Notas 2007/08

08 de Abril de 2008

Notas 2007 08

1. Linhas de passe progressivas

À medida que um jogador avança no terreno é determinante o movimento dos outros jogadores em função do local da bola. É o princípio do jogo apoiado. Criar linhas de passe progressivas. Um dos principais apoios para fazer esta progressão desde trás são os…avançados. Estranho? Não.

Porque ficando eles sempre perto área, podem criar uma excessiva distância entre-linhas, condicionando a progressão apoiada, levando a um jogo mais directo. Ou seja, os avançados devem dar profundidade, mas tal não é só questão de esticar o campo. É necessário que saibam recuar para aproximar sectores e dar-lhes elos de ligação. Assim, quando a bola chega perto da área, toda o onze continua a jogar da mesma forma que fez ao longo do campo. É o reconhecimento táctico dos terrenos que pisa. É o que faz a mobilidade de Lisandro, Quaresma ou Tarik. Começam a mover-se quando a bola entra no seu pivot-defensivo (Assunção). Porque percebem que aquele já é o seu jogo também. Depois, quando a bola lhes chega perto, dão-lhe, em zonas diferentes, a mesma dinâmica.

2. Porque o Benfica está a jogar melhor

No meio de tanto ruído sobre árbitros, esqueceu-se o fundamental do Benfica no Bessa. A equipa, no consulado de Chalana, está jogar muito melhor. Na base da transformação, está a mudança táctica. Abandonou o 4x2x3x1 e regressou ao 4x4x2 losango, sistema a partir do qual as suas qualidades melhor se evidenciam. Foi com ele que fez belas exibições a época passada, com Fernando Santos, que a preparou da mesma forma na pré-época. A adulteração, com Camacho, desta sensibilidade e vocação táctica, retirou à equipa estas suas referências. E matou-a. Chalana resgatou essas ideias. A maior mobilidade de Rodriguez, o apoio a Cardozo, com Nuno Gomes mais próximo da área, e Rui Costa entre-linhas sem tanto desgaste na transição defensiva, porque os alas flectem sem bola na nora de pressionar.

Por isso, custa ver Chalana falar mais de um penalty do que crescimento do nível de jogo do onze. Até pelo seu futuro. Porque, nestes jogos, prova que mais do que estar como treinador, Chalana é treinador. O seu Benfica deve ser falado pelo seu bom futebol.

3. «Fantasma mau» de Panenka

Meia-final do Euro-2000. Holanda-Itália. Desempate por penaltys e Totti diz para Maldini: “vou marcar à Panenka, de chapeuzinho”. “Estás louco? Olha que isto é a meia-final do Euro!”, alerta Maldini. Totti ignora-o.

Com Van der Sar na baliza, foi para a bola e zás, toque, golo! Ficou herói, com sorriso trocista ao voltar para o centro do campo Minuto 92 do Leixões-Belenenses. Penalty! Dos que pode evitar a descida de divisão. Não sei se Jaime disse antes a alguém o que ia fazer. Mas foi com a mesma intenção. Chega lá e zás, o chapéu sai alto, perde força e o guarda-redes defende fácil. Ficou vilão.

É difícil encontrar uma moral para esta história. Cada jogador confia nos seus instintos. Para Zenga, o segredo era convencer o marcador que “eu sei que tu sabes que eu sei para onde vais tirar!”. A fórmula-Panenka é um desafio ao impossível. E Jaime não é Totti. Júlio César nem precisou da estratégia de Zenga. Porque o fantasma bom de Panenka não surge com facilidade. Depois de driblar o medo, Jaime esbarrou com a lógica. A do fantasma mau.