NEM SÓ DE FUTEBOL VIVE O HOMEM

29 de Julho de 2014

Mulheres e futebol. Este Mundial tem oferecido imagens para sonhar e alucinar. A relação feminina com o futebol é, porém, mais antiga do que parece. Embora, claro, menos colorida. Recuamos ao preto e branco e já vemos senhoras, vestidas à época, mais emproadas ou anafadas, vendo os jogos, ao lado dos seus homens com chapéus de coco. Elas estavam lá, portanto. Já perceberam, pois, que este artigo é sobre futebol e mulheres na...bancada. Podia ser, claro, no relvado. O futebol feminino deu um salto qualitativo enorme. Joga-se melhor, mais rápido, técnico e com organização. Sem parecerem homens.

Mas voltemos às bancadas do Brasil. Não são muito distintas do que já nos deu outros Mundiais recentes, mas o encanto renova-se todos os dias.

Desde a cor-de-chocolate brasileira ao glamour italiano, às mexicanas que parecem todas candidatas a “miss universo” até à fascinante miscigenação louro-morena das holandesas. Se a Holanda inventou o próprio território onde vive (sistema de diques abaixo da linha do mar) porque não haveria de inventar também mulheres bonitas diferentes de todas as outras?

Este encanto estende-se às paragens mais longínquas. Penso no Irão, após fazer a “viagem espacial” para o Ocidente. Já retenho essas imagens desde 2006. Em vez dos chadores que lhes cobrem os corpos, vê-las em ocidentais minissaias e saltos altos. Perturbantemente lindas. O incrível é que o olhar, que também sai pela fenda das burkas, é impressionantemente igual. Forte, “eyeliner” negro, penetrante. Afinal elas são as mesmas. Apenas numa expressão cultural-corporal diferente da que Ahmadinejad cobre.

Este olhar às mulheres iranianas é a melhor forma de terminar este artigo que parece apenas saciar um olhar masculino. Não é assim tão superficial. Mostra como só o futebol quebra mesmo todas as barreiras sem todos repararem logo. Ao mesmo tempo, prova que nem só de futebol vive o homem. E que se este é um mundo de homens, não seria nada, mesmo um Mundial de futebol, sem, como cantou James Brown, “uma mulher ou uma rapariga”.

O DEFEITO DE POGBA

NEM SÓ DE FUTEBOL VIVE O HOMEMHouve tempo em que num Alemanha-França nem se discutia onde estava o poder físico. Admito que a força alemã ainda leve vantagem, mas as coisas já não são tão lineares quando se vê que Kroos-Schweinsteiger a chocar com Matuidi e Pogba. Neste elenco de “monstrinhos”, Pogba é a maior referência do futuro. Um “médio completo”. Defende, recupera, conduz, com força e técnica, chega à frente, passa, remata. Grande médio interior com “sangue negro” e só 21 anos.

O que reparo, porém, é que mantendo essa potência durante 90 minutos vai perdendo clarividência à medida que o tempo passa e quando entramos na parte final do jogo (últimos 15/20 minutos) ele começa a cometer demasiados erros. Precipitação no passe, que sai mal, falhas de recepção. No fundo, deixa de pensar o jogo nas sua plena capacidade mental.

Ou seja, o defeito está em que acho que Pogba não sabe “jogar cansado”. O desgaste mental impede-o de continuar com a mesma qualidade de jogo. E isso, no futebol moderno ultra-fisico é decisivo. Será um trabalho físico-mental a fazer com ele. Para que, no fim, a “rotação mental” não traía a “táctico-técnica”.