1988
SuperTaça Sul Americana: 1989

Quando se percorre as raízes fundadores dos maiores clubes do mundo criados em finais do Séc.XIX, encontra-se quase sempre, o ponto comum de serem criados por impulso britânico, inventores poucas décadas antes do exótico foot-ball. Desta forma, a maioria das colectividades moldaram a sua personalidade a partir da erecta fleuma britânica. As margens do gigantesco estuário de Mar e Plata, que separam Buenos Aires de Montevideo, não fugiam, naturalmente á regra. No Uruguai, que por essa altura abrigava apenas 930.000 habitantes, sendo 290 mil deles em Montevideo, com metade da população estrangeira, tinham assim nascido o Albion e o CURCC, futuro Peñarol. Foi então que por entre esta atmosfera britanizada, um grupo de homens, genuinamente latino americanos, lançou a ideia de fundar um verdadeiro clube de futebol uruguaio, fiel representante da sua história e dos seus valores. É, assim, com esta ideologia patriótica, que nasce, em 1899, na casa do ilustre Dr. Ernesto Caprario, por fusão entre duas pequenas colectividades, o Montevideo FC e o Uruguai Athletic, um clube que, desde o berço, personalizou a espírito independente da América Latina: o Nacional Montevideo, escolhendo para seu equipamento, as cores da bandeira do general José Artigas, propulsor da independência: vermelho, branco e azul, simbolizando, assim, todo o seu carácter rebelde, precursor e racial, expressos numa frase: Abaixo os ingleses, viva o futebol crioulo! Pouco anos após a sua fundação, em 13 de Setembro de 1903, o Nacional seria designado pela Associación Uruguaya de Fútbol para representar o país num jogo contra a Argentina, em Buenos Aires, tendo vencido por 3-2. Todos os anos, o clube comemora orgulhosamente essa data que representa o nascimento do futebol uruguaio, entregando medalhas aos sócios mais antigos, ocupando, desde 1932, o gigantesco Estádio Centenário, que partilha com a selecção celeste o única equipa capaz de despertar, no país, maior paixão que o Nacional.

NACIONAL DE MONTEVIDEOEm 1911, apesar da sua juventude, o Nacional passa pelo mais decisivo momento da sua história, quando duas facções opostas, com concepções totalmente distintas do que deveria ser o clube, e degladiam pelo seu controlo. De um lado, o grupo que ambicionava democratizar de forma definitiva o Nacional, imagem de clube crioulo e inter-racial, liderado por Manuel Urioste, El General e Dr. José maria Delgado, que formaram a lista Bolívar y Carlos Céspedes, nomes de idolatrados jogadores falecidos recentemente. Do outro, o grupo que ambicionava um Nacional elitista, onde só tivessem lugar os que pertenciam ás classes sociais mais altas. Numa quente assembleia, realizada no Centro Asturiano, um autêntico forno nessa noite, trocaram-se argumentos, houve grande exaltação mas na votação final triunfaram os democratas. O Nacional estava salvo. Podia prosseguir na construção do sonho dos seus fundadores: ser o grande clube do pueblo uruguaio. Observar e entender a história do Nacional, é atentar nas história dos seus grandes jogadores, que. ciclicamente, ano após ano, o foram tornando grande, atingindo depois, no passar do tempo, a aura mítica e o perfil de lenda que só a América Latina é capaz de criar e dar asas na infinita imaginação popular, expressas na frase de Aldyn García Shlee, Si la Leyenda fue mayor, que el hombre, que permanezca la leyenda.

Inicio do Século: LOS CÉSPEDES

NACIONAL DE MONTEVIDEO1Família burguesa do final do Séc.XIX, habitando uma enorme Quinta em Montevideo, Los Céspedes foram os primeiros mitos do fútbol crioulo. Chegados da província de Melo, por volta de 1887, Don Eusébio Céspedes e sua devota mulher Doña Luísa Polanco Céspedes, eram vistos, em toda a região, como .Tiveram cinco filhos, Amílar, Bolívar, Carlos, Ernesto e a donzela Delia. Três dos rapazes, seriam grandes apaixonados pelo foot-ball. Hoje, um século depois eles são vistos como os decanos do futebol uruguaio, e, sobretudo, do Nacional, onde ingressaram em 1901, que com eles se estendeu a todas as classes sociais e não só ás crioulas. Donos de abastadas propriedades e património, a Família Céspedes como que foi a mão que embalou o berço do fútbol do nacional. Durante os jogos, muito jovens, destacava-se por ser futebolistas ágeis e valentes. Amílcar era guarda redes, Bolívar, era um extremo habilidoso e Carlos, talvez o mais adorado por todos, considerado o inventor do drible no futebol uruguaio e que se consagrou como um grande goleador. Com as suas caras redondas e coradas, e sempre sorridentes, tornaram-se adorados por todos. Com eles, o Nacional conquista os primeiros títulos de campeão uruguaio, em 1902 e 1903. Depois, findo os partidos, muitos jogadores e amigos do clube, das mais variadas classes sociais, rumavam á Mansão Céspedes, onde eram recebidos de braços abertos pelo patriarca Don Eusébio, que não perdia um jogo, e sua mulher e filha donzela que preparavam sempre um farto repasto para oferecer aos visitantes. Em 1904, a poucos dia da final como o CURCC, estalou a guerra civil uruguaia. Personificando outros ideais, os hermanos Céspedes, para fugir á guerra, partiram para Buenos Aires, onde passaram a jogar no clube Barracas, enquanto que os jogadores do CURCC, muitos deles ingleses e empregados dos caminhos de ferro, escapavam á mobilização, pelo que a vitória na final, a disputar em plena revolução, parecia já ganha, perante a falta dos Céspedes na linha nacionalista.

Em 1905, no entanto, pouco depois do inicio do Campeonato, a tragédia começou a minar essa famosa família. Muito doente, Bolívar contrai varíola, doença fatal nesses longínquos anos, e, agonizante, acaba por morrer. Duas semanas depois, Carlos e Delia também estão muito doentes. A irmanita salva-se, mas a 30 de Junho de 1905, com apenas 20 anos, Carlitos Céspedes sucumbia á doença e também morria. Durante a sua curta vida, jogara 45 jogos e feito 27 golos pelo Nacional. Os seus funerais, seguidos por mais de meio milhar de pessoas, foram inolvidáveis manifestações de dor que, ao longo dos anos, iriam sendo transmitidas de geração em geração, tornando-se Lós Céspedes como os autênticas alma do Nacional, de cujo o seu Pai., Don Eugénio continuou Presidente Honorário, apesar da dor que a saudade lhe provocava. Durante muito tempo, os trofeus iriam permaneceriam ainda no piano de sua casa, que fora, no fundo, a primeira sede do clube, até se incorporaram, por fim, no museu do clube. Hoje, Los Céspedes continuam bem vivos na memória de todos os hinchas do Nacional, o símbolo do amor ao clube espelhado na lenda dos homens que deram tudo sem pedir nada, acabando por partir deste mundo, quando a vida acabara apenas de começar.

ANOS 10: A MORTE DE ABDON PORTE

NACIONAL DE MONTEVIDEO2Dele se dizia que tinha a vantagem de jogar com três pés, sendo um deles a cabeça, com que se impunha, nas alturas como um gigante, travando os mais perigosos avançados. Era um defesa central que metia medo aos pássaros que quando o viam começar a subir, fugiam para bem longe. Chegara ao Nacional com 20 anos, em 1911, vindo do modesto Libertad. Era um chico humilde, que mal sabia escrever, mas como jogador do grande Nacional, conseguiu um bom emprego como arquivista ganhando 50 pesos. Depois, nas canchas, tornara-se um ídolo das multidões, vencedor da primeira Copa América, em 1917. Desfrutava agora dos prazeres da vida e passeava-se orgulhoso com a sua formosa noiva, suas irmãs e mãe, oriundas de uma boa família de Montevideo que gostava de o receber em sua casa. a sua vida tornou-se um paraíso, para um muchacho que antes parecia condenada á pobreza. Durante 207 jogos, ao largo de quatro anos, foi titular indiscutível, até que começou a fraquejar. Falhava cortes, os avançados passavam por ele a brincar e começou a ouvir alguns assobios. Perante isto, o treinador tirou-o da equipa. Abdon caiu do céu. Entra e profunda depressão, pede para regressar, mas, numa época em que não eram permitidas substituições, passa muitos jogos na bancada. As pessoas olham para ele de lado, murmuram qualquer coisa e ele sente-se envergonhado. Depois da glória ter chegado sem avisar, era agora a vez da decadência o tocar sem antes se fazer anunciar. Porte não estava preparado nem para um a coisa nem para outra. Implora que o deixem voltar a jogar. Talvez cansados de ouvir suas súplicas, os directores voltam a colocá-lo em campo. Nervoso, tudo lhe corre a mal. Conta-se que até as tartarugas passava por ele. Poucos dias depois comunicam-lhe que, com muita pena, o clube decidira dispensá-lo. Ficou destroçado. Tinha data de casamento marcada e não suportava a ideia da decadência e ter de abandonar o clube que tanto amava.. Continua a treinar-se e aparecer pela noite no clube para conversar, como era habitual fazer-se nesse tempo. Recuemos, então, até ao serão de 5 e Março de 1918. Porte fica até há uma da madrugada na sede social do clube, quando, depois de olhar o relógio e reparar que o último comboio para Únion estava quase a partir, se despede de todos e sai apressado. Desce as escadas e, profundo conhecedor das instalações, entra no relvado do Parque Central. Estavam todas as luzes apagadas. Escuridão total e um silêncio sepulcral. Decidido, aponta uma arma ao coração e dispara. Cai de imediato fulminado. Seria encontrado no dia seguinte, tombado morto no centro do terreno com duas cartas agarradas á mão. Uma para sua família, outra para o Nacional, dirigida ao presidente José Maria Delgado: Querido Doutor, Peço-lhe que olhem por minha velha e por minha noiva como eu me dediquei por vocês. Adeus querido amigo, que esteja sempre á frente do nosso Nacional, agora e sempre o clube gigante. Viva el club Nacional! Não esquecerei um instante, o muito que te amei Adeus para sempre no cemitério de La Teja junto de Bolívar e Carlos Dono de uma personalidade conturbada, mentalmente frágil, não suportara deixar de ser uma glória das canchas. Preferiu a morte á decadência. Como último pedido, rogou ser sepultado junto dos irmãos Céspedes, Bolívar e Carlos, míticos jogadores do Nacional também falecidos anos antes.

HECTOR SCARONE

NACIONAL DE MONTEVIDEO3A década de 20 marca o inicio da época esplendorosa do futebol uruguaio, que iria prolongar-se até 1950. Durante 25 anos, a sua selecção celeste iria simbolizar toda a magia emergente do futebol sul americano. É nesse contexto que nasce e cresce um dos mais famosos jogadores da sua história: Hector Scarone, muitos chamaram-lhe Mago, por ser capaz de jogadas de génio, outros ironizavam rotulando-o de La borelli, nome de uma célebre artista uruguaia dos anos 20, que tal como ele, tinha um carácter caprichoso. O mítico guarda redes espanhol Zamora preferiu antes defini-lo como o símbolo o futebol. Scarone era um polivalente, que jogava no campo todo. Orientava a defesa e lançava o ataque. Ninguém deu tantos golos a marcar como ele na história do futebol mundial. Dizia-se que cantava enquanto jogava. Fez 337 jogos pelo Nacional, apontando 300 golos. Em 1926 ingressou pelo Barcelona, mas poucos meses depois estava de volta a Montevideo, incapaz de viver longe da sua Montevideo. Voltaria a sair mais tarde, em 1931, jogando desta feita no Inter e no Palermo Foi o último ídolo da época do amadorismo, considerado, durante muito tempo, um dos melhores jogadores do mundo, líder, no Nacional, de uma geração que contou com Angel Romano, Antonio Urdinaran, Andrés Mazali, Carlos Scarone, Héctor Castro, El Manco, fantástico jogador que tinha esta alcunha por ter perdido uma das mãos num acidente com uma serra mecânica, e o romântico Pedro Cea, El Peón, prodigioso esquerdino, nascido na Galiza, que, embora lento, tinha uma astúcia diabólica e dele se dizia ter o estranho dom de adivinhar sempre a jogada seguinte. Foi o único jogador que jogou todos os jogos das Olimpíadas de 24 e 28 e do Mundial de 30, marcando golos decisivos. Jogou no Nacional entre 25 e 30, dando sucessivas lições de técnica.

Os Primeiros heróis do profissionalismo: NASAZZI E A MÁQUINA BRANCA

Em 1932, o futebol uruguaio torna-se, por fim, profissional, para tentar segurar no país as suas grandes estrelas que começavam a se faladas na Europa, onde há já algum tempo o dinheiro era íntimo do futebol. Depois das digressões, em 1925, pela Europa, e em 1927, pelo América do Norte e Central, os jogadores do Nacional são muito cobiçados. Um dos homens que participara nessas viagens emprestado pelo Club Bella Vista: José Nasazzi, o Gran Mariscal, um central intransponível, por quem, dizia-se nem sequer passava o raio x. Para muitos foi o primeiro líbero da história do futebol mundial, só que naquela altura o termo ainda não fora inventado, pelo que era chamado de defesa-vassoura. Em 1933, ingressa por fim, com contrato assinado, no Nacional, tornando-se no primeira estrela da era do profissionalismo, integrando a famosa Máquina Branca que venceu os campeonatos de 33 e 34, contando com o a seu lado com o famoso defesa brasileiro Domingos da Guia. A sua aura de líder remontava aos tempos em que nas equipas praticamente não existia treinador e as ordens eram das pelos grandes jogador. Nenhum o fez como Nasazzi, campeão do mundo em 30. A equipa só obedecia aos seus gritos. Nunca ninguém lhe escutou uma queixa.

ATTILIO GARCIA: O goleador do quinquenio 39-43

NACIONAL DE MONTEVIDEO5A história do Nacional é uma sucessão de grandes momentos, mas, de ente todas as conquitas, a mais romântica e lendária remonta ao tempo em que se tornou no primeiro clube uruguaio a conquistar o mítico quinquenio, isto é, a vitória em cinco campeonatos consecutivos. Sucedeu entre 1939 e 1943, com uma fabulosa linha avançada que os trôpegos adeptos charruas ainda citam de cor: Ernesto Castro, Aníbal Ciocca, Atilio Garcia, Bibiano Zapirain, Roberto Porta, sobrinho do malogrado Abdon Porta, mártir dos anos 10, enquanto que a segurança era garantida por El Canário Aníbal Paz, fabuloso guarda redes do Nacional entre 1938 e 1952, 9 vezes campeão uruguaio. De entre todos, o mais idolatrado foi o avançado centro argentino Atilio García, o maior goleador da história do Nacional, com 486 golos em 435 jogos. Venceu 7 campeonatos e em 1938, apontou 52 golos, até hoje record de golos numa época.

ANOS 50: WALTER GOMEZ

NACIONAL DE MONTEVIDEO6Quando a década de 50 se inicia no rescaldo do pós-guerra, o futebol uruguaio já é considerado um paraíso de artistas da bola, magos da técnica, a quem os dribles mais do que um atrevimento permitido, eram uma fonte de alegria exigida. Para os adeptos do Nacional, o grande mestre das fintas e simulações será, para sempre, o furão Walter Gomez, mito de finais dos anos 40, inicio dos 50, que, num tempo em que toda a sociedade uruguaia vivia mergulhada numa enorme crise financeira, provocava nos hinchas um sofrido grito de admiração: La gente ya no come, por ver a Walter Gomez, cantavam nas bancadas. Um castigo por agredir um árbitro impediu-o de jogar no Mundial-50, onde estaria um homem que, correndo pelo seu corredor, muitos golos deu a marcar, o Macaco Schubert Gambetta, corajoso lateral direito, 9 vezes campeão uruguaio e campeão do mundo em 50.

ANOS 70-80: O NACIONAL CONQUISTA O MUNDO

Depois das lendas, o tempo dos títulos. Após dominar, durante muitos anos, o fútbol uruguaio, a história do Nacional saltou as margens do Mar del Plata e passeou, por todo o mundo, o seu estilo tipicamente charrua, mescla de técnica e picardia. Por três vezes, os tricolores de Montevideo conquistam, na mesma época, a Copa Libertadores e a Taça Intercontinental. Em 1971, 1980 e 1988, abrigando cada ano os seus heróis.

1971: Primeiro Doble

NACIONAL DE MONTEVIDEO7Em 1971, dirigidos por Etchamendi, o onze equilibrava a experiência com a juventude. Na baliza estava o famoso guarda redes brasileiro Manga, que chegara em 68. Como patrão defensivo estava o eterno Ancheta, que jogava no clube desde os 5 anos, no Infantis,, tal como Mujica, Espárrago, Maneiro, Cacho Blanco e Júlio César Morales. Entre os jogadores da chamada segunda geração, estavam Montero cAstillo, Luis Ubiña, o chileno Ignacio Prieto, Brunell, Mamelli e o fantástico médio Luís Cubilla, que também fora ídolo do Peñarol, um trotamundos que também passara por River Plate e Barcelona. Dono de uma sublime visão de jogo, tinha uma inteligência futebolística invulgar, tornando-se, finda a carreira, um grande treinador. No ataque, vivia, tratado como um príncipe, um dos maiores goleadores da história do Nacional: o argentino Luís Artime, Le Artiglieri, um matador que marcou os três golos que bateram o Panathnaikos grego, na final da Taça Intercontinental, construindo duas vitórias, 1-0 e 2-0 em ambos os jogos. Apontou 348 golos em jogos oficiais, sendo 155 pelo Nacional. Foi o maior goleador do Nacional nos últimos 30 anos, artilheiro da Liga de 69, com 24 golos, de 70, com 21 e de 71, com 16. Para além dos golos que marcava, tinha grande carisma e sabia unir o grupo nos momentos difíceis.

1980: Segundo Doble

NACIONAL DE MONTEVIDEO8No inicio da década 80, o novo técnico é uma velha glória que estivera presente no doble de 9 anos atrás: Mujica, que coloca como titulares três veteranos de 71: Blanco, Espárrago e Morales. No baliza do onze titular estava o enorme Rodolfo Rodriguez –esse mesmo, o que passou pelo Soprting- orientando os laterais Moreira e Gonzalez, muito ofensivos, e, sobretudo um jovem central que mais tarde iria se tornar um símbolo: De León. A força da meia cancha explodia nos pés de Luzardo, forte remate, De la Peña e o vetrano Espárrago. Na frente, o extremo Bica, que jogava quase sob a cal que marca a linha de fundo, Morales e o goleador Wldemar Victorino que marcando o golo da vitória na primeira Taça Intecontinental, comercialmente disputada em Tóquo, 1-0 ao Notthingham Forest, tornou-se o primeiro jogador a receber o Toyota de melhor jogador em campo. Victorino, pequeno, veloz e autor de remates quase confidenciais que só se apresentavam aos defesas quando a bola tocava as redes, já tinha dado a vitória na Copa Libertadores, frente ao forte Grémio de Falcão. Em 82/83 ingressaria no Cagliari, da Itália, mas a sua incursão pelo Calcio seria um profundo flop. Pouco depois estava de regresso.

1988: Terceiro Doble

NACIONAL DE MONTEVIDEO9A época de 87/88, foi de transição nos quadros tricolores. Mantêm nomes como Ostolaza, Seré, Saldaña, Soca, Cardaccio, Lemos, Olivera e Tony Gomez, e contrata Revelez, Vagas, De Lima e patrocina, anos depois, o regresso do novo caudillo do fútbol uruguaio Hugo De león, que alinhara em 1971 e que depois passara, entre 81 e 88, pelo Grémio, Corinthias, Santos, no Brasil, Logrones, em Espanha e River Plate, na Argentina. Quando regressa ao Nacional, é já um símbolo do novo futebol uruguaio: Destemido, personalizado, mas demasiado agressivo, muitas vezes violento até. Elegante a conduzir a bola, De León, sempre de sobrolho carregado, foi a fiel imagem do central que é capaz de tudo para travar um adversário, expresso numa imagem agressiva, destemida e sempre pronto para uma boa bola dividida, onde saíssem chuteiras e calções a voar. Depois de bater o Rosário Central na final da Libertadores, superou nos penaltys o PSV de Romário na Taça Intercontinental, destacando-se nas duas conquistas o avançado Pinocho Castro, um autêntico perigo público, que era necessário capturar, vivo ó muerto.