Notas 2007/08

01 de Abril de 2008

Notas 2007/08

1. Quantos passes por sector?

A equipa progride, entra no meio-campo ofensivo e depois, perto da área, sente dificuldade em encontrar espaços de entrada da bola (linha de passe) para solicitar a última combinação que cria a oportunidade de golo. Na base deste problema está quase sempre a falta de uma correcta relação entre largura e profundidade na construção de jogo. A dinâmica e qualidade desta relação nasce, porém, de outra ligação: a estabelecida entre-sectores à medida que se avança no terreno.

Descontando se ela feita em contra-ataque, ataque rápido ou organizado, quanto tempo deve estar a bola num sector? O número de passes é uma boa forma de perceber esse timing. Uma referência? Três passes no máximo e a bola deve passar de sector. Porque, caso contrário, é sinal que só existe largura. Falta a profundidade. Os pivots são fundamentais para articular este jogo com os alas. Nos diferentes espaços e sectores.

No colectivo, o Sporting é uma boa forma de perceber este problema. No individual, Veloso, na eficácia e nas falhas, o melhor exemplo para o entender.

2. A mobilidade da «cebola»

O Cebola Rodriguez é dos jogadores que mais prazer me dá ver jogar. Pela atitude pressionante, sacrificando-se a defender, pela agressividade técnica a atacar. Queima metros em posse, fazendo a bola andar para a frente e chega facilmente a posições de finalização. Dá um equilíbrio agressivo à equipa.

Como sabe jogar curto ou longo, deve ser no onze uma referência essencial do passe (predisposto para o receber e executá-lo a seguir) em zonas onde mais pode desintegrar a organização do adversário. Por isso, vejo-o com mais possibilidade de entrar no jogo nesses termos quando colocado no corredor central.

O jogo com o Paços de Ferreira foi um bom exemplo de como o jogar de um jogador, as suas características individuais, deve ser pensado em função das ideias e necessidades da organização colectiva. Já é tarde para esta dinâmica posicional se tornar em cultura táctica, mas é um bom sinal para o futuro. Mais uma forma de perceber que só faz sentido escolher jogadores depois de se escolher como se quer jogar.

3. O centro da Reboleira

É o princípio para fazer uma boa equipa: construir um bom meio-campo. Uma das razões para a pouca qualidade do jogo de muitas equipas da nossa Liga mora na pouca qualidade desses sector na maioria dos onzes. É um cenário que cresce à medida que se desce na classificação. Na luta pela permanência, existe, porém, uma excepção em termos de potencial técnico.

É o «4» do meio-campo do Estrela Amadora. Fernando é um pivot-defensivo que marca o espaço e sabe dar saída de bola com qualidade; Tiago Gomes e Celestino são médio de transição com controlo dos ritmos, defendem e atacam com inteligência; Mateus, médio ofensivo, embora por vezes pareça com uma barriguita a mais e lento a decidir, sabe mover-se entre-linhas e com grande qualidade de passe faz a diferença na fase de construção.

Falta à equipa, claro, a mesma qualidade na defesa e ataque, mas como os principais profetas de um modelo de jogo apoiado, em toques curtos, estão naquele quarteto do meio-campo, a fórmula-Fáquirá é a mais atraente das que tem apenas por objectivo a permanência.