Notas 2007/08

29 de Abril de 2008

Notas 2007 08

1. A cultura de posição

Qualquer jogador, mesmo que não o diga, tem a sua posição preferida. Onde se sente melhor para exprimir os pontos fortes do seu jogo, É a cultura de posição. Depois, cada um, com as suas características próprias, dá-lhe diferentes dinâmicas. O essencial, porém, é conhecer os terrenos que se pisam, onde pode fazer mais vezes as coisas que faz bem e é obrigado a fazer menos as que faz mal.

Bolatti tem jogado pouco. Por uma razão simples. A sua posição táctica está ocupada por outro jogador, Paulo Assunção. Em Guimarães, percebeu-se isso da primeira para a segunda parte. Porque, na primeira, jogou fora de posição, na meia esquerda, com missão de transições. Passou ao lado do jogo. Porque nunca se sentiu na sua posição. Na segunda, saindo Assunção, foi para pivot-defensivo central. E agarrou no jogo. Segura, marca espaço, passa. Porque se sentiu, na sua posição. Precisa melhorar controlo de ritmos? Sem dúvida. Mas para isso precisa jogar. Tem no caminho um jogador, Assunção, que, há muito, tem o livro completo da cultura da posição.

2. Defesa-direito ou lateral-direito?

Tenho dificuldade em entender quando se elogia um lateral pela sua qualidade a atacar. Porque não deve ser esse o princípio da posição, por definição defensiva na cobertura do flanco. Depois, sim, ler o jogo e saber quando subir sem perder o timing de recuperação. Por isso, distingo um lateral-direito de um defesa-direito. São coisas muito diferentes. Bosingwa ou João Pereira, por exemplo, são laterais. Grimi ou Caneira, por exemplo, são mais defesas.

No prisma complementar, penso que, em cada faixa do onze, deve existir um de cada. Um mais para fechar e flectir quase para terceiro central, quando o outro, no flanco oposto, sobe, quase ala puro. Tudo isto depende, claro, das ideias do treinador. Até podem subir os dois ao mesmo tempo, se o trinco encostar e fizer quase de terceiro central.

Como faz o Guimarães muitas vezes. Andrezinho e Mohama vão embora e Meireles fica.

São dinâmicas diferentes. É um risco enorme, porem, subverter o principio, defensivo ou ofensivo, que o ponto de partida posicional impõe a qualquer lugar.

3. De Luís Aguiar a Pitbull

Notas 2007 08Foi um jogador chave na subida da Académica nos últimos jogos dando outro qualidade ofensiva entre-linhas. Luís Aguiar. Fez a pré-época no Porto, prometeu, criou duvidas, foi emprestado ao Amadora, não jogou, parecia perdido, foi para Coimbra, jogou bem, e pergunta-se agora, será jogador para o FC Porto? No futuro, talvez. Na próxima época, no actual sistema Jesualdo, é impossível. Porque a sua posição, isto é, os espaços livres por onde se movimenta para jogar bem, não existem no jogar colectivo do Porto. Penso que sucede o mesmo com Pitbull, embora com contornos diferentes.

Luís Aguiar melhorou ao receber a bola mais no espaço do que só no pé como fazia ao chegar a Portugal. Pitbull tem arranque, remate e passe, mas necessita de ser o jogador-mais do onze, unidade isolada pela qualidade superior. Como sucede em Setúbal.

Dois bons jogadores com necessidade de espaço próprio para soltar o melhor jogo. Nas grandes equipas, porem, o espaço individual fica subordinado à interacção dos espaços colectivos. Questão de comunidade táctica.