Notas Gold Cup

24 de Junho de 2011

Notas Gold Cup

EUA na “Gold Cup”

Os EUA continuam a revelar um futebol interessante, produto do bom trabalho de Bob Bradley, mas ainda muito preso às suas limitações. O que hoje faz bem (relação centro-alas na fase ofensiva com agressividade) já fazia no passado. O que faz mal (hesitação na transição ofensiva e pouca recuperação construtiva) continua deficiente. Na Gold Cup, provou-se que é o médio Jones que faz crescer a equipa, mas também se viram melhor três novos nomes no onze base.

Podem ser o valor acrescentado na equipa?

Bedoya (ala ou interior direito, 24 anos, do Orebro) dá largura ao jogo, mas falta-lhe depois capacidade de dar profundidade. É sobretudo um apoio de circulação que gosta de se esconder mais no meio e jogar curto; Lichaj (lateral-esquerdo, 22 anos, do Leeds) é uma adaptação, pois é destro. Por isso, tem sentido posicional, lateraliza bem o jogo já em posições subidas, mas depois fica muito limitado a subir ao ataque; Kljestan (interior-esquerdo, 25 anos, Anderlecht) é um médio com boa noção táctica. Mete o físico e marca muito bem. Foi este ano para a Bélgica, mas será sempre o chamado jogador de equipa, nunca o homem para fazer a diferença. Este estatuto pertence, claramente, ao temperamental Dempsey que arranca da esquerda para abanar tudo no centro do meio-campo ofensivo e ataque, sobrepondo-se mesmo ao nº9 original.

Das Honduras ao Panamá

Um ano depois do Mundial, as Honduras apresentam um onze diferente (sem Pavon, De Leon e Suazo). Continua com o seu 4x1x4x1 preferencial, erguendo um muro a meio-campo, mas os intérpretes são quase todos diferentes (mantem-se, nos extremos, o esquivo Martínez, e surge Portillo). Quando quer mudar, tira um médio centro e mete um segundo avançado, fazendo a dupla atacante Costly-Bengtson (passa para 4x4x2).

A qualidade de jogo só sobe verdadeiramente, porém, com El Principito, Nuñez, um 10 mais cerebral e técnico, mas que retira intensidade de jogo as transições da equipa. É um dilema: troca melhor a bola, parece jogar melhor, mas, correndo menos, chega… menos a baliza.

A maior surpresa do torneio foi o Panamá. As razões são simples: equilíbrio táctico e bons jogadores em cada sector: um central forte e personalizado (Baloy), um extremo perigoso e rápido (Cooper), um médio-segundo avançado de classe, que só precisava de ser um pouco mais rápido (Barahona) e um bom nº9 (Blaz Perez). Quatro craques do Panamá para seguir.