NOTAS 14/15 (12)

14 de Novembro de 2014

SAMARIS TEM DE TIRAR UM “MBA” EM N.º 6?

Sempre que um jogador chega ao Benfica para jogar a pivot, Jesus logo entende que ele precisa dum mestrado tático nessa posição. Os alunos táticos agora são Samaris e Cristante. Pouco importa que tenham a escola grega e italiana, ambas próximas do que Jesus quer por princípio para essa posição: que seja uma referência de equilíbrio defensivo do coletivo atrás da linha da bola, principalmente após a sua perda.

A questão coloca-se sobretudo a Samaris. Entra e sai da equipa. Jesus não vê ainda nele o jogador taticamente de corpo inteiro para jogar nessa posição.

Samaris tem, de facto, cometido vários erros. Na Choupana entrou na segunda-parte e não estabilizou a equipa. São erros, essencialmente, de posicionamento. Ou melhor, de sair do posicionamento, algo que Jesus pretende que seja mais fixo, funcionando mais em conjunto com os centrais do que com os médios.

Taticamente, porém, o mais problemático é ver como o n.º 8 é a posição mais afetada com os problemas da n.º 6, que não deviam ser diretamente seus. Recuando Enzo, a equipa perde a sua grande referência estabilizadora defesa-ataque-defesa, sem bola (em pressão) e em posse (na forma como Enzo sabe dar três ou quatro passos em frente e passar para o sítio certo).
Samaris irá continuar o seu mestrado. Jesus entende que tal deve ser feito nos treinos. Em tese, é o mais adequado. Na prática do nosso campeonato e suas assimetrias na maioria dos jogos, acho que teria mais utilidade se o fizesse durante o jogo (mesmo com erros).

SPORTING: ATÉ ONDE PODE MUDAR TANTO O SISTEMA?

NOTAS 14 15 12É normal a equipa sentir ansiedade no jogo se o resultado lhe foge, mas taticamente nunca pode deixa de ser estável. A maior preocupação de Marco Silva, neste momento, será que o balneário não se parta mentalmente. A nível de jogo não acho que a questão seja tão complexa como, muitas vezes, durante os jogos me parece que o seu treinador a transforma. Isto é, não vejo que o Sporting tenha capacidade (e jogadores) para jogar de uma forma muito diferente do seu habitual 4x3x3.

Quando mete uma dupla de avançados a tendência é recuar Montero para trás do ponta-de-lança mas isso não traz melhor jogo à equipa. Até pode parecer mais perigosa pela bola chegar mais depressa à frente e ter mais jogadores nesses espaços, mas embora mais perto da baliza, fica mais longe do golo.
A questão está na zona de construção/definição para o último passe. João Mário, excelente a passar, necessita continuar o seu upgrade de agressividade tática. Intriga-me o desaparecimento de André Martins como alternativa de, então, mexer nesses espaços. É, muitas vezes, o que se pretende com Mané, mas este, embora desequilibrador no um-para-um, não tem cabeça para estabilizar a equipa a atacar. Outra opção seria assumir Nani mesmo no meio.

Em qualquer situação, a equipa não pode perder consistência. Mudar o sistema leva quase sempre a isso. Uma jogada só ilude essa noção tática global. Este Sporting não tem tantas possibilidades de jogar bem num sistema tão diferente do 4x3x3. Deve é saber mudar as dinâmicas deste para surpreender o adversário.

PAÇOS E BELENENSES: A importância de respeitar as nossas ideias

NOTAS 14 15 12 1Belenenses e Paços de Ferreira. Duas equipas para analisar. Sendo diferentes, vejo mais qualidade no Paços a meio-campo e mais no Belém no ataque.

O jogo do Paços é mais trabalhado. Ou seja, exige taticamente mais aos jogadores. Dentro dum 4x4x2 clássico (com Seri na recuperação e passe, soltando mais Sérgio Oliveira) não pede, por princípio, largura aos alas e faz de Minhoca quase uma reencarnação tática do Josué de Paços de épocas atrás, na forma como também procura jogo interior e surge entrelinhas a fazer passes para os avançados.

O facto de desde a sua primeira época no Paços, Paulo Fonseca ter mudado o sistema de 4x2x3x1 para 4x4x2 mas mantendo os princípios bases de construção, mostra como um modelo de jogo pode viver em diferentes sistemas. Na dupla de ataque, nota para a mobilidade adaptada a terrenos centrais de Hurtado, que antes jogava na faixa. Deu uma mobilidade com desmarcação que o ataque não tinha, muitas vezes, na finalização das jogadas.

O Belenenses não é tão forte no seu duplo-pivot à frente da defesa, mas tem melhorado a saída de bola, onde arrisca menos o passe de primeira instância (que, falhado, apanhava a equipa desequilibrada). O onze cresceu a partir da ligação com o ataque e qualidade deste.

Fredy, Miguel Rosa e Surgeon. Os três são capazes de jogar em qualquer espaço a toda a largura, no centro ou no meio. Não mudam a sua essência, nem ficam piores ou melhores. É raro isto acontecer numa equipa com três jogadores que jogam em trocas posicionais numa mesma linha. Na frente, a 9, Deyverson não para de crescer, na cultura de movimentos e remate.
É desta matéria que é feito o bom futebol. Boas ideias e jogadores inteligentes para as aplicar. Em qualquer dimensão. Clubes grandes ou mais pequenos. Tudo taticamente e proporcionalmente adaptado.