Notas 2007/08

20 de Maio de 2008

Notas 2007 08

1. Revelações da época

Para quem gosta de futebol, nada há de mais fantástico do que descobrir novos jogadores capazes de nos empolgar ao ver um jogo. Na época que terminou, poucos conseguiram provocar-me essa sensação. Mas ainda apareceram heróis. Na II Liga, Javier Cohene, central paraguaio do Olhanense. Apenas 21 anos. Personalidade no corte, em antecipação, nas alturas ou na intercepção da linha de passe. Com classe e agressividade.

É destro mas bate bem com a esquerda, por isso jogou como central pela esquerda. Na parte final, Diamantino adoptou um sistema de três centrais e ele ficou como terceiro central pela esquerda mas essa opção táctica não o beneficiou. Se tivesse que fazer uma equipa, porém, não hesitava.

No topo da lista, para central punha Javier. Na I Liga, um avançado brasileiro que quando arranca com a bola concilia elegância, velocidade, controlo de bola, finta e, por fim, remate. É Weldon, goleador do Belenenses. Mais indicado, talvez, para um 4x4x2. Vê-lo jogar é a forma mais simples de responder ao que é jogar bem no plano individual.

2. O murmúrio de Faquirá

Passa silenciosamente pelos relvados. Durante os jogos, não se lhe vislumbram estados de alma. A ideia com que fico quando olho para o banco é que para ele o trabalho já foi feito durante a semana. Agora, aqueles noventa minutos são só dos jogadores. O treinador só intervêm quando surjam coordenadas imprevistas. É o perfil do treinador Daúto Faquirá. Quando numas recentes jornadas técnicas, apresentou o seu modelo de jogo partindo da teoria do caos e seu controlo para explicar como entende o futebol, como que se pressentiu uma metáfora de Faquirá formar e gerir as suas equipas.

A serenidade do seu discurso revela o controlo emocional quando a competitividade sobe. As histórias ou citações que gosta de meter no meio da antevisão a um simples jogo revelam o que está para além da sua simples imagem. A sua evolução na carreira (Estoril, Estrela Amadora e Setúbal) obedece à lógica da progressão. No Bonfim, com a herança de Carvalhal, a oportunidade dos murmúrios de Faquirá começarem a serem ouvidos mais alto na elite do futebol português.

3. Uma selecção da II Liga

A II Liga pode ser, numa prospecção atenta, uma boa forma de encontrar jogadores interessantes, com capacidade para relvados mais reluzentes. Num possível onze da época, alguns desses nomes referenciados com o passar dos jogos. Guarda-redes: Paulo Lopes (Trofense); Lateral-direito: Zezinho (Gil Vicente); Defesas-centrais: Javier (Olhanense), Luciano (Feirense) Diego Gaucho (Gil Vicente) ou Denilson (Rio Ave); Lateral-esquerdo: Emídio (Portimonense): Pivot-defensivo: Tito (Varzim); Médios: Mércio (Aves), Hélder Sousa (Vizela) e Marco Cláudio (Varzim): Avançados: Júlio César (Santa Clara), Hermes (Gil Vicente) ou Feliciano (Gondomar).