NOTAS 14/15 (9)

27 de Outubro de 2014

DEFESAS-CENTRAIS OPÇÕES E POSICIONAMENTOS

Olhando o Sporting, o ponto mais débil está nos centrais. Quem deve jogar? É necessário interpretar esta questão distinguindo o que é o posicionamento (certo ou errado) e as opções que cada um dos jogadores toma no jogo. Pedro Oliveira entrou bem na equipa. A maior duvida é Maurício ou Sarr (a dupla inicial que nunca se complementou). Os erros que cometiam (e cometem) eram, porém, muito diferentes. E para se perceberem necessita-se de fazer a tal distinção entre posicionamento e opções de jogo (com ou sem bola).

Nessa perspectiva, admito que hoje até seja melhor Mauricio jogar. É muito diferente, porém, de o achar melhor jogador. Longe disso.

Porque Sarr se posiciona melhor. Só que toma piores opções (por exemplo, num passe para o lado ou no timing de impulsão). Maurício posiciona-se pior (abre linhas de passe, sai da posição) mas toma melhores opções porque é mais esperto a perceber as suas limitações e não inventa.

Sarr é, porém, muito mais jogador a todos os níveis. Posiciona-se melhor. Necessita é, no seu processo de aprendizagem, passar a tomar melhores opções (no passe e ataque à bola). Crescendo nesse sentido, a melhor dupla de centrais é Paulo Oliveira-Sarr.

Outra coisa é ver a raça de Maurício, de cabeça atada, a ir a todas as bolas. Fá-lo parecer melhor, quando Sarr até está melhor posicionado. Falta-lhe é a maturidade de lidar com as opções no jogo, sem se expor aos erros de execução. Tem potencial muito superior, mas se não soubermos distinguir o que são posicionamentos e opções, é impossível ver o óbvio. Só com o tempo será visível.

VELOCIDADE FATOR FÍSICO OU ATLÉTICO?

A velocidade é um fator físico ou futebolístico? O primeiro impulso é responder físico, porque depende das características individuais do jogador ser por definição rápido. O futebol não tem, porém, essa mera lógica simplesmente atlética. Muitas vezes, sim, esse traço faz um jogador. É o que sinto quase sempre vendo jogar Capel. Se lhe tirar velocidade que mais coisas pode ele fazer de verdadeiramente útil dentro da equipa?

Esse é um desafio individual do jogador. Nunca se esgotar na sua natureza e ver a velocidade como algo que é, no jogo, algo muito mais do que apenas físico. É um fator futebolístico no sentido amplo da aplicação no jogo.
Jonas não é, nunca foi, um jogador muito rápido atleticamente. As suas origens posicionais no Brasil eram mais de um 10. Depois, subiu para 9. Em ambas as posições, não aumentou de velocidade fisicamente falando, mas aumentou de velocidade de jogo. A reação rápida à chegada da bola ou a forma como pega nela atrás e conduz procurando ver... rapidamente a linha de passe por onde a meter.

Por isso, neste Benfica, pode jogar junto com Lima e fazer uma boa dupla nesse entendimento cruzado da(s) velocidade(s).

O jogo dá sempre muitas opções para o jogador entrar nele de formas diferentes. Algumas delas, uma vez que seja, vai encaixar nas suas características (até no mais torpe dos exemplares). Saber aproveitá-la pode ser a sua salvação. Há outros, no entanto, para quem todos os jogos pode ter qualquer velocidade que para ele é sempre igual . Mesmo sem ser um jogador veloz.

ESTRANHA FORMA DE VIDA EUROPEIA ENCARNADA

NOTAS 14 15 9 1Costuma-se muitas vezes começar as análises dizendo se a equipa entrou bem ou mal no jogo. No Mónaco, até isso é difícil dizer. Logo no início, Ocampos tem a baliza aberta e só não faz golo porque a bola apanhou um montinho de relva, saltou e no remate acertou-lhe com a canela e foi para fora, sem direção. Este início, até podia ser bom para o... Benfica.

Escapar de começar o jogo logo a perder. Ou seja, o entrar mal sem efeitos negativos práticos podia ser positivo para, com isso, acordar. A equipa melhorou com o tempo, mas a diferença de intensidade como joga na Champions em comparação com o campeonato é enorme.

Nota-se desde logo na forma como entra. Parece que baixa os motores táticos e só quando o onze de Jardim abrandou o ritmo é que entrou verdadeiramente no jogo. Sentiu-se sempre a equipa longe do que pode/sabe fazer. Não é uma questão tática, nem neste caso motivado pelo adversário ser forte (num jogo em que entrou sem pontos). O sistema é igual e Jesus não pede nada diferente (tirando só recuar um pouco Talisca). Parece, pura e simplesmente, ter a cabeça competitivamente noutro sítio. Só impulsos individuais iludem essa estranha forma de vida europeia encarnada.
Como o Mónaco não é uma equipa de alta intensidade, encontrou, na segunda parte, um ritmo mais indicado para impor essa postura no jogo. Passou a sair melhor, teve a finta com túnel de Gaitan, mas o que é estranho é como abana nas mudanças de velocidade do adversário em transições rápidas.

Geriu o jogo até ao fim sem respirar tranquilamente mas sem denotar ansiedade, mesmo em inferioridade numérica. Empatou naturalmente num jogo que voltou a repor questões europeias de épocas anteriores. A equipa tem de ser mais competitiva a este nível, na Champions, sobretudo na fase de grupos. A Liga Europa é outra coisa.