NOTAS 14/15 (7)

05 de Outubro de 2014

MARÍTIMO: A DEFINIÇÃO DAS POSIÇÕES

Primeiro, são os sinais. As primeiras ideias que se nota o treinador quer dar ao jogo da equipa. Muito longe, porém, do pretendido num plano global. Em seis jogos, o Marítimo de Leonel Pontes tem dados esses passos. Longe de ser uma equipa para dominar jogos, é uma equipa para ter convicções nos jogos.

Em relação aos tempos de Pedro Martins, o onze tem agora um ataque mais posicional, o que se torna mais evidente com Mazzou a ponta-de-lança e homens abertos nas alas, procurando dar sempre largura à equipa com bola, com laterais a subir (Ruben Ferreira com cruzamento e poder de desequilíbrio). Não existem trocas posicionais mas existe uma maior definição... posicional.

Acontece o mesmo no meio-campo. O facto de encontrar a definição desse sector na forma como se estende é a base para ligar a equipa ao jogo. Nesse prisma, um pivot equilibrador por natureza, Danilo, é a âncora da equipa. Pode parecer demasiado rígido, pouco ágil de movimentos, mas é um burocrata tático que sabe sempre onde se colocar e simplifica o jogo. Fransérgio cresce com o jogo e com a bola por perto. Vê-se que tem uma escola mais ofensiva do que o jogo lhe pede.

Sinceramente gostei deste jogador desde que o vi (e por aqui o escrevi) mas ainda não sei até onde pode ir. Será um n.º 8 mas na Europa isso obriga a uma rotatividade de transições (ofensivas e defensivas) que é, neste momento, o grande desafio para a sua evolução. Para já, tem a equipa (que também é muito feita por ele) para o proteger. Porque as posições estão bem definidas.

PAÇOS: A DEFINIÇÃO DAS MOVIMENTAÇÕES

NOTAS 14 15 7Sem muito ruído, o Paços de Paulo Fonseca cresce no seu jogar e faz a ligação entre as zonas de construção (recuadas) e de definição (adiantadas) cada vez melhor. Mais do que a variação do sistema, e a colocação de dois homens fortes na frente de ataque (Cícero e Bruno Moreira assustam os defesas adversários), o abrir do jogo dá à equipa maior largura a atacar, com a velocidade (com técnica de definição) de Urreta a marcar a diferença.

Gosto de ver mais a equipa nesta variante de extremos puros, do que a pedir constantemente que um ala jogue por dentro. Minhoca sabe tudo de técnica, mas vejo-o como um 10, a pegar desde logo no centro. De fora para dentro, perde amplitude. A subida dos laterais (e necessidade de ficar atrás do extremo a fechar) ganha maior critério. Hélder Lopes e Jailson, ambos fortes a subir a criar desequilíbrios, estão a crescer nessa consciência tática.

Onde a equipa começa, porém, a crescer como base é, como em qualquer modelo de jogo bem trabalhado, desde trás: o duplo-pivot Seri-Sérgio Oliveira faz-se e desafaz-se nos momentos certos em função da maior rotação de recuperação de Seri (que sobe menos do que no passado) e de construção em posse de Sérgio Oliveira (que agora define melhor o momento de sair para o jogo). E ambos rematam bem de fora da área. Jogam olhando um para o outro (para se complementarem) e não em função um do outro.

No fundo, mais que as posições, o upgrade foi das movimentações. De ambos. A equipa, 4x4x2 ou 4x2x3x1, ganhou, assim, outra vida com bola (e cobertura sem ela). Porque as movimentações estão bem definidas.

O “NOVO BRAGA” : Definição de circulação: por onde deve a bola entrar?

NOTAS 14 15 7 1O crescimento do Braga, nas últimas épocas, tem-lhe permitido, até, furar por entre os grandes. Os últimos tempos foram, porém, complicados. Sérgio Conceição busca reconstruir a equipa mas não fazer revoluções na sua forma de jogar. Há uma base de modelo para pegar. E há, depois, as suas ideias para ir colocando nos princípios de jogo. A utilização das características dos jogadores é fundamental nesse processo. O que eles podem dar para essa construção coletiva.

Pedro Tiba é o novo motor no sentido de equilibrar as diferentes linhas do meio-campo onde Danilo com a devida aculturação tática tem tudo para se fixar como pivot. Ligando bem estes dois jogadores, o onze tem, desde logo, conectado o início da sua ideia de jogo.

O médio mais ofensivo é mais difícil definir. Alan já não tem a rotação do passado, mas tem a técnica e o passe que outros não tem. É um jogador com olhos por todo o corpo que pacifica o jogo quando recebe a bola, enquanto Micael, impulsivo e que num rasgo pode abanar tudo (o adversário e até sua própria equipa) o agita por vezes demais. E digo isto porque vendo a equipa jogar sinto que necessita de definir melhor a sua circulação no meio-campo ofensivo. Para isso, esse lugar é fundamental. Tiba quando recebe a bola em zonas mais adiantadas explica isso muito bem. Na visão e no passe.

Com bons alas, como definir Rafa? Para mim, é no centro que gosto de o ver pegar no jogo. Por uma simples razão: também joga bem a partir da ala, mas é quando pega no centro (ou meia-esquerda) que acaba melhor as jogadas. A base da equipa não é difícil de definir. Mesmo o n.º 9 (Éder tem muito futebol dentro dele, e vendo-o o jogar acho sempre que tem muito mais do que ele sabe e acredita ter). O exemplo de como um jogador, como uma equipa, é muitas vezes, mais do que luta ou tenta jogar, aquilo que a sua cabeça manda.