Notas 2007/08

22 de Abril de 2008

1. Atitude? Não, táctica!

Muito se falou na palestra de Paulo Bento no intervalo contra o Benfica ter revolucionado a equipa. Terá tentado o mesmo em Leiria. Sem êxito desta vez. A explicação foi dizer que os jogadores entraram desconcentrados e sem atitude. Mas afinal o que é um jogador desconcentrado? É um jogador que está em campo a pensar na renda de casa? Não, é um jogador que não cumpre as missões de posicionamento táctico.

A motivação pode, de facto, fazer a diferença, mas, por princípio, não acredito em palestras emocionais como base da vitória. Acredito em palestras tácticas. Em, portanto, mudar a atitude…táctica! Como? Através da velocidade, da movimentação, das trocas posicionais. Foi o que conseguiu contra o Benfica, onde provou que o problema não era não ter outro sistema, mas antes não jogar de forma diferente dentro do mesmo sistema. Foi o que falhou em Leiria. Tal como não existe forma física isolada, não vejo a forma emocional por si só. No futebol, tudo tem consequência táctica! Sua dinâmica e velocidade. Razões de boas ou mas exibições.

2. Belenenses: As zonas de pressão

Notas 2007 08Durante o jogo há tempo para jogar e há tempo para pressionar. Tirando os jogos com os grandes, onde parte do principio pressionante, o Belenenses, contra outras equipas, joga melhor do que pressiona sem bola, pelo menos na zona de transição intermediária. Vejamos as suas três zonas de pressão: é intensa logo no inicio, fazendo um avançado (Roncatto) cair no trinco ou no lateral adversário, dependendo de quem inicia a saída de bola. Na segunda zona de pressão, na segunda linha do meio-campo, perde essa intensidade, até pelas características dos jogadores (Zé Pedro e Silas) mais activos a criar e fazendo a zona sempre expectante. A intensidade volta a subir na terceira zona de pressão, à frente da defesa, com Ruben Amorim e Gavilan mordendo os espaços.

O jogo com o Setúbal revelou maior intensidade na zona pressão outrora mais débil, a central. Rafael Bastos, reforço de Janeiro, tem muito a ver com isto. Porque alterna pelas três zonas conforme o local da bola e o momento do jogo. Dá mais ao onze mais consistência entre-linhas.

3. Pegadas de «craque»

Notas 2007 08 O melhor futebol é dos melhores jogadores mas a forma como Zé Mota tem mexido no seu Paços (dinâmica e estrutura) é o exemplo da importância do treinador para mudar uma equipa. Penso mesmo que esta é a melhor época do Zé Mota treinador. Porque é aquela em que tem pior equipa. A exigir, portanto, maior astúcia para a potenciar. Nesse processo, chegou a abdicar do seu 4x3x3 para desenhar um 4x4x2 móvel (na vitória ao Nacional fora). Contra a Naval, voltou, no papel, ao 4x3x3, mas em ambos os jogos há uma chave: colocar Wesley o mais perto possível da baliza.

Porque não sendo ponta de lança não tem a cultura de movimentos típicos dessa posição e sai muito do lugar. Também não é, no entanto, um organizador, pelo que perde-se jogando em posições muito mais recuadas.

Sem um bom nº9 (como João Paulo ou Ronny) a solução era descobrir o melhor local para Wesley. Movendo-se solto com Edson ou surgindo de trás nas costas de William, lendo também as entradas dos alas, encontrou o melhor principio de movimentos. E deixa marcas. São pegadas de craque.